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As arestas da vida adulta

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Esta semana, meu radar fechou o foco nas notícias dos tablóides.
Não, nada de príncipes e duquesas, aqui em Pindorama nossos heróis são mulatinhos (com mais tempero do que os ingleses cara de cavalo) e louras de farmácia.
E é com elas que inicia-se meu assombro.
A apresentadora de um programa dominical divulgou e a notícia foi manchete em um dos nossos sites de maior audiência: ela está com o assoalho pélvico malhado.
É isso mesmo: bacurinha trabalhada com personal trainer.
É que a moça vai ser mãe e quis deixar avisado para o filho e o mundo: pode vir que estou pronta! Ah, bom!
Da loura aparecida para o tema da questão…
Em minha hidro geriátrica, o assunto recorrente é bexiga caída.
Não, não farei piadas infames sobre a salubridade da água da piscina.
Você sabia que existe um aparelhinho chamado epi-no que promete facilitar a aula de musculação para o baixo ventre e que, entre outras vantagens notáveis, faz com que novas e idosas fiquem com o assoalho pélvico em dia?
E nem precisa de personal trainer.
As minhas velhinhas são mais espertas do que a loura de farmácia – piada pronta, eu sei.
Agora, já que malhamos as Madalenas, vamos aos Judas.
Uma série de sucesso da HBO brasileira promete ter nova temporada: Filhos do Carnaval.
Disseram que, nesta edição, o nome sofrerá alteração: Filhos do Futebol.
Aqui como acolá, começou a aparecer nos gramados, é hora de ter um bastardinho – diria Maria Antonieta do cerrado.
Querem nomes?
Pelé, Ronaldo gorducho, Ronaldo Gaúcho, Robinho… Agora o craque da vez: Neymar.
Quando o mundo pensava que ele estava saindo com uma dessas halterofilistas que desfilam de biquíni na TV, o menino inova: avisa que engravidou uma menor de idade (17 anos), e que vai assumir sua parte. (?)
Para fazer uma ponta nesse novelão, o galã e boxeador Dado Dolabella também anunciou que está buchudo.
Será o terceiro filho – cada um com uma mulher diferente – em um ano e meio.
Como o garoto também é chegado num chute, tem grandes chances de ser escalado para a nova série.
E vamos fechando com a polêmica da vez: os ricos que habitam o bairro de Higienópolis (dos primeiros a ter infra-estrutura de esgoto na capital mais rica do país), não querem metrô nas redondezas.
Reclamam que o buraco quente vai atrair camelôs, ladrões e pobres – não nesta ordem.
Um ou outro blogueiro quis faturar em cima indo contra a maré – há outra estação muito próxima e o blablablá periférico.
O problema, mermão, é que não querer uma estação de metrô alegando que ela “atrai a população desfavorecida” é coisa de Pindorama alucinada.
Em alguns países, isso é mais conhecido como xenofobia.

E, sendo assim, bom dia.
Nos vemos amanhã.

Joana

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Take 1

Queriam-me casado, fútil quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?

(…)

Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havermos de ir juntos?”

Lisboa revisitada, Álvaro? Ou seria Jåµë§?
Les oeuvres poétiques d’Arthur Rimbaud? Ou de M. Langone?
Quem tem medo do incentivo aos loucos?

Em tempos de México batendo galinhos de briguinha franceses… Onde está a virilidade?
Onde?
As mulheres perderam a ternura. Os homens, a bravura.

Por isso avanço sem medo (e com pavor) para onde quer eu vá.
Perdi a ternura, acho El Che de uma patetice total.
Se eu fosse ditador, mataria a todos de fome. E comeria pipocas cobertas de chocolate. Mas guardaria um eunuco para trocar a lâmpada. Há que ser previdente.

Foto da foto - take 1

Amigos, estou em processo de rasgar a carne na análise.
Avó, mãe, igreja, família, sexo, pai, trabalho, homens, viagens, mundo, bicicleta, poesia – abriram a terra e mergulhei como se fosse uma piscina.
O que eu gosto mais é de ver o velhinho resolver décadas com um lápis e papel.
Todo mundo faz tudo errado na infância e você gasta seus cobres no analista para confirmar isso.
Ai que maravilha seria se eu fosse rica.
Estudaria, comeria pipoca coberta de chocolate e faria análise.
E seria Fidel, Chavez, Kim Jong-il, e tudo o de pior que há. Eliana, Xuxa, Valeria Mazza e Susana Gimenez.
Iria de negro ao jantar branco do Louvre – como fui a tantos reveillons.

Iria branca e nua aos enterros.
O lugar onde você descobre que daqui não escapará.

Colocaria toda a culpa no técnico.
Preciso urgentemente ganhar na loteria.
Ou voltar a minha posição de zagueiro.

Les hommes veulent tout.
Une femme silencieuse.
Et un écran de télévision.

Le mâle a perdu.