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Filipa

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

 

me acho (às vezes)

Minha santa, da família Pato, solte minhas asas.
Com novas taças finas, tão lindas.

Com meu novo trabalho
(algo de incrível).

Com meus problemas – todos – escondidos debaixo do tapete.

Com meu gás.
Meu álcool.

Meu torso de Sofia.
Nada de lábios ou mandíbula.
Peitos.
Não me queixo.

Ando meio devassa.
E nem chegou a sexta-feira.
Pobre de você.

Coitadinho.

Campanha e polêmica: meu nome é Ana

quarta-feira, 2 de março de 2011

Hoje chegaram os meus de cabeça…
E são homenagem ao defenestrado John Galliano e as loucuras que ele faz nas passarelas.

Em primeiro lugar, quero deixar claras algumas posições políticas.
Com relação a Israel, sou pró-Palestina e ponto.
Imagina se a onda pega e resolvem lotear a Amazônia para dar lugar a algum povo sem país? E a ONU ainda libera a reforma agrária?
Holocausto, Hitler, anti-semitismo: sou contra.

Sobre John, penso com meus botões.
Todo parisiense sabe:
1 – Que ele próprio, o nascido e criado em Paris, é um chato de galocha, bolsa e chapéu;
2 – Que bebe mais do que a média da população mundial.

Daí que um moço genial, cigano inglês, filho de espanhola, perde seu braço direito.
Em 2007, o amigo, assistente e conselheiro se matou.
E esse moço segue a vida meio zonzo, cheio de dinheiro e bajuladores.
A pressão é sempre enorme no trabalho.
Ele está ficando velho. Acaba de fazer 50 num mundo em que as protagonistas têm 15.
Ele começa a passar da conta.
Drogas? Álcool definitivamente.

O moço escolhe um boteco no bairro em que mora, que já foi comunicade judaica.
O Marais é uma afetação sem fim.
Depois de entornar todas… Elogia Hitler e xinga os vizinhos de copo.

Não estou defendendo nem justificando.
Patético, de mau gosto, idiota – no mínimo.
São adjetivos que caberiam também a outros mundos: ao da moda e, em certa medida, ao corporativo.
Atire a primeira pedra aquele que nunca soube da história da secretária com o CEO…
Das baixarias inconfessáveis das horrorosas festas de fim de ano.

Enfim, Galliano surtou e falou besteira.
E a Dior encontrou a deixa ideal para fazer o ex-enfant terrible picar a mula.
Afinal, ele já está velho e caro demais.

E o cisne do Oscar?
Essa continua embolsando a grana da campanha que fez com o fofo, mas resolveu condenar a atitude do moço publicamente.
Natalie Portman é a favor do exército de Israel e do dinheiro do bêbado anti-semita.

O que publicou o estilista:
Eu tenho de assumir a responsabilidade das circunstâncias em que me encontro e por ter permitido a mim próprio ser visto a ter os piores comportamentos possíveis.”

Quer saber?
Vamos comprar confete e beber uma cerveja – todas menos a Devassa.

PS: Ah, e quer saber por que estou torcendo por Charlie Sheen?
Não deixe de ler “como ser um roteirista maquiavélico e acabar com atores viciados“…

Da minha natureza

sábado, 31 de outubro de 2009

picole

Quem diria que teríamos um sábado de sol daqueles de se jogar e ficar lagarteando na grama… Delícia.

Pintei minhas unhas de laranja para combinar com o clima. Nosso editorial da revista vem com “pink flamingos” de 1,5 m feitos de acrílico. Peguei dois e trouxe para casa. São chiques e divertidos ao mesmo tempo.

Aliás, estamos em pleno fechamento da última edição do ano. Desta vez foi pesado para a produção. Criar um clima de verão em meio às chuvas de outubro. Para mim, é “pesque e pague”.
Essa onda do FLÚO (nosso velho e conhecido neon) é diferente: tem algo de brega, muito de alegre e uma pitada de cor forte que te joga para cima. Eu, branca de leite, chegada num preto, estou hipnotizada por minhas unhas fluo-laranja. Engraçado como o calor muda tudo: até o corpo muda.

No francês, suave e sonhando com a volta a uma Paris de menina, pesquei duas rimas probres que me encantaram. Bonitas se lidas na língua de Bardot.

Je veux te voir des etoiles dans les yeux. Je vous invite à entrer dans la ronde!

Seguindo a deixa de que a maldade anda muito na cabeça das pessoas, twittei. Não passou um minuto e recebi um comentário obsceno de um desconhecido. Reli. Tem algo de devasso nas frases – se você fizer uma tradução tabajara muito ao pé da letra. Mas o convite é para a discussão. Dei uma resposta engraçada-ferina e bloqueei o cara. Abusado.

Penso nos que vivem em cidades cinzas. Que melancolia.
A São Paulo que habito é meio carioca. Vila Madalena. A São Paulo onde trabalho é Manhattan tupiniquim.
Minha empresa – que agora estou começando a gostar, será síndrome de Estocolmo? – tem cores. Fala multilínguas: gauchês, carioca, paulista, espanhol de todo lado (Colômbia, Peru, México), inglês. É pink flamingo.

Sobre música. Tirando meu compositor preferido de todas as horas, meu companheiro das tardes sem trabalho – quando as madrugadas eram intensas e caretas de jornalismo ao pé da letra -, Eric Alfred Leslie Satie, tenho ouvido muito Michael Jackson. Tão diferentes, não? Um morreu deixando centenas de guarda-chuvas no apartamento. E o outro morreu, eu creio, porque em vida, andava estragando a própria obra. Agora que é um poeta morto, voltou a ter força, voltou a ser grande. E ele é muito bom.
Ambos detestavam o sol.
Eram muito excêntricos. Satie só comia comidas brancas. Ovo, nabo, leite. E se alguém tiver um exemplar de Mémoires d’um Amnésique, eu compro! De verdade. Voltando ao Michael, minha música preferida foi interpretada pelo guitarrista mais metido (e qual não é?) e que tenho ouvido muito desde o ano passado. Bela combinação.

O engraçado é que procurei o vídeo no YouTube e o menos pior (sem narração) foi o da Globo. Pedala MTV, pedala Record!

Bom, sábado de sol. Música. Aproveitem.

E para não dizer que meu coração ficou quentinho, dou adeus com uma palavrinha bem interessante. Em inglês é asséptica, quase boba. Notei a sutileza ontem, na segunda garrafa.

Wanton.

Devassa, não a que – de tempos em tempos – fazem nas contas de políticos e empresários – e não dá em nada.

Dicionário (Google/Tabajara):

substantivo
  1. criança alegre
  2. devasso
  3. libertino
verbo
  1. agir ousadamente
adjetivo
  1. abundante
  2. arbitrário
  3. brincalhão
  4. deliberado
  5. injustificado
  6. intencional
  7. lascivo
  8. lânguido
  9. luxuriante
  10. malicioso
  11. pródigo
  12. sensual
  13. travesso
  14. atrevido
  15. temerário

Que palavra boa. Abundante de significados. Uma aura meio malandra. Mas que não afasta ninguém. Ciao.