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3816 dias ou 500 dias com ela?

quarta-feira, 24 de março de 2010
Aeroporto de Dubai

Aeropoto de Dubai

No avião elegante que tem espaço para as pernas e que, apesar de terem dito que estava lotado, foi reservada a surpresa de ter um assento ao lado de dois livres (não que eu tenha me esticado como gostaria porque na outra ponta estava um integrante de minha equipe). As cores dos estofados são simplesmente lindas. Verde, bege, rosa claro com temas de arte mourisca. A comida é mais farta do que o habitual, mas não menos insossa. Tudo bem, não estamos aqui pelo catering e, sim, pela possibilidade de viajar quinze horas sem parar e chegar direto ao destino.

Bêbada de sono, afinal, embarcamos a uma da manhã, tive fôlego para assistir ao  surpreendente 500 dias com ela.

O desenho me agradou

Quer que eu desenhe?

Eu já havia feito um perfil com Gordon-Lewitt, perfil que está na gaveta para uso futuro. O ator é uma graça, a atriz tenta ser uma beleza à La Elizabeth Taylor. Mas a história… Um filme bobo americano sobre o amor. Tudo para dar sono logo… O fato é que não consegui dormir. O filme é tão triste e tão real. Achar que o amor finalmente chegou e estar enganado. Morrer todos os dias e nascer de novo.

Da alegria de ver o passarinho verde (para os americanos, o passarinho é de desenho animado e azul), de rir sem  razão, de achar tudo lindo ao momento em que nada mais se encaixa. Em que nada mais faz rir – pelo menos por muito tempo – e em que os passarinhos coloridos estão todos presos em gaiolas. De ver seu amor partir… com outro. E de ter que sobreviver.

O filme te agarra – tem todos os macetes americanos – , mas ele vai mais fundo. Eu segurei lágrimas, riso frouxo, e minha vontade de, no meio da madrugada, pegar o computador (como agora, depois de nove horas de vôo) e escrever sem parar.

Mas  me freei. Afinal, com 15 horas ociosas pela frente, meu impulso para escrever poderia esperar por uma noite de sono numa posição desconfortável.

Eu sei, o assunto beira o piegas e é deveras feminino.

Mas tem tanto a ver com minha vida atual. O “para sempre”, o perene, o etéreo. O imponderável.

Por que estamos aqui? Qual o sentido de ser um “saco de ossos, gordura e músculos” que anda? Para onde vamos? E, de novo, por que vamos?
E essa química louca que nos atrai e/ou nos afasta? O que isso significa?
Vocês mesmo – como vieram parar aqui? Gostaria de ler os comentários com as histórias de como encontraram esse blog de perna quebrada.
Por que lêem as confissões “of an ordinary person”? É apenas pela publicidade? Voyeurismo talvez?
Quando penso do lado de cá, exibicionismo e auto-ironia são as duas palavras que ficam.

E, sem fugir do objetivo desse post, quem aí encontrou o amor?

O amor é algo palpável, ou são pequenos fragmentos de vida? Amamos nossos próprios pais todo o tempo? Ou quando se está aberto para?

Eu carrego uma aliança de ouro branco feita de pequenos pedaços quadrados de ouro. Um mosaico em ouro. O designer explicou que o amor é isso: pequenos fragmentos de sensações e eventos que, juntos, ganham um novo significado.

O que fazemos dele não é assunto para mortais.

PS: O post é longo porque, quando viajo, encontro tempo para pensar em tudo aquilo que passo a vida correndo de.

Equipe unida depois de 15 horas

Equipe pronta para ralar

O post vai longe como o vôo.
Nada como ver o filme sobre Churchill e Julie & Julia na sequência.
Minimalismo.
O mínimo necessário para brilhar. Para ser feliz.
Foco.
Rir de si mesmo.
A receita é tão fácil, mas nascemos para confundir e complicar.

Comida, comida – uma das melhores coisas do mundo.
Na chegada, flores. Explico: comida gostosa e em grande quantidade.
O que eu não sabia é que o café da manhã seria uma banana com uma taça de água. (!)
(Pausa: nada como uma bateria que dura 7 horas)
Horas de fome e um snack com suco de maçã.
E o almoço…
Vou encurtar a história.
Esqueceram de mim, deram minha comida vegetariana para outro.
E eu, apaixonada por Meryl Streep no filme, não fiquei de péssimo humor – que seria o meu estado absolutamente normal.
Devolvi a salada de camarão para ver se me viam entre os duzentos passageiros.
Depois de vários “não temos comida para você”, ganhei comida da equipe de comissários. Comida asiática. Antes eu do que eles. Risos.
Fechei os olhos, abri a marmitinha e… VOILÁ!
Arroz com curry, lentilhas, vegetais apimentados. Um manjar dos deuses. Comi depois de todo mundo. Aos poucos. Rindo com Julia.

Agora eu sei porque vôo tanto.
Porque é a única maneira de eu não inventar 20 coisas para fazer ao mesmo tempo.
Fico presa nesse gigante alado, passando sobre Alexandria, e faço apenas uma coisa: comer. E, quando faço uma coisa só, eu até que faço bem.
E fico feliz.