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Resolução de ano novo

sábado, 3 de janeiro de 2015

O ano quando começa abre as portas do impossível.
E elas se fecham rapidamente. Quem passar não volta jamais.
Não, não há dinheiro envolvido, amor novo ou sua saúde de volta.
Sete ondas, oferendas, espumante, beijo – nada disto faz sentido.
Ousadia.
Dos significados do dicionário, os que mais se assemelham à verdade são a falta de reflexão; a imprudência; a temeridade.
Não que eu não ame cometer todas as antonímias.
O objetivo é testar, testar, testar.
Aqui, dentro do meu universo, eu vôo muito, vôo longe.
A tal casca dura que molda como mármore.
Que te faz uma personagem.
Quando você voa ela se esfarela como sal do Mar Morto.
E você vira passageiro desta espiral de coisas impossíveis que, quando leves, sempre proibidas.
Beber de manhã, falar o que não deve, sonhar com coisas difíceis, escrever o que bem entende e para quem se interessar. Escrever.
Imaginar outras histórias, outras pessoas, uma casa menor, um gosto por café, uma sem-vergonhice absolutamente inusitada. A falta de vergonha de seguir o faro.
Pensar nos grilhões de um trabalho como um tíquete de loteria.
Desejar salvação pelo caminho mais simples: uma nova prisão.

Quando a gente é novo, o novo é puro prazer.
Ele é doce.
Ele tem tempo e fé.
Quando se envelhece, existe a dor.
Existe também um auto-conhecimento, um saber cristalino de suas limitações.
E, a despeito de tanto chumbo, tudo é bom porque é suado.

Passei oito anos e meio – quase dez se contar um intervalo sabático – no mesmo emprego.
Coisas de principiante.
Hoje espero coisas que estejam fora do tempo.
Não sou guia nem sou calma.
Vejo meu filho inquieto, impaciente, exigindo “agora”.
E eu sinto uma identificação orgulhosa.
No fundo, no fundo, o “agora” ainda grita em mim.
E são tantos anos.

Agora.

Meu melhor ângulo não está aqui

Frescor

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ana, Ana, Ana, Ana, Ana

Saio de casa (apressada).
A cadelinha vidente se recusa a comer.
Regras e rotinas grudadas na geladeira.
Corretores correi.
Corri.

10h30, CEO.
12, sócias (novas).
14h30, uma conversa.
Táxi adorável este que me trouxe.

Amanhã, demissões.
Sindicato.
Tudo tão centro de São Paulo que dá vontade de ficar.

Volto com o coração aos pulos.
Barrancos.
Não tiro a maquiagem.
Ando na praça.
Falo, falo sem parar.

Era tudo isto mesmo que eu queria de volta
(…)

Raiz forte

segunda-feira, 23 de julho de 2012

o mesmo sorriso, a mesma cara dura, a fé inabalável

Ontem, deitada no piso, ouvindo canções de forma aleatória, fui ferida por um Milton.
E levei um caminhão de minério de ferro no peito.
Quase sem conseguir respirar, vieram pores de sol amarelos e não avermelhados.
Um brilho de chão duro e muito gasto.
Meus cabelos longos, meu macacão.
Minhas blusas pretas coladas ao corpo.
Minhas andanças de bota do exército e mini-saia.
Minha(meu) Afonso Pena.
Bahia.
Minha montanha sem fim.

De repente, percebi tudo o que já não é.
“Galpão” em tarde chuvosa.
Sexta corrida e sem luxo em acampamentos e fotos e banho terrivelmente gelado em algum rio que hoje virou terra.
Sonhos pequenininhos.
Uma festa.
Uns causos.
Um olhar para dentro tão profundo e medroso que parecia gás paralizante.

Hoje com um sotaque misturado, um cabelo curto para contrariar, um pouco mais de peito, a blusa solta…
Seria São Paulo, a idade? Cidade?
Mas como se ainda creio em tudo o que não fiz?

E eis que hoje recebo de surpresa um texto bobo sobre as mineiras, sexo versus sacanagem e algo com doce de leite.

Ah… Pobre de quem não nos conhece.
Feliz de quem tem medo.

Faz frio aqui

terça-feira, 15 de maio de 2012

ssssssssssss...

Necessidade de fazer um casulo vestida com mil camadas de roupa.
Vontade de sair de casa mesmo assim.

Saber que hoje é o que apenas há.
E gostar.

Uma sensação de calor apesar do gelo que te pede calma.
Uma corrida longa sem pensar no caminho que vai ficando sob os pés.

Terça feira com tudo novo.
São Paulo.

Aquecimento

quinta-feira, 15 de março de 2012

ratatá

Sair por aí com pressa e a cabeça voando.
Recitando baixinho os velhos versos.
Sem a menor perspectiva e com mil coisas imaginadas.
Acreditando que tudo vai dar certo.

Disse meu guru de banca de jornal que as coisas não vão mudar sozinhas, pois, apesar de eu receber uma boa onda do destino, também vou ter de tomar iniciativas.
Não diga, amado mestre.
Eu quero é substância.
Porque partir para cima sempre foi a minha.

O fato é que ando contando com o incerto.
Tudo bem.

Uma viagem sem rumo.
Uma pessoa.
Um esbarrão.

Hoje olhei no espelho e me (re)conheci.
Por isso estou assim, meio besta.

Gostei do que vi.

Pernas firmes

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Depois de um biênio sem carnaval, fui à forra.
Nada de excesso destrutivo.
Marchinhas, sol, cerveja, confete, ladeira.
Fantasias – uma para cada dia (e pense logo no que está subentendido).
E uma fome sem fim.
Minha festa pagã para expiar anos difíceis, viradas forçadas, experiências que, uma vez findas, não trarão saudades, mas obrigatoriamente, fortalecerão esta sobrevivente.
Lugar comum (como sempre).
Carnaval de gregos, pré-romano.
Culto em agradecimento aos deuses pela fertilidade.
Fertilidade de idéias, de andanças, de trocas, por fazer com que haja escolha.
Agora é seguir com fé.
2012 é para valer.
😉

mensagem subliminar

Aos covardes

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Querido, todos vamos passar desta.
Uns com menos, outros com mais.
Poucos com a cabeça erguida.

Da moça que não quis fazer exame de corpo de delito ao comandante que bateu o navio em uma noite escura e fria, não trabalhou nos resgates e fugiu.
Vamos todos passar.

Ser você é mesmo, lindo, louro e ainda quer ter opinião…
Só se for em filme mudo gravado no leste europeu pouco antes da Segunda Guerra.
Enfrentar fila porque é o certo.
Devolver a carteira perdida.
Ajudar uma velhinha a atravessar a rua.
Pagar todos os impostos – mesmo que eles sejam desviados de seu destino.
Ser uma pessoa boa.

Eu sou uma menina má.
Mas é em outro sentido.

Eu também vou passar.

Macaquitos

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Flores.
A casa cheia de flores coloridas.
Parece que tenho um quintal imaginário de onde tiro pintinhas amarelas, azuis, laranjas e lilazes.
E invento histórias.
Com gentes distantes.
Com coisas pequenas e sutis que mudam todo o enredo.
Apenas com flores.

Borboletas

Malas prontas para mais uma viagem.
Desta vez seguindo as minhas regras:
– sem planejar;
– sem companhia;
– sem compras (tudo feito antecipado e on line);
– com ótimos reencontros marcados.

A viagem marca uma nova fase.
A da Macaca.
A partir de agora, não ouço, não vejo e não falo.
E toco minha nave louca.
É o tal do grau anareta.

Frase do dia?
What is the definition of insanity?
It’s when you do something wrong repeatedly and expect a different result.

Tosca e de blockbuster. Risos.

Vamos falar de poesia?
viver é super difícil
o mais fundo
está sempre na superfície
Leminski

A louca.
A rápida.
A que fala tudo o que pensa (?).
A cheia de expectativas.
A tradutora oficial.
A que cansou da guerra.
A do signo de fogo.
A flecha em direção ao infinito.

Inquietude companheira, vamos mais uma vez.
Em busca do que está além.
Com a fé que, agora, tem algo de João, além de Maria, de Chlóris, de Otto.

pequeninas coisas bonitas

domingo, 21 de novembro de 2010

somewhere I have never travelled, gladly beyond
by E. E. Cummings

somewhere I have never travelled, gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which I cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though I have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, I and
my life will shut very beautifully , suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(I do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands


Quando perdemos o controle – e estou falando de coisas sutis aqui -, quando a história muda e te atropela…
Como deixar de ver poesia nesses ventos fortes?
Porque o que restar, é o que interessa.

E as coisas ganham novas proporções.
Você tem que se adaptar.

Eu estou aproveitando esses dias de “sanatório” na Montanha Mágica para fazer sessões intensivas de autoreflexão.
Olhar para as raízes e entender.
Olhar para frente e imaginar o que pode vir.

Um vendaval do avesso.
Uma redescoberta de pedacinhos de história.
Um gosto pelas coisas pequenas.
Um fiapo de luz na janela.
Um sabiá.

Amigos.
Nem tempo nem vento.
Neste vasto mundo.

Eu também tenho mãos pequenas.
Talvez por isso insista em passos largos.

(Mas desta vez, decidi, vou devagar, vou divagar)

Benzinho, eu ando pirada…

sábado, 21 de março de 2009

Essa semana foi uma praga.
Estou toda torta, com um ovo no ombro, o peso do mundo me puxando para o chão.
Mas quem tem amigos, tem tudo.
E quem tem google, tem o mundo.

Agradeço as indicações enviadas.

E quero compartilhar com todos que buscam a cura.
É só escolher o que mais combina com seu estilo.
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