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As coisas (realmente) simples

sexta-feira, 22 de março de 2013

Assim, sem mais

Os tais mais de 30.
Com vinte, eu queria e fazia tudo – mas não tinha a mínima idéia de onde isso iria parar.
Com trinta, festa!
Eu não tinha mais 20.
E continuava com a metralhadora a postos.
Agora, com muuuuuito mais de 30, aponto certeira.
Sei o que não.
Mesmo quando não sei, digo.

As coisas verdadeiramente simples.
No lugar de um posto, de uma cadeira, uma jornada.
Tenho adorado meu trabalho.
Novo, radical, desafiador, maluco.
Meu número.
Vida de caixeiro viajante.
Minha sina.
Tem, claro, um certo glamour, uma certa malícia.
Mas não tem ponto, meninada chata, masturbação de firma – quem comeu quem ou quem se deu bem (desta vez).
O pau, quando quebra, tem cara de Cassino em Mônaco.
O último que sair, gaste umas fichas com scotch para ouvir quem perdeu.

Hoje rua Augusta, segunda no Carlyle com Woody.
Cabelos antes negros e curtos, novamente louros, rebeldes e mais longos.
Cor de cenoura enferrujada.

Abri minha conta nos EUA.
Comprei o que não deveria na Saks.
Vi Liza Minelli ainda em grande forma.

E foi apenas mais uma semana de trabalho.
Quando penso em Dubai, dá vontade de gargalhar.

 

Vidro azul

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Equanto o mundo aspira futebol, estou aqui com meu vidrinho azul.
Lembrança de uma Dubai mais fria que a morte.
Ora misturo com gelo e tudo fica branco.
Ora vai puro mesmo.
Fico circulando pelos mesmos sites.
Vejo meus livros – limpos, imaculados e intocados.
Tudo tão igual e minhas horas cada vez mais curtas.
Dizem que, quando você vai virar outra coisa, é assim mesmo.

Cabeceira

Dia escuro

sábado, 27 de março de 2010

Nesse caso todo dos Nardoni so tem uma coisa que eu não entendo.
Agora que foram julgados e condenados, a imprensa quer mais sangue.
A manchete é que o casal pode pegar regime semiaberto em 2018.
O problema aqui é que nao basta cumprir a pena, tem que transformar a vida num inferno.
Fico pensando nos dois filhos sobreviventes. Filhos de assassinos. Filhos de párias.
Não fizeram nada e vão carregar a cruz.

O cara mais simpatico!

Peter, o terceiro lugar mais comemorado

Por aqui, fim de corrida. O terceiro lugar foi o mais comemorado. O quarto nem voou na final.
Agora rolou um jogo de futebol – convite do técnico Abel Braga.
Eu confesso que preferia ter uma boa noite de sono. Mas valeu pela diversão. A única mulher gritando palavrão no meio de um tanto de homem de camisolão. Risos e mais risos.

Amanhã, um dia em Dubai.

3816 dias ou 500 dias com ela?

quarta-feira, 24 de março de 2010
Aeroporto de Dubai

Aeropoto de Dubai

No avião elegante que tem espaço para as pernas e que, apesar de terem dito que estava lotado, foi reservada a surpresa de ter um assento ao lado de dois livres (não que eu tenha me esticado como gostaria porque na outra ponta estava um integrante de minha equipe). As cores dos estofados são simplesmente lindas. Verde, bege, rosa claro com temas de arte mourisca. A comida é mais farta do que o habitual, mas não menos insossa. Tudo bem, não estamos aqui pelo catering e, sim, pela possibilidade de viajar quinze horas sem parar e chegar direto ao destino.

Bêbada de sono, afinal, embarcamos a uma da manhã, tive fôlego para assistir ao  surpreendente 500 dias com ela.

O desenho me agradou

Quer que eu desenhe?

Eu já havia feito um perfil com Gordon-Lewitt, perfil que está na gaveta para uso futuro. O ator é uma graça, a atriz tenta ser uma beleza à La Elizabeth Taylor. Mas a história… Um filme bobo americano sobre o amor. Tudo para dar sono logo… O fato é que não consegui dormir. O filme é tão triste e tão real. Achar que o amor finalmente chegou e estar enganado. Morrer todos os dias e nascer de novo.

Da alegria de ver o passarinho verde (para os americanos, o passarinho é de desenho animado e azul), de rir sem  razão, de achar tudo lindo ao momento em que nada mais se encaixa. Em que nada mais faz rir – pelo menos por muito tempo – e em que os passarinhos coloridos estão todos presos em gaiolas. De ver seu amor partir… com outro. E de ter que sobreviver.

O filme te agarra – tem todos os macetes americanos – , mas ele vai mais fundo. Eu segurei lágrimas, riso frouxo, e minha vontade de, no meio da madrugada, pegar o computador (como agora, depois de nove horas de vôo) e escrever sem parar.

Mas  me freei. Afinal, com 15 horas ociosas pela frente, meu impulso para escrever poderia esperar por uma noite de sono numa posição desconfortável.

Eu sei, o assunto beira o piegas e é deveras feminino.

Mas tem tanto a ver com minha vida atual. O “para sempre”, o perene, o etéreo. O imponderável.

Por que estamos aqui? Qual o sentido de ser um “saco de ossos, gordura e músculos” que anda? Para onde vamos? E, de novo, por que vamos?
E essa química louca que nos atrai e/ou nos afasta? O que isso significa?
Vocês mesmo – como vieram parar aqui? Gostaria de ler os comentários com as histórias de como encontraram esse blog de perna quebrada.
Por que lêem as confissões “of an ordinary person”? É apenas pela publicidade? Voyeurismo talvez?
Quando penso do lado de cá, exibicionismo e auto-ironia são as duas palavras que ficam.

E, sem fugir do objetivo desse post, quem aí encontrou o amor?

O amor é algo palpável, ou são pequenos fragmentos de vida? Amamos nossos próprios pais todo o tempo? Ou quando se está aberto para?

Eu carrego uma aliança de ouro branco feita de pequenos pedaços quadrados de ouro. Um mosaico em ouro. O designer explicou que o amor é isso: pequenos fragmentos de sensações e eventos que, juntos, ganham um novo significado.

O que fazemos dele não é assunto para mortais.

PS: O post é longo porque, quando viajo, encontro tempo para pensar em tudo aquilo que passo a vida correndo de.

Equipe unida depois de 15 horas

Equipe pronta para ralar

O post vai longe como o vôo.
Nada como ver o filme sobre Churchill e Julie & Julia na sequência.
Minimalismo.
O mínimo necessário para brilhar. Para ser feliz.
Foco.
Rir de si mesmo.
A receita é tão fácil, mas nascemos para confundir e complicar.

Comida, comida – uma das melhores coisas do mundo.
Na chegada, flores. Explico: comida gostosa e em grande quantidade.
O que eu não sabia é que o café da manhã seria uma banana com uma taça de água. (!)
(Pausa: nada como uma bateria que dura 7 horas)
Horas de fome e um snack com suco de maçã.
E o almoço…
Vou encurtar a história.
Esqueceram de mim, deram minha comida vegetariana para outro.
E eu, apaixonada por Meryl Streep no filme, não fiquei de péssimo humor – que seria o meu estado absolutamente normal.
Devolvi a salada de camarão para ver se me viam entre os duzentos passageiros.
Depois de vários “não temos comida para você”, ganhei comida da equipe de comissários. Comida asiática. Antes eu do que eles. Risos.
Fechei os olhos, abri a marmitinha e… VOILÁ!
Arroz com curry, lentilhas, vegetais apimentados. Um manjar dos deuses. Comi depois de todo mundo. Aos poucos. Rindo com Julia.

Agora eu sei porque vôo tanto.
Porque é a única maneira de eu não inventar 20 coisas para fazer ao mesmo tempo.
Fico presa nesse gigante alado, passando sobre Alexandria, e faço apenas uma coisa: comer. E, quando faço uma coisa só, eu até que faço bem.
E fico feliz.

A metamorfose

terça-feira, 23 de março de 2010

Dias intensos no trabalho, na vida – confesso que rápidos demais até para mim. Ontem, algo indédito: cheguei às 22h30 do francês e caí na cama. Nem comi, nem nada. Dormi de soluçar (se é que você me entende).
(Hugo, recebi os livros, danke! Acho que um vai comigo para as arábias)
Hoje acordei totalmente quebrada, estavam faltando pedaços mesmo. Precisei dar uma autossacudida para me encontrar. A conexão não pegou ainda.
Viagem para a Áustria adiada para julho. Pintou Austrália no meio do caminho. Sidney, Perth, Pinnacles Desert…Prometo tirar uma 3×4 dos aborígenes tomando RedBull.
Sandra, obrigada pelas dicas de Salzburg – vou parar uns minutos nos Emirados para me divertir aos poucos com elas. Acho que vou poder parar nessa viagem. Tudo com minha bolsinha de cupcakes.
Das arábias, vou trazer caneca de milk “sheik” para o Clerc.
Sobre o anel, Elsa Peretti. Sempre – a musa.

Pois é, minha gente, isso é Brasil – antes, para ir para a Disney, o cidadão tinha que nascer rico de pai e mãe.
Hoje ele roda o globo com aquela carinha blasé.No cantinho da gerente
Hoje mesmo, vejam só: liguei para o estúdio de fotos no Rio, pedi cópias das minhas fotos do passaporte, paguei via bankline, fizeram e despacharam pelo correio.
Nada como viver num país subdesenvolvido.

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Por aqui, no país tropical, o assunto é crime.
Pai e madrasta vão a julgamento por assassinato de filha.
Jovem desocupado mata pai e filho e a culpa é do Santo Daime.

Eu fico sempre me perguntando de onde sai a brilhante idéia de matar alguém… Será que não deixamos as cavernas?

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Cavernas…
Eu fico elucubrando por que rodamos tanto, corremos, fizemos guerras – tudo para voltar para as catacumbas… Para puxar as fêmeas pelos cabelos, grunhir, comer carne crua.
É a involução humana.

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o gênioO que me anima é o matemático russo Grigory Perelman. Ontem ele declarou que não tem interesse em receber o prêmio de US$ 1 milhão a que tem direito por ter resolvido a chamada Conjectura de Poincaré.
Tá certo. Se fosse pelo dinheiro, ele deveria fazer outra coisa da vida…

Segundo a Folha:

A vizinha Vera Petrovna afirmou que já esteve no flat do matemático. “Ele tem apenas uma mesa, um banquinho e uma cama com um lençol sujo que foi deixado ali pelos antigos donos – uns bêbados que venderam o apartamento para ele”.

“Estamos tentando acabar com as baratas nesse quarteirão, mas elas se escondem na casa dele”, acrescentou.

Esse não é o primeiro prêmio esnobado por Perelman. Há quatro anos, ele não apareceu para receber a medalha Fields da União Internacional de Matemática.

Dizem por aí que, se uma bomba atômica atingisse todo do mundo, só as baratas sobreviveriam… Esse matemático é mesmo esperto. Fazendo contato com as únicas sobreviventes do caos…