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Salvem as crianças levadas

terça-feira, 22 de março de 2011

Foto do saudoso Guinaldo Nicolaevsky

Que falta sinto de casa!

Nesta minha curta aventura, passei um dia no famoso museu de Inhotim, MG.
Realmente, nunca vi nada parecido em minhas andanças pelo mundo.
É surpreendente, lindo, diferente de tudo.
E o jardim vale a visita.
Eu pretendo ir de novo só para curtir os pitacos de Burle Marx com curadoria do Dr. Eduardo G. Gonçalves.
Mais bacana é ver a criançada se jogando com a maior felicidade.
Lá não existe essa coisa formal dos museus tradicionais: quase tudo é permitido e as crianças, pareceu-me, gostam mais de arte conceitual… Aquela coisa maluca de disco de vinil espetado em um cano, sons de chuva, projeções com imagens de galinha morta… Uma Disneylândia e tanto!

Em se falando de crianças, imagina que descubro hoje, 33 anos depois do fato, que minha amiga é a estrela da foto!
Foi no lançamento do Alfa-Romeo em Belo Horizonte. Imagino que foi também lançamento do carro à álcool.

Meu pai, imaginem só, era o vendedor número um da marca na cidade…
Nessa época, com o salário que ganhava, ele tinha cash para comprar um carro novo por mês. Mas não tinha grana para comprar um apartamento (o que só pode fazer uma década depois).
Meu pai tinha o mesmo nome do presidente.

O presidente era filho de um general que foi comandante da Revolução Constitucionalista de 1932 – por isso, a família dele viveu exilada na Argentina entre 32 e 34. E talvez seja, em parte, por isso que tenha tido peito para realizar a abertura política.
A gestão do amante dos cavalos ficou marcada pela grave crise econômica que assolou o mundo, pelo segundo choque do petróleo em 1979, a disparada da inflação, que passou de 45% ao mês para 230% ao longo de seis anos (isso explica em parte as finanças malucas do de meu pai), e com a dívida externa crescente no Brasil, que pela primeira vez rompeu a marca dos 100 bilhões de dólares, o que levou o governo a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1982.
Se você, criança feliz de museu, não viveu em época de inflação, abra o olho. Porque Líbia e mundo árabe em crise e presidente-apresentador de circo americano vindo aqui não podem ser coisa boa…

Mas o que interessa mesmo é que Rachel Clemens não se curvou ao poder do General-Presidente.
E a família dela teve que se explicar com a turma do SNI.

E vocês imaginam que, na minha família, ainda tem gente que chama o golpe de “revolução”?
Estranho mundo esse de quem nasceu no século XX.

PS: Justiça seja feita: Figueiredo não passou a faixa a Sarney porque o considerava um impostor, afinal, era um vice que deu sorte grande e, se fosse honesto, teria convocado novas eleições.

Meu primeiro cigarrinho

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Experimenta tentar pegar minha carteira

A-hã.
Estranha a literatura porcaria que ando produzindo.
A história vem aparecendo na cabeça, mas eu teimo.

Não escrevo.

E aí a história vai tecendo detalhes, eu perco o fio da meada do meu dia, e qualquer hora tenho que colocar tudo no papel.
Até agora foram cinco páginas. Pouco? Mas dói.
Por que eu não quero fazer e Chico Xavier me obriga.
Saco.

Pois bem, amigos, aqui em Paris a coisa anda preta.
Ando comendo carne e passando mal – depois de 18 anos vegetariando.
(não falarei aqui do teor alcóolico do que ando bebendo)
Por que?
Não sei.
Talvez para me reiventar.
Cigarro metafórico que não me serve de nada.

Hoje voltei para casa cedo. Estudei francês sem muito saco.
Tomei meu vinho, almocei tarde e dormi com Caio. Eu e ele estamos gostando muito de Paris.
Eu faço a cama e ele está lá, o livro doido me esperando.
Não tem Torre Eiffel ou Arco do Triunfo que me façam deixá-lo.
Biblioteca Mitterrand? Sebos, livrarias?
Louvre nem Quai D’Orsay.
Ando lendo devagar – para ele ficar comigo até fim de agosto.
Tenho a impressão de que não serei fiel.
E Cortázar pode me pegar.
Belga metido a argentino.
Metade Clarice, metade bruxo.

Esses dias dei uma navegada com minha internet de manivela…
E li a história da canadense que raspou cabeça e sobrancelhas para fingir que tinha câncer.
Arrecadou grana, viajou para a Disneylândia até que o pai descobriu a história e desmentiu tudo.
Parece com a menina que dia sim, dia não pega metrô comigo.
Ela fala com sotaque e francês milimetricamente errado: tem 3 filhos e não tem emprego.
Aceita 25 centavos, tíquete-refeição.
E não é que ontem ela estava pegando um pacotaço de M&M na máquina?
Filhos exigentes esses que ela não tem…

Por isso tenho uma política: dou dinheiro para músicos mambembes, vendedores de flores, bêbados piadistas e para todo tipo de vagabundo que decidiu ter coragem.

Viver sem mentir é um vício que não tem cura e causa estrago.