Posts com a Tag ‘Direito’

Tanto riso, ó…

quinta-feira, 29 de março de 2012

Direto da Delegacia

Começo o dia sendo acordada pelas notícias.
Velório do dramaturgo, artista, chargista e grande frasista.
Tinha lá algumas namoradas, Cora Ronái incluída, mas manteve-se casado por 64 anos.
O tumor do ex-presidente desapareceu e ele diz que sentiu-se como recebendo a bomba de Hiroshima.
Encontraram ossos de hominídio que tinha pés de macaco.
O técnico da seleção quase perde a direção.
Estudantes de direito da UFPR fazem cartilha explicando como “pegar” uma mulher usando as leis.
Tudo tão ambíguo e sugestivo.
Mas não, nem pense nisso.
Humor hoje em dia é para a polícia ou magistrado decidirem o que fazer.

Não pode fazer piada com tumor. Espezinhar o doente?
Não pode ser incorreto.
Nem falar das escapulidas bizarras do ex-jogador de futebol.
Os pobres meninos, bem bobos, fazem graça com a interpretação das leis e as feministas, a imprensa e até o Oscar Maroni saem com paus, pedras e verve.

Onde anda a graça?
Não está com a macaca – disso eu sei.
Pois tem pés de pato, sapato de palhaço.
Onde anda o savoir fair?
Onde anda o riso?

Hoje tudo é ferro e fogo.
Tudo é preto no branco.
Pedra.
Não tem no meio do caminho.

Meninos do Paraná, eu, que fui aprovada nesta mesma faculdade para estudar Direito mas fiz tudo errado, morri de rir da cartilha e teria adorado estar entre vocês.
Presidente, que comparação disparatada.
Nem exumando o corpo do Tim, a coisa muda de figura.
Vamos tentar com a sexta-feira…

Acorde comigo

terça-feira, 22 de junho de 2010

Time eclético em Cuba 2001: destaque para os diretores Luiz Fernando Carvalho e Laís Bodanzky

A sedução da foto, do texto. Todo blog é como uma menina nova, fresca, louca para te conquistar. Certo?
Errado, esse aqui é algo estranho. E contente-se com o que não te ofereço.
Explico: adolescente, eu tinha uma dúvida: psiquiatria ou jornalismo? Mamãe queria Direito, como ela.
Depois de tocar cadáveres cheios de formol, uma chatice, escolhi o jornalismo – a ponte possível para a literatura.
A caminho da prova de vestibular, carro cheio de colegas, meu pai disse que era a ponte mais fácil para a prostituição.

Primeiro ano de faculdade, mundo novo maravilhoso e resolvi fazer letras ao mesmo tempo. Entre festas, bebedeiras, aulas de filosofia, ciência política e muito rock’n roll, o tempo ia passando.
A brincadeira das letras não durou um ano. Desisti depois que uma professora disse “encicloplégica“.

P

1998: primeira sociedade - com Abud e Armandinho

Um ano antes de formar, contratada pelo maior jornal da cidade.
Eu não sabia nada, mas queria escrever. Não havia blogs nem internet. E escrever era entregar um pedaço de papel para ninguém.
Logo vi que bater ponto na redação era terrível.
Escrever deixara de ser algo seu – pautas, reuniões, assuntos do dia, o que “vende”.
Vim para São Paulo, madrugadas insones esperando a maldita aprovação do texto.
Bar do Estadão – whiskies sem fim, cheiro podre do Rio Tietê. Almoço no Frangó – aquela prateleira de cervejas do mundo todo e eu comendo arroz com feijão, vestida de gente grande.
O jornalismo não me convenceu – mas a $ me animava (e olha que era tão pouquinho).
Pule uma década e meia. TV na veia, alguns cursos abandonados pelo caminho: mestrado em Antropologia (completo), relações internacionais (ano e meio), direito (1 ano)… E a mesma insatisfação. Nem mais, nem menos.
Eu não quis ser atriz, continuei escrevendo o texto do dia, a grana aumentou, eu fiquei mais bonita. Sim, eu tenho certeza de que a velhice nos faz mais belos – mais boca-suja, mais loucos, mais kamikaze, muito mais interessantes.

Minutos atrás

Aí a catarse: não dê comida aos bulímicos.
Eu descobri que não era nada disso.
Não descobri ainda o que é. Mas sei o que não é.

E continuo escrevendo.

Não ter público pagante.
Instigante.
Eu gosto.
Pode me demitir por isso.
Eu realmente não estou nem aí.

Boa terça-feira de chuva e frio em Sampa.