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Sexta-feira na Bahia

sábado, 31 de julho de 2010

Muro das maluquices

Eu varro, varro, varro o quarto e parece que fui à praia… Um pó cinza entra na casa e é difícil de tirar.
O que de história não existe nesse pó… Reis, Marias Antonietas, poetas, escritores, físicos, bibliotecários, matemáticos, inventores, ratos rotos e baratas, pé de aranha, pele de turista… Ui.
Tudo para fora.
Como fez nossa “rainha” louca, ao sair, deixarei as havaianas. Daqui não levarei nem o pó.
Mas devagar com o andor porque o motivo é outro.
É o desapego.
Porque a vida é esta, é agora e é uma só.

Mais uma semana acaba. Eu fico vendo muito de longe as notícias do Brasil.
Filho de atriz ganha evento para comemorar nossa polícia corrupta, nossa juventude “transgressora”, que anda de carro e de skate onde não deve.
Todo mundo tem algo a dizer.
Afinal, quem vive de imagem, tem que faturar em qualquer momento.

Pequeno Príncipe

Minhas aulas de fonética terminaram e terei uma semana para curtir museus.

Comprei um passe caprichado que dá direito a furar a fila e vou mergulhar nos meus prediletos.
Pompidou, Louvre, Quai D’Orsay, vou subir no Arco do Triunfo e desistir de jantar na Torre Eiffel – 200 euros nem pensar. Vou é pagar o ingresso de 11 Euros e levo meu pão com queijo!
Pobre excêntrica, mas sem fazer besteira.

Ontem foi mais um daqueles dias em que tudo sai do planejado e é maravilhoso.
Pé e mão no salão francês – você ganha um bife de presente, mas se diverte.

Acho que o coiffeur é o lugar mais interessante do mundo para um sociólogo.
Conversas de toucador, revelações. Eu lá, sendo comida viva, e rindo a milhão.

Nous sommes tous cosmopolite!

Depois, Parc Clichy-Batignolli Martin Luther King. Nome, sobrenome, e um pacote de chips de brinde.
Muito interessante, muita gente se atirando na grama e rolando…
Como cachorro com pulga em dia de sol.
Pombas, franceses de biquíni, crianças, e pó.
Tirei meu saltinho e me joguei nas havaianas.

Sexta-feira na Bahia.
Dali, caminhamos muito. Nico, meu amigo, é sensacional.
Quer mudar para o Brasil.
Espero que o Brasil seja com ele o que Paris é comigo.

Aí, drinks tamanho “Itu para viagem”.
Eu chamo dois amigos brasileiros que também estão perdidos no asfalto.

Uma vem, outro, não.
Saímos andando a esmo.
Nico dá o rumo.
Teminamos no “Café qui parle” numa noite sensacional.

No metrô, sempre arriscando o último trem, volto com dois Argelinos – gêmeos e completamente diferentes.
De espírito.
Um tem alma de Rimbaud. Fino, inteligente e aventureiro.
Outro é só um bobo com vinte anos.

Um indiano puxa assunto – aí sou eu quem agradece.
Cheguei em minha estação.
Hora de ir para casa.
Lavar o rosto e os pés.
Tirar todo o pó e dormir tranquilamente.