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Agora é que não são Elas

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Que coisa mais cafona achar que as mulheres agora se mobilizaram.
As mulheres, queridos, sempre estiveram na luta.
“Agora” é marketing masculino para vender revista e papel higiênico.
E, mesmo mobilizadas, e ralando feito malucas, elas continuam neuróticas com a magreza, inseguras com os peitos, desesperadas para agradarem as amigas e para encontrarem um “homem”.
Sempre achei que o paraíso seria nascer de novo na versão 2.0: sapatão.
Tenho repensado: sapatão, não.
O paraíso é nascer do jeitinho que nascemos e surdas.
Surdinhas.
Porque o defeito é ouvir demais a opinião alheia.

Recentemente, não sem dor no coração, fiz uma limpa na minha timeline pessoal.
Tirei gente por quem tinha apreço.
Gente que saiu ferida. E cuspindo marimbondo.

Mas não dá para ter 40 anos e andar na gangue que praticava bullying com 12, né?
Não dá para maltratar todo aquele que não concorda com as suas asneiras…

Ai, 40, venham felizes grudar em mim.
Que delícia ver as veias saltarem na mão.
Ter um bração de Madonna sem bomba – pura natureza.
Perder os peitões – com tristeza – mas olhar os pernões ainda firmes.
Pensar que um botox pode valer a pena antes do fatídico bisturi.
Ralar a semana toda para compensar os biscoitinhos de chocolate do domingo.
Mas não deixar de lado o chopp na casa dos amigos.
A feijuca do sábado.

E saber que 3 kg num fim de semana não vão te deixar mais ou menos feia.
E que, infelizmente, são muita coisa.
E dão trabalho para perder.
Mas você topou o risco.
Agora sua, gata, para tirar os 3 danados de você… rala!

E la nave va.

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There she goes again

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quando eu cheguei, estava escrito que eu não iria me conformar.
Eu andava por aí com um caminhãozinho que tem nariz de palhaço.
No acampamento da escola, fui eleita Miss sei lá o quê.
Desfilei de fio dental e com flores de bougainville no cabelo.
No meio da “passarela”, saí correndo e me atirei de faixa e tudo na piscina.
A turma toda me acompanhou e ferramos com o evento.
Miss Take – here I am.

Larguei a natação e do alto de 1,62m (ou 1,64m dependendo da corcunda), resolvi jogar vôlei e basquete.
Adivinha quem fazia mais pontos no time?
Pulei a janela da escola em Curitiba. A mesma escola onde estudou o Leminski.
O diretor foi convencido a não contar para a minha mãe que eu havia me abrigado no internato masculino.
Haja lábia e cabeça aberta do Irmão Lino.

E veio o vestibular em Belo Horizonte.
Comunicação, “claro”.
Passei na melhor faculdade.
Tudo escrito.
E resolvi só usar roupa preta.
Comprei uma bateria com a grana da bolsa do CNPq.
Fui gentilmente convidada a não completar o período da bolsa.
Imagina que eu levava a minha baqueta para a biblioteca e tirava som de tudo – das mesas, livros, estantes, gaveteiros, ficheiros.
Tudo menos ralar para receber a grana da bolsa.
Eu fui representante da turma, presidente do CEC (D.A. para os íntimos).
E comprei uma briga do caramba: cortei a palhaçada de comprar maconha com o dinheiro público dado para a manutenção de nossa sala.
Não fui popular.
Foda-se.

Escrevi o discurso de formatura (que foi votado democraticamente – pois eu não seria a pessoa escolhida se fosse pelo rostinho bonito – e eu li vestida de Emília do Sítio do Pica-Pau).
Completamente fora de esquadro, iconoclasta, engraçada, mandona, mal-criada, amiga, perdida, avant garde.
Eu simplesmente não me encaixava – encaixo.
Então eu não grilo com a falta de peças, com o encaixe de cubo mágico – você precisa tentar mais de uma vez para acertar a seqüência.
Comigo, pelo menos.

Aí veio o mundo.
Escrevi na Veja.
Trabalhei na Globo.
Pesquisei livro do Jabor.
Conheci muita gente “famosa”.
E a música foi ficando para trás.
Larguei minha câmera fotográfica.
Dei o pé no fotógrafo, no designer.
O cabelo ruivo voltou ao natural.
Troquei as calças Vision por tailleurs.
Cuba por Paris.
Buenos Aires por Nova York.
Comprei casa, carro, fiz filho, descolei cachorro.
E virei gente grande.
Fiquei modesta, adorei um cartão de visitas, aprendi a me enfeiar para ser mais respeitada.
“She’s down on her knees, my friend”

Aí fiz 40.
E dizem que vem uma crise junto com esta idade.
Crise boa do caramba.
O passado veio voltando e cobrando a conta.
O presente foi se transformando.
Comecei a me redescobrir.
Rueira.
Sem vergonha.
Magra? Forte feito o Hulk.
Bonita sem pudor nenhum – não, não sou Giselão, mas sei te enfeitiçar feito nenhuma outra.
Yogini.
Destemida.
Descobri que creio em tudo, não sou atéia.
Descobri a fé.
Descobri que amo ajudar.
Não é dinheiro que me move.
Foda-se.

Descobri que sou um traveco mesmo.
Nasci torta, um hominho de saias.
E uma menininha escondida – às vezes.
Conheci uma penca de gente linda.
Falei tudo o que que me veio à cabeça.
E não parei mais.

Falo, abraço, beijo, ajudo, ajudo, ajudo.
Não durmo.
Não ligo.
Eu escrevo.
E eu descobri que ser feliz é isto.
Vim ao mundo para tomar todas as porradas e transformar.

Sou feliz de fato.

She’s gonna bawl and shout
She’s gonna work it
She’s gonna work it out, bye bye

Velvet Underground

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As coisas (realmente) simples

sexta-feira, 22 de março de 2013

Assim, sem mais

Os tais mais de 30.
Com vinte, eu queria e fazia tudo – mas não tinha a mínima idéia de onde isso iria parar.
Com trinta, festa!
Eu não tinha mais 20.
E continuava com a metralhadora a postos.
Agora, com muuuuuito mais de 30, aponto certeira.
Sei o que não.
Mesmo quando não sei, digo.

As coisas verdadeiramente simples.
No lugar de um posto, de uma cadeira, uma jornada.
Tenho adorado meu trabalho.
Novo, radical, desafiador, maluco.
Meu número.
Vida de caixeiro viajante.
Minha sina.
Tem, claro, um certo glamour, uma certa malícia.
Mas não tem ponto, meninada chata, masturbação de firma – quem comeu quem ou quem se deu bem (desta vez).
O pau, quando quebra, tem cara de Cassino em Mônaco.
O último que sair, gaste umas fichas com scotch para ouvir quem perdeu.

Hoje rua Augusta, segunda no Carlyle com Woody.
Cabelos antes negros e curtos, novamente louros, rebeldes e mais longos.
Cor de cenoura enferrujada.

Abri minha conta nos EUA.
Comprei o que não deveria na Saks.
Vi Liza Minelli ainda em grande forma.

E foi apenas mais uma semana de trabalho.
Quando penso em Dubai, dá vontade de gargalhar.

 

Riscado

domingo, 11 de setembro de 2011

nem tudo é o que parece ser

Eu sei – tudo hoje vai ser sobre um atentado de 10 anos atrás.

Eu acabara de chegar em Cuba para uma temporada e tanto.
Vi e soube de tudo pela internet movida a manivela e pela CNN em espanhol.
De lá, o tempo parado nos anos 50 fez a realidade ser muito diferente.
Não fiquei parada em frente à TV.
Fui correr por laranjais.
Fui pensar em Godard.

Ilha do fim das fantasias.

E o que me interessa hoje é falar dessas coisas que só vemos com auxílio de microscópio.

Você já foi ao cinema para respirar “Riscado”?

A vida da gente.
Com mais baixos do que altos.
Alguns raros momentos de felicidade. Banais.
Um ar de não sermos nada demais.
E bem especiais. Sempre.

Que dia lindo.

É domingo.

Se essa rua, se essa rua…

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Alice não mora mais aqui

Eu mandava limpar a neve, mandava clarear a vista e obrigava todo mundo a dizer “eba, eba” todos os dias.
Mas, como ela não é, deixe a neve cair e o povo correr para cima e para baixo sem ter tempo de ver passarinhos que sabem se esconder do frio e cantar.

Estou empacotando as tais compras feitas pela internet. Se eu disser que tive que colocar tudo numa caixa, você acredita?
Pois para quê complicar? Vou pagar a taxa de excesso e tudo vai dar certo.
Mesmo que eu pareça uma feirante de domingo.

Complicar é uma doença moderna.
Queremos tudo o que é enrolado.
O amor impossível.
O trabalho difícil.
A aparência inexistente.
Morar lá quando se é feliz aqui.
Desistir antes de tentar.
Inovar antes de confirmar se o duvidoso é boa pedida.

Ah, ando numa fase de desencapar fios.
Esse foi um.
Eu insisto em querer economizar em algumas coisas que ficam muito mais bacanas quando pagamos o devido.
Lição aprendida.

Sobre o tempo: eu gosto de frio, mas -7,5oC é tão maluco quanto o calor e a chuva brasileiros.
Deixa eu voltar para casa cheia de badulaques e com a cabeça fervilhando de confete.

Ciao, NYC.