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Maior o que está em mim

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Delícia voltar às origens e ver seu passado te tragando feito areia movediça e cuspindo os ossinhos com um cabelo de Debbie Harry.
O rock voltou.
A bike rolou.
A força está me deixando com braços de menino.
A loucura está rondando a praça.
A gentileza acontece.
A paranóia do escritório sumiu.
A faca e a bota foram para o armário.
Amor para todos os lados.
Na rua, na net, ao telefone, em tudo.
E só não dá tempo de trabalhar.

Trabalho enobrece?
Trabalho é andar dez casinhas para trás, no meu caso.
O tal julgamento de Brodsky.

Trabalho?
Tô ralando, minha nega.
Yoga.
Meditação.
Nos intervalos, faço algum dindim.

E estou considerando seriamente me teletransportar para o Japão.
Era uma vez uma Ana.
Durante anos Ana foi feliz.
Mas ela descobriu que, de ponta cabeça, seria ainda mais do que quis.

Segunda-feira, pode me arrancar cada pedaço de carne.
As unhas vermelhas.
O pêlo.
Me arranha inteira.

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Capítulo 6

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A foto que logo circulou no Facebook

Começou quando ele deixou o cabelo crescer.
Sabia que, no escritório, faziam piadas a respeito.
Mas, por ser o chefe, eram veladas, covardes como têm que ser.

No dia em que apareceu nu, o silêncio foi total.
Mesmo não querendo provocar.
Vácuo.
Todos parados.
A luz branca parecia efeito de cena.Com um crachá na mão e nada mais.

Passou pela catraca principal.
Esperou pelo elevador.
Subiu.
A voz eletrônica feminina do elevador avisando que você estavano 36 andar.
Telefones tocavam.

Recepção.
Deu bom dia – como sempre fazia.
Dirigiu-se a  sala de reunião.
Enorme, com janelas do chão ao teto.
A secretária, uma senhora magra, com sorriso largo, nada falou.
Um instante sem emails, sem barulho, sem agitação.

Em alguns minutos, a segurança apareceu.
Discussão na porta.
A equipe da CIPA.
Emergência?
Médicos então?

Pela escada de emergência.

Na delegacia, mistério.
O homem não falava e, no boletim de ocorrência, foi registrado como caucasiano, olhos negros, estatura média, sem documentos, recusou-se a responder as perguntas.
Atentado violento ao pudor.
Deram-lhe um cobertor.
E avisaram:
“- É para se cobrir ou vai ficar roxo”.

Deitou-se sobre o pano e dormiu.