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Quebre o vidro

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ano novo, todo mundo resolve ficar bonzinho, fazer regime, parar de comer doces…
Por aqui, agora na terra da ponte estaiada, antes desbundadada em um posto qualquer, comecei enchendo a cara, andando de bicicleta em zig zag e curtindo o novo ano na maior ressaca.
O dia “um” pode dizer muito sobre os 364 que restam (ou 356 se você é purista).
Depois, estrada, São Paulo, poeira de casa, lar.
E trabalho.
Tudo o que não foi combinado vem fazendo o (meu) mundo entrar nos eixos.
Nesta pausa para o café, uma dívida – que não é promessa -: tentar escrever um pouquinho mais.
Em tempos de bandidos menores de idade que matam com pistola tamanho mini, em tempos em que grávidas são baleadas sem dó, há que se navegar sem medo.
Se for para doer, passe a navalha devagar.
Se não for, fique mais um pouquinho.
2013 é uma sopa de números tão bonitinhos.
Se você não ganhou os tais 81 milhões (já descontados os impostos), faça como eu: vá de classe econômica, mas estenda um lencinho de seda no assento.
E caminhe sem olhar para trás.

Os impossíveis

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Traje esporte fino para um trabalho de respeito

Nos jornais, uma polêmica.
Um publicitário-empresário usou espaço caro de uma coluna para fazer anúncio: precisa de cozinheira.
O colunista de política, indignado, criticou.
Segundo ele, o homem teceu loas à modernidade, mas ainda procura uma doméstica, profissão de país atrasado em pleno século passado.
A colunista vetusta, que já fez das suas nos anos 60 e 70, criticou os dois.
Doméstica assim como advogado ou médico é questão de vocação, defendeu.

Hoje fazemos muitas coisas ao mesmo tempo e, claro, não fazemos nada direito.
Tendo um pouco mais em caixa, terceirizamos – chique mesmo é outsourcing.
E eu aqui, exilada no trópico, vendo os braçais ralarem peles e pêlos por quase nada ainda fico de filosofia furada.
Abusada. Alienada. Absurda. Abnegada.

Ah, Deus do mundo moderno, fazei com que tenhamos um olho só e apontado para o umbigo.
Se o homem quer empregada, que queira e tenha.
Se empregada está em falta, que falte e acabe.
Se doméstica é profissão, que trabalhe e ganhe bem.
E ponto.

O que eu acho que deveria ser de direito – e nenhum partido me defende:
Viagem para lugares distantes.
Pausa todo ano por um longo tempo.
Poesia furada e poesia boa.
Prato de mil cousas.

Versão rural do meu escolhido do dia

Um bom copo.
Frutas carnudas e bem doces.
Uma casa com brisa do mar.
E uma senhora discussão.
Sem essa estória de empregada ou funcionária do lar.
Ou a gritaria de ocupe Wall Street.
Uma briga daquelas por mulher casada.
E sangue quente manchando um bom terno panamá.

Enquanto nada dá em nada, minha receita do dia, tem cheiro de baixo Gávea, de roupa cor de neon.

Meia de Seda
– 1/3 gin
– 1/3 creme de leite
– 1/3 licor de cacau
– 1 colher de sopa de açúcar (para as mocinhas)
– canela ou chocolate em pó para pulverizar.

Multiculturalismo

sábado, 11 de dezembro de 2010

Com você, meu mundo ficaria perfeito

Meu amigo Nico, francês, chegou há uma semana e está hospedado em casa.
Minha vida que já andava de pernas para o ar, agora dança cancan.

Um visitante quebra a rotina, muda hábitos.
Esvaziei um armário, troquei o dia da yoga.
Passeei no Ibirapuera em dia e horário nada comerciais.
E, pedante, ando falando francês fluentemente e uso merci para tudo e todos.

Ontem, drinks no Skye – jamais fiz isso porque sexta-feira é dia de dormir cedo, curtir a casa, pedir pizza…
Badalação é para as crianças solteiras. Saída de adulto é sábado.

(Risos)

Do bar modernete para um bistrô.
Do bistrô, como boa mãe solteira, fui deixar as crianças na casa da amiga. De lá, foram para uma  disco e se estragaram noite adentro.
Acordei onze horas (e à seis quando o cachorro latiu avisando que alguém voltava da noitada).
Mal acordei, almoço com amigos no Mani.

De lá, empolgados, fomos para um happening na Micasa.
Picolé italiano.
Champagne.
De sopetão, comprei uma obra de arte.
Um lambe-lambe bem sacado de novo artista (Felipe Morozini).
Mês passado, ele espalhou 200 ditos e desabafos por São Paulo.
A obra chama-se Eu vejo frases em você.

Moldura branca, letra preta em arial bold:

UM MUNDO POR VEZ

Que vire meu lema a partir de agora.