Posts com a Tag ‘destino’

Branco

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ação?


Uma semana usual
não tem poesia
Tem almoço fora
(todo dia)
correria

conversa jogada fora
venda
compra
tempo curto
sem destino

Nova York
Londres
Paris

tempo
é tudo o que me falta.

Meu espaço fica em branco.
Minha falta.
Meu espanto.

Povo da madrugada

sábado, 31 de março de 2012

Vôo cego


Sim.
Cá estamos.
Aqui, frio.
Aí, não sei.
Aqui, testes com a sua ingenuidade.
Aí, busca do impossível.
Sim, madrugamos.
Eu, você, e, quem sabe, alguns bilhões.
Giramundo e todos nadando em cabos de fibra ótica.
Para você me ver aí, vou e volto por três américas.
Na areia do oceano.
Quase sem atraso.
Sem sair daqui.
Sim.
Estamos separados por um fio de cabelo.
Nossas idéias não batem.
Mas tudo bem.

Isto é só um teste.
Um.
Dois.
Três.

Testando.

Escrever, esquecer

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aqui no Brasil, hora chove, hora faz calor.
Recebo notícias da casa materna.
Mãe filósofa dirigiu quase 600 km para conversar por meia hora com um doutor em Mircea Eliade.

Estradas.
Adoro as palavras correlatas.
Via, caminho, direção, rumo.
Destino.

Mamã que faz estrepolias só para falar sobre o que gosta e entende.
Eu e meus aviões.
E minha coibaice generalizada.

No teatro, é comum um exercício também usado por terapeutas.
Subir em um banco, fechar os olhos e se jogar de costas.
O grupo deve amparar a pessoa.
Dizem que, com crianças, é fácil e todos querem mais.
Com adultos, nem todos conseguem.
Há quem nem suba no banco.

O que aconteceu entre a época em que nos atirávamos e a que não subimos numa banqueta de 20cm?
Quem fomos, somos, seremos?
Quem escreve?
Quem lê?
Por quê?

Hoje vi dois corpinhos secos de sabiá.
Estavam num canto da rua, amassados pelos carros que passam apressados pelas vias paulistanas.
Pensei numa tragédia animal.
Um, gordinho e distraído.
Deu um pulinho, outro, mais um.
E acabou num pneu.
O outro, suicida.
Tomou coragem e foi também.

Doce morte a de passarinho de ficção.

Sob a água

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Uma mania de olhar para trás e sentir conforto.
Um presente que não se encaixou nos planos certos do passado.
Um peso.
Um conto suspenso no ar.

Andando por antigas ruas conhecidas, atravessei o passado.
Leve, solto, partilhado.
E segui sob o resto de chuva a olhar, mais uma vez, para trás.

A urgência de enxergar além do nariz.
A quase-paralisia.
Um caminhar lento.
Articulações estouradas, músculos empedrados, ligamentos rompidos.

Um saber que não há mais hora do recreio.
E que o passado é apenas uma entre tantas interpretações.

Um andar às cegas…
Como um seqüestrado que, depois do pagamento do resgate, é abandonado.

A vontade de ter olhos muito abertos.
O grito abafado.
Enxergar inclusive debaixo d’água.

(Por João)

Monomotor

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lá vou eu para a forca.
Embarco às 13h.

Antes, arrumar a casa, mandar bicho para hotel, o outro para o veterinário. Leleco, veterano, fica sozinho sem dramas.
Aproveito a viagem para marcar o resto do meu check up anual – dentista e outros dois especialistas.
Além de arrumar “a casa”, vou aproveitar a semana para ser apertada, revirada, furada, besuntada, vou “aproveitar” para ouvir de especialistas que faço muita coisa errada.
No corpo, um trunfo.
Estou em fase para lá de abstêmia.
Não que beba muito, mas, no ano passado, virei copos e não gostei.
E, agora carnívora, comendo melhor – acredita doutor?

Marquei também meu psicanalista – engraçado esse homem.
Freudiano total, nas minhas sessões ele fala e eu ouço.
Vai ver comigo tem que ser assim.

Minha vida é esse avião.
Vou largando pedaços importantes para trás, recuperando outros no aeroporto de aterrissagem.
Quando vôo, penso com calma.
Acho que, das nuvens, sentimos a morte.
Homem não foi feito para voar.
E, por isso mesmo, fica emotivo, resolve tudo em uma hora e quinze de vôo.
Aí, terra firme.
E confunde tudo de novo.

Eu nunca quis ser garçonete dos ares.
Muito menos piloto – só fui oficialmente autorizada a conduzir veículos com quase 22 anos.

Quando era adolescente, voei com meu tio médico e piloto.
Subimos, subimos, subimos naquele teco-teco monomotor com uma banqueta no lugar de assento.
Lá no alto absurdo, ele me deu o comando.
– Vou desligar a chave e você vai virando o manche.
Descemos numa louca velocidade, eu comandando o mergulho estapafúrdio.
Quando estávamos a ponto de virar sucata, ele ligou a máquina.
Meu coração – disparado –  não teve medo.
O barulho altíssimo do motor. E a força que fez nossos ossos tremerem.
O avião subiu bonito e nosso pouso foi sem sobressaltos.

Freud tem mesmo o que falar.

Obviedades – com gás ou sem?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Hoje foi mais um daqueles dias doidos de sempre.
Depois de ir dormir tarde porque o elevador do meu prédio virou uma cachoeira e a água invadiu minha sala, reunião logo cedo.
Aquela apresentação que era elaborada há 3 meses virou projeto para uma grande empresa.
De tarde, uma entrevista com um rapaz muito inteligente.
Coisa rara nesse mercado.
E uma vaga – quem sabe – numa dessas empresas trendies, fashion, incríveis, cobiçadas.

Em meio a isso tudo, a vida, ah, vida.
Há tempos venho questionando essa falta de fronteiras, essa pressa de coelho de Alice, esse mundo em que o trabalho come as horas do amor, do lazer, da família, do ócio improdutivo.
Minha vida se anima quando o trabalho se anima.
Mas ela sempre foi mais gostosa com amores e amigos.

Ah, trabalho, tempo, dinheiro.

Sabe a história da rã?
Coaxava, pulava, comia mosquito.
Um dia decidiu mudar de brejo.
Pulou, pulou e não achou.
Morreu seca e sem mosquitinho de saideira.

Moral da história:
Nem sempre a questão é entre o certo ou duvidoso.
É culpa do imponderável.

Boa noite.

(Hoje estou Walter Mercado mesmo)