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O fim do tronco

domingo, 10 de março de 2013

No século XXI, Casa Grande e Senzala ainda existem
A patroa rói o osso, a empregada come filé – ou bobó de camarão, tanto faz.
Imagine eu não trabalhar porque estou com febre…
Imagine eu não levar um atestado médico depois de ficar dois dias fora de circulação.
Pois é essa a vida da coitada da doméstica que sai sempre de madrugada dos cafundós, pega dois ônibus, um trem, metrô…
Ela chega cansada e tem direitos.
Se for babá, o momento descarrego vai ser na pracinha.
Pare e ouça.

Já a patroa sai as 7h, leva a meninada para a escola, arruma um esquema com o taxista para buscar os meninos.
Paga babá, aula de natação, inglês.
Depois tem que ralar para bancar esse staff.
E morre de remorso de não ter tempo para os filhos.
Ahhhhhhhhhh…
Direitos e deveres.

Na vida selvagem das cidades, não dá para levar empregadas (e patroas) ao pé da letra.
Não tem injustiçado, explorado ou mal pago.
Tem a relação impossível.

Não há salário que pague tanto trabalho.
Nem dinheiro que banque tanto descompromisso.
Falta retorno.
Falta entender.
Falta tempo, minha gente.
E tempo é dinheiro desperdiçado.

Comprei casa nova.
Vou pagar os tubos.
Vou reformar.
Vou entrar para a era dos Jetsons.
Não quero ninguém em casa.
Quero silêncio.
E um bando de máquinas trabalhando por mim.

Se der na telha, contrato um chinês para mandar meus emails.
E vou ficar de chinelo.
Vou deitar na grama e rolar com os cachorros sob o sol.

Lendo isto… http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/97758-a-vida-sem-domestica.shtml

Tum-pá.

Lava pé e alma

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Curriculum do B

sábado, 24 de novembro de 2012

Quero vender bala no sinal (farol, meu!) depois da meia noite.
Ou ser negociadora de lagostas na feira da Vila Madalena.
Quero virar corretora de imóveis de menos de um R$1 milhão.
Ou abrir uma pet shop especializada em jabutis.
Quero, quem sabe, ser modelo de pés descalços, tatuados e com unhas vermelhas em fim de tarde.

Moro na Pequena Maçã (e adoro).
Sou obrigada a ter segunda residência na cidade maravilhosa (e adoro mais ainda).
Trabalho para o povo do Tio Sam.
Tenho serviçais, sou mucama também.

Adoto idéias mirabolantes.
Invento mil coisas impossíveis.
E torno todas as coisas bem mais difíceis.

 

Você se lembra dos meus cabelos negros?