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Histórias da meia-noite

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Quem não conhece a história de Robert Johnson levante um dedo!

Robert Leroy Johnson é mais um ídolo da música que completou sua trajetória na Terra em 27 anos.
Ele compôs apenas 29 canções.
E esse pequeno acervo mudou a música e transformou o moço numa lenda do country blues.
“Sweet Home Chicago”, “Cross Road Blues”, “Love in Vain”, “Walkin’ Blues” e “Me and the Devil Blues” são clássicos atemporais.
Eric Clapton, Rolling Stones, Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Red Hot Chili Peppers são alguns dos fãs declarados do músico.

Robert e seus dedos ligeiros
Robert e seus dedos ligeiros

Talentosíssimo, supersticioso e bom de marketing, Johnson também ficou famoso por conta de um contrato que assinou numa encruzilhada.

Na Umbanda, uma encruzilhada é um lugar onde são feitas oferendas aos orixás.
Os conhecidos despachos.
Se for em formato de “x” ou de “+”, a oferenda é para Exu, a entidade que faz a comunicação entre a Terra e o céu.
Se for em “t”, o presente é para a danada da Pomba-gira.

O marketing poderoso de Robert Johnson começou com uma história.
Ele teria ido (violão a postos) até a interseção da U.S. Highway 61 com a U.S. Highway 49.
À meia noite, o convidado deu um peteleco em seu ombro.
Johnson não olhou para o recém-chegado que pegou o violão e tocou algumas músicas.
Em depoimento para o documentário “The Search for Robert Johnson” (dirigido por Chris Hunt), a ex-namorada Willie Mae Powell contou que Johnson confessou ter vendido sua alma ao diabo.

Johnson morreu em 1938 pouco tempo depois de ter gravado suas canções.
Ele bebeu uma garrafa de uísque temperada com veneno (dizem que foi preparada por um marido traído ou uma namorada ciumenta – não se sabe ao certo).
Durante a recuperação do envenenamento, morreu de pneumonia em Greenwood, Mississippi.

Pois a minha história da meia-noite não tem pacto com diabo.
Tem a ver com as decisões que tomamos e as encruzilhadas que vamos encontrando ao longo da caminhada.
Todos – mesmo inseguros ou covardes – somos obrigados a fazer escolhas e lidar com as conseqüências que surgem daí.
Sair da zona de conforto, embora os papas da cultura vazia de corporações achem a coisa mais linda desse mundo, sempre é doloroso.
Afinal, todos buscamos essa tal zona onde pisamos com segurança e sabemos nos virar de olhos fechados.
Mas ela não é eterna.
E, de tempos em tempos, temos que nos virar.

Eu sempre fui “vista” como alguém que tem coragem.
E isso é caro – você não imagina o quanto.
Daria para encher sacolas e mais sacolas da Sak’s.
Parte do pagamento vai para amizades perdidas e situações afins.

Enfim, por mais que as Igrejas, os analistas e os curandeiros digam que essa característica possa ser alterada, eu não acredito.
A gente é o que é nem sempre porque queira.

Fato, companheiros digitais, que eu estou aqui bem no meio do entroncamento.
Esperando por um cutucão no ombro.
E eu não trouxe nenhum instrumento musical.
Isso pode dar em confusão…

Abaixo, uma bela homenagem do Cream:

E uma versão sensacional com dois bad boys da guitarra: Eric Clapton e John Mayer. (O som é baixo, se você quiser o melhor som vá para: http://www.youtube.com/watch?v=Zh4n1bZi4d8&feature=related)

Milk, Slumdog Millionaire e sábados com macumba

domingo, 8 de março de 2009

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O sábado tem sempre um ritual.
Passeio na praça – que é meu quintal de casa – com Alice.
Café sem pressa na Rodésia.
Papo com Denis, um simpático e doce atendente da padoca.
Mais passeio na praça.
Volta para casa e programação do dia.
A tarde foi para colocar os filmes em dia.

Milk

Tem uma frase emblemática do filme que me tocou.
Harvey Milk fala para o parceiro que ele acabou de conhecer:
– Quase 40 (anos) e ainda não fiz nada de que me orgulhasse.
Mais do que um filme sobre a luta sobre o direito dos gays e das minorias, é um filme sobre um cara que mudou a vida aos quarenta anos. É forte. Eu, como sempre, saí do cinema querendo chutar o pau da barraca. Mas estou me preparando para isso.
Ou vc acha que largar a Globo depois de uma década foi fácil?
Mas não espere: – Meu nome é Ana Pessoa e estou aqui para te recrutar… RÁRÁRÁRÁRÁ.

James Franco é sucesso total como Scott Smith e como pessoa em si

James Franco é sucesso total como Scott Smith e como pessoa em si

Sobre a atuação de Sean Penn, acho que o machão que espancou Madonna e que curava as ressacas de Bukowski fez um grande esforço. Sinceramente, ele está uma bicha muito afetada. Acho que um pouco over.
Mas, com toda certeza, mereceu levar o Oscar.

Slumdog Millionaire

E por falar em Oscar… Vamos – rapidamente – espinafrar Jay Ho.
Slumdog Millionaire é – sem sombra de dúvida – um dos filmes mais picaretas que já vi.
Roteirinho para Oscar – e levou 8 para casa.
Tema que agrada: ser Pollyanna num mundo cruel.
E tem clipinho final com os momentos mais marcantes do filme.
E clip com a música-chiclete Jay Ho.
Sinceramente, uma porcaria anglo-americana.
Eu, se fosse indiana, jogaria Danny Boyle na parte mais suja do Ganges.
Quem gostou de Trainspotting pode esquecer… O cara agora é Jay Ho – leia-se comercial até as tampas. Ah! E uma curiosidade: vocês sabem o que é jay ho?
É uma gíria para turbo, speedy – Speedy aqui no Brasil, nas últimas semanas, muita gente viu o que é… Rárárárárá.

Macumba

E, num dia com batata frita, milk-shake, chocolate, pizza e vinho (!), o melhor é terminar o post co macumba.
É que uma esquina da praça aqui perto de casa virou ponto de despacho.
Semana passada tinha tigela com bife e pimenta.
Depois, duas galinhas sem cabeça e um vidro de cachaça.
De tarde apareceu um jarro funerário branco com uma guia cheia de caveiras…
Eu, gaiata, e cheia de vinho na cabeça, dei um google nos cânticos de Exu, fiz um cartaz e preguei na árvore.
Escrevi que quem fizer macumba ali vai levar a praga de volta para casa. E botei um trecho do cântico.
Será que cola?
Rárárárárá…

Abaixo, detalhes da cartinha e da macumba das galinhas…

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