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Roda mundo…

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Virei a minha ampulheta hoje. Essa história de dar a volta ao mundo mexe com a gente.
São tantas informações e um sentimento de ser pequeno que é preciso descarregar a bateria toda para voltar.
E, como de costume, a volta foi violenta. Trabalho no feriado, fechamento de mais uma revista, redação cansada e um ou outro nervosinho – para deixar o time eclético.
Hoje dormi sete horas. Penso que não faço isso há mais de dez dias.
Não estou descansada. Mas satisfeita com o resultado. O olho ainda arde, mas lutei contra minha rotina.

...

Eu fico bem chateada quando não tenho tempo de escrever.

É que as idéias vem e vão embora. É preciso agarrá-las enquanto é possível.
Não me pergunte muito sobre a Austrália. Na “cidade mais distante do mundo”, você não vai ao restaurante, vai ao posto de gasolina trocar óleo pois tudo é frito, gordo, insosso. Vale pela cerveja – tomada na hora imprópria e bem gelada.
Para chegar a Sidney, cinco horas de avião. O Brasil fica pequenino.
O que me deixou louca foi a Nova Zelândia. Só pisei no aeroporto mas, do alto, vi verde claro, verde escuro, verde musgo.

A tal da energia faz o mundo girar.
Trouxe um queijo de lá. Mineiro é assim.

Nesses dias de cão, fico pensando nos egos.

Quando a gente perde o senso, o que acontece? Querer mais sem estar pronto para compartilhar. Poder é um negócio complicado. A briga é grande, mas poucos são os escolhidos.

Nesse blog que hoje nasceu enferrujado, lugar comum, penso, penso mas não coloco as idéias no lugar fora de casa.
Ultimamente ando rebelde.
Abandonei as vitaminas.
Segunda volto a minha ginástica. Ando procurando sem pressa uma yoga para voltar.
Fico pensando como Alice: “será que perdi o caminho?”

Em Pinnacles desert

काठमांडौ ou a neve que derrete o calor

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

Paulo Leminski

Eu e meus três irmãos mais novos

Eu e meus três irmãos mais novos

Não bastasse roubar poemas, eu vou precisar da ajuda dos universitários do curso de psicologia.

Tenho a forte desconfiança de que progredi para aquela fase em que as crianças já com 4, 5 anos começam a fazer uma simples pergunta: “- Por que?”
Dizem que é a primeiro período da fase da latência, que vai dos cinco aos oitos anos. O que escrevem por aí:

Os problemas edipianos estão à tona, a criança impede os impulsos eróticos e agressivos. Em seu momento de lazer e nas suas horas vagas utiliza rituais mágicos, simpatia e etc. Seria uma forma de consolidar o seu superego.

O superego, também chamado supereu, é formado pelo conjunto de regras e proibições impostas pelos pais e pela sociedade e que foram interiorizados pelo indivíduo. É o fundamento da moral.
O id ou infraego é constituído por todos os impulsos biológicos (como a fome, a sede e o sexo) que exigem satisfação imediata. É o fundamento da sobrevivência individual e da espécie.
O ego, também chamado eu, é o elemento decisor dos conflitos travados entre o id e o superego, é portanto, o fundamento racional da personalidade humana.
Segundo Freud, estas 3 instâncias estabelecem entre si uma relação dinâmica, muitas vezes conflitual, de que resulta a conduta das pessoas. Assim, o comportamento de umas pessoas compreende-se pela supremacia do id e o comportamento de outras compreende-se pela supremacia do superego.

Pois, com algumas décadas de atraso, cheguei com tudo nesta fase do superego e o id não está com nada. O problema é que papai dançou, mamãe não manda mais e perdi o meu Código Civil. Superego retardado dá um problema danado… Pau que forma o superego torto, entorta de vez… E não me culpe, isso já professava Freud em seu jogo de biriba, depois de uma avaliação de um paciente com histeria.
Por que temos que trabalhar feito mouros?
Por que levar essa vidinha?
Por que sacrificar a vida real em algum trabalho que, você sabe, seja ele qual for, vai pagar suas contas, vai te dar um certo prazer, mas não vai te levar a Kathmandu… (exceção que confirma a regra para Ana Paula Padrão, Guta Nascimento e Glória Maria cujo trabalho levou a Kathmandu, mas, que azar!, o destino delas era Goa).

Eu passei 3 dias em casa tentando fazer algum sentido.
Hoje a rotina veio com tudo.

Eu, numa das várias reuniões do dia, olhando para a chuva batendo na janela do 36 andar e para o arco-íris gigante que surgiu na nossa Gothan Happy City, vulgo Sampa (roubei essa do Marco Assub). Foi tanta energia que a eletricidade falhou. Pena que num segundo voltou.

Um aparte: esse é o terceiro arco-íris que vejo em 11 dias de 2010. Será algum tipo de recorde? E se a gente chegar ao final dele, encontra o tal pote de ouro? Se passar por baixo, vira lobisomem? Eu topo!

Voltando ao superego: quem foi que me jogou tanta regra para eu ficar organizando tudo, menos o livro-caixa interior?

Ando ladra de frases alheias, mas só elas têm me dado alguma explicação… E só quero saber uma coisa: no lugar de parar o bonde, dá para passar a quinta a 280km/h que nem o Nelson Piquet e ainda chamar o Senna de boiola?

Meu espírito agudo e endemoniado anda me cutucando mais do que o que de costume. Dia desses apareço fantasiada de coelho da Páscoa no trabalho e distribuo bilhete premiado para as velhinhas na fila do banco.
Depois, quando o juiz mandar prestar serviço voluntário, juro que vou assaltar a fábrica de panetone e dar chute na caixa de esmola…

Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Paulo Leminski