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Escrever, esquecer

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aqui no Brasil, hora chove, hora faz calor.
Recebo notícias da casa materna.
Mãe filósofa dirigiu quase 600 km para conversar por meia hora com um doutor em Mircea Eliade.

Estradas.
Adoro as palavras correlatas.
Via, caminho, direção, rumo.
Destino.

Mamã que faz estrepolias só para falar sobre o que gosta e entende.
Eu e meus aviões.
E minha coibaice generalizada.

No teatro, é comum um exercício também usado por terapeutas.
Subir em um banco, fechar os olhos e se jogar de costas.
O grupo deve amparar a pessoa.
Dizem que, com crianças, é fácil e todos querem mais.
Com adultos, nem todos conseguem.
Há quem nem suba no banco.

O que aconteceu entre a época em que nos atirávamos e a que não subimos numa banqueta de 20cm?
Quem fomos, somos, seremos?
Quem escreve?
Quem lê?
Por quê?

Hoje vi dois corpinhos secos de sabiá.
Estavam num canto da rua, amassados pelos carros que passam apressados pelas vias paulistanas.
Pensei numa tragédia animal.
Um, gordinho e distraído.
Deu um pulinho, outro, mais um.
E acabou num pneu.
O outro, suicida.
Tomou coragem e foi também.

Doce morte a de passarinho de ficção.

Mineiros inquietos

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Outro dia vim aqui lamber um amigo, colega de faculdade, que ganhou um senhor prêmio literário.

Infância

Ontem foi a vez de Serginho Borges.

Serginho é um menino pequeno e bonitinho que conheci quando estava com frescos 8 anos de idade.
Sempre foi querido.
Rodeado de amigos.
Perto do vestibular, Serginho começou a dar sinais de que a vida que ele queria não tinha nada de queijo com goiabada.

Ele andava com uma turma ótima. Uma coisa Novos Baianos, Mutantes, Led Zepellin, Soma e muitos baruetes.

Éramos todos amigos – eu vinha com o segundo time: menos ousadia, mas ainda assim convidadíssima para a festa.

Passagem

Nosso reveillon do último ano de escola – todo mundo com 17, 18 anos – foi simplesmente mágico.
Fomos para um sítio (engraçado porque era do Bruno Buffalo e fica em Macacos).
Lá passamos a noite ouvindo Tim Maia e outros sons dos 70.
Bebida a vontade, moçadinha bonita.
Ninguém tocou no assunto vestibular, futuro, nada.
Ficamos ali, vendo nossa infância ir embora.
Eu parti às seis da manhã.
Acordei na soleira da porta da igreja com o motorista do ônibus me chamando para embarcar.
Roubei um cobertor e tive vergonha de devolver. Coisa de menino.

Anedota

Lembro que, por volta da meia noite, um pai foi buscar a filha que não tinha explicado direito “que” reveillon era aquele.
Eu, feliz e alterada, olhei para o pai, para a filha e arrisquei:
“- O senhor já deu a bronca no ano velho. Agora vamos começar tudo do zero em 1993”.
Não me lembro se ele respondeu.
E nem se eu disse isso mesmo… Risos.

Presente

O fato é que Serginho foi andar com o povo da Somaterapia, teve filho cedo e ficou por aí, fazendo artes pela Belo Horizonte.
E ontem, na estréia seu primeiro longa, venceu o Festival de Brasília.
Além de melhor filme, levou para casa outros 4 prêmios. Um sucesso total.
O filme eu não vi, mas, pelo que li, é algo revolucionário e muito profundo.
Quero ver.
Vamos?

PS

Ah, nem contei, mas o cartaz aí de cima é de outro amigo querido, o Fred Paulino.

Viva essa mineirada inquieta que cismou de fazer arte num mundo tão sem ilusões! Viva!

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/12/o-ceu-sobre-os-ombros-vence-o-festival-de-brasilia.html