Posts com a Tag ‘estrada’

Travesti

domingo, 26 de julho de 2015

para-raios

Porque hoje, não do nada, saquei quando a gente saiu da estrada.
Diferente do mundo, eu vivo a vida às claras.
Eu não tenho medo nem amarras.
O que eu faço, mato no peito. Sem programa que deleta o que eu escrevo.
Meu aplicativo replica, publica. Grita.
Eu sou 80 em estado puro.
Eu não minto. Nem tenho mais pinto.
E eu decidi que, a partir de agora, quero ser de mais de um. De dois. Ou três.
Vou colocar o dedo na tomada. Eu sempre fui 220.
Vou dar o que me der. Vou dar.
Vou, finalmente, criar, vou deixar quem eu sou ganhar. Eu vou me entregar.
Eu comecei a ir embora.
Eu sou de trás para frente.
Comigo tudo sempre começa do alto, do grande.
Agora eu quero o diminuto.
É hora de voltar ao meu espaço, à minha mesa de sinuca, à minha solidão destemida que vai puxando gente como ímã.
Eu estou chegando em casa.
Eu não tenho mistério.
Senha.

E é por isto que você me quer.

Catavento

domingo, 23 de outubro de 2011

pêlos

As flores de lá duram menos.
Aqui, voam idéias.
Se não fosse Santos Dumont, seria outra esta história?

Haveria cartas como as de 1999?
Menos dores de estrada, mais chás, cafés, mais sono, rede, maisena?
As luzes, quem as acenderia?
Os passarinhos encontrariam a janela?

Descontrolo tudo através da pequena tela.
Reencontro as cores, telefone.
Futuro?

Avião.
Tão incerto.
Quase sempre acerto.
Perto.

Fim de domingo.
Sempre que não penso,
(In)tenso.

Traidora do movimento

sábado, 5 de março de 2011

O outro carnaval

Carlos Drummond de Andrade

Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?

De presente, o adereço que não batizei com confete

Eu ia correr atrás da banda…
Mas o friozinho bom, a chuvinha fina que vai e vem (bem).
A estrada afora.
A bagunça, a cerveja, a praia chuva, o Rio, o xixi na rua.
Ah…
Traí o movimento.
Vou curtir – excepcionalmente este ano – o carnaval numa São Paulo acolhedora.
A mala continua pronta para o caso de eu mudar de idéia.

Vejo você na quinta.