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Humor negróide

quarta-feira, 7 de abril de 2010
pedaço de matéria

torre

Ao lado, pedacinho do nosso editorial com dicas de produtos para casa. O que me impressiona nessa revista é o tanto que se faz com tão pouco. O cuidado é tamanho e a criatividade e bom gosto… Não estou puxando a brasa para a minha sardinha não porque sou vegetariana e edito, não produzo essas fotos incríveis.

Aqui no Brasil varonil, chuva matando gente. Algo me diz que Darwin estava errado. A teoria certa é a da involução das espécies. Ninguém vai me convencer de que:
– pisar na Lua,
– descobrir cura para as doenças mais agressivas,
– fazer crème brûlée,
– usar supercomputadores
São resultados de uma evolução se o homem ainda morre na chuva.

Podemos pensar numa teoria dos paradoxos seguida pela teoria da involução da espécie. Quem descobrir o mistério, ganha uma família de baratinhas para dividir no descampado de Blade Runner…

Tem um lado meu involuído que não resiste. A manchete global hoje “Rio recomenda evitar grandes deslocamentos”.
Rárárá… Fala isso para a terra. Para o morro. Porque eles são os “grandes deslocadores e deslocados”.

E o Jornal Nacional? “Geografia é fator de vulnerabilidade para o Rio”…

chumbinho

chumbinho

É por essas e por outras que resolvi deixar as redações e ganhar uns cobres mundo afora… A culpa é da montanha e todos estão proibidos de fugir do caos. Isso tem ou não tem cara de um flash mob? Estátua!!!

E, para ser democrática, vamos falar da imprensa paulista. O bicampeão olímpico Torben Grael salvou um bebê e a mãe. Na madrugada, um carro foi arrastado pela lama e parou no jardim do atleta. Ele e a família conseguiram tirar as duas criaturas de dentro do carro. Mas o repórter, diligente, achou uma boa frase para terminar a matéria. “Um dos carros de Grael, uma caravan, xodó do velejador, também foi atingida pelo deslizamento e está em cima de uma árvore.”
Acho que deveríamos iniciar imediatamente uma corrente de orações para o carro. Se os bombeiros resgatam gatinhos presos em árvore, eles devem resgatar caravans também. Faça como nos States, liguem 190 ou 191, 1406 ou 0800… Salvem a caravan!!!

E, claro, a manchete paulista do dia: “Leptospirose, hepatite A e dengue são as doenças que mais devem ameaçar a saúde pública nas próximas semanas”.
Eu, do alto da edição, faria uma alteração no texto: “Corrupção, apatia e autoironia são as mazelas que mais devem ameaçar a saúde pública no atual século”.

Se o site Gawker tivesse uma versão em português, juro que seria candidata a uma vaga…

Charles avisou e você não quis escutar!!!!!!!!!!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
caolicoptero

Foi-se o tempo em que o dono levava o cachorro para passear...

Dias insanos na volta ao trabalho. Planos, reestruturações…
Crises, pessoas, confusão, ar condicionado, comida de shopping, trânsito – atire o primeiro blackberry aquele que vive num mundo diferente!
Y adiós vaciones!

Eu adoro rotina!
Acordar às 6h, fazer meu pilates com corrida, tomar banho num vestiário cheio de perigosas peruas de todas as cores, formas e tamanhos, entrar no carro, atravessar 3 quarteirões (em 5 minutos ou em hora e meia), parar meu carro no 5º subsolo, apertar o botão 36 do elevador, atacar a geladeira da firma e pegar uma água quentinha  e passar pelo menos 12 horas na frende de um PC, com dois celulares e um telefone tocando sem parar. Tenho certeza de que o homem evoluiu do macaco só para ter dois celulares! E ficar parado na Marginal Pinheiros no fim do dia.

Darwin. Que sacada a Teoria da Evolução!
Como sou uma moça das Ciências Humanas, já viu!

Muito cedo aprendi que a adolescência é uma construção da história e das sociedades. E fiquei me sentindo a última batatinha Chips do pacote: quebrada e supersalgada.

A idéia de que a adolescência surgiu com a transformação das estruturas sociais ocorrida em fins do século XIX. Os “pessoal” foram retirados do mercado de trabalho para frequentarem a escola e outras instituições educacionais. Segundo os estudiosos, o aumento da complexidade das funções e papéis a serem exercidos na idade adulta levaram a um aumento progressivo dessa fase de formação.
E aí os “pessoal” foram estudar, ver Xuxa, beijar na boca, fazer festa quando os pais viajam e bater cadeira em baile funk.
Teoricamente, com 21 anos, os “pessoal” estão prontos para cair de boca num blackberry. Pelo que me consta, numa pesquisa formal e absolutamente científica usando como cobaia os “pessoal” que me cercam e que (não) têm características socio-econômicas bem similares às minhas, só eu comecei a trabalhar com 21 anos.

Sair de casa?
Pagar conta?

O adendo à Teoria da Evolução – que pretendo escrever, publicar em blog e, com ele, virar uma personalidade no twitter (com 12 milhões de followers, sendo que 20% oferecendo sexo e 15%, formas rápidas de ganhar dinheiro) – , vai provar que estamos evoluindo.

A adolescência, seguramente, hoje termina aos 35 anos. É só passar no Coqueirão em Ipanema em qualquer dia útil às 16h horas que está provado. A turma que ainda mora com os pais está lá tomando uma cerva e discutindo o sexo dos anjos (do Posto 10).

Casamento – pelo menos um ajuntamento – com quarentinha. Para homens, a idade pode variar. É que aos quarenta, existe uma escassez de pais – ou vivos ou dispostos a pagar para ver. Por isso, o jeito é mudar de provedor.

As mulheres começam Mafaldas e terminam Maitenas. Não entendeu? Eu pirateio para vc colorir:

 mafaldaana

maitena Qualquer semelhança com esta que vos escreve não é mesmo mera coincidência…

Depois da fase do livro, aos 60, queremos um filho (de proveta). Claro: aí já usamos todos os cremes possíveis, já investimos na plástica errada e só os filhos – dizem – têm um amor incondicional… Rugas, mau humor de manhã, vinte quilos a mais – nada disso abala o nosso amor. E, claro, mesada, carro – tudo isso fortalece.

E então chega ao fim nossa evoluída existência.

Esta semana, o IBGE anunciou: a esperança de vida dos brasileiros aumentou para 72,8 anos em 2008. A expectativa de vida dos homens é de 69,1 anos e das mulheres 76,7.
Meninos, nesses sete anos que nos separam da cova, vocês não imaginam o que vamos aprontar! Vai ser a festa do comprimido para pressão.

E para não terminar assim, intelectual, conto um fato verídico que hoje me aconteceu.
Ontem (calma que o hoje já chega), comi uma barra de chocolate Nestlé nougat. E, óbvio, não dormi.
Hoje, óbvio de novo, cheguei atrasada à aula de abdominais.
Depois de sofrer horrores, fui guardar minhas bolsa no vestiário.
Atravessei os corredores de olhos fechados. Era muita mulher esquisita para ver logo de manhã.
E fui para a sala de pilates (eu faço pilates de pobre, com a galera).
Eis que Adriana – uma loura de metro e meio, 60 quilos, cabelo mal pintado, escova de formol, plástica na barriga e silicone no peito, mãe de dois – chega atrasada e completamente anfetaminizada (vem chegando o verão, macacada).
A típica quarentona paulista de anedota – com direito a casa no Guarujá – não parava de falar e interromper a aula.
A professora ameaçou dar um castigo.
E ela, adolescente de alma, sossegou.
É ou não é uma evolução essa a da nossa geração?

É… “Estemos” involuindo messsss.