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Ouverture d’une âme meurtrie

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Je pense toujours que le verbe aimer en français est plus dense.
Je pense trop.
Viens avec moi à jouer dans mon abîme.
Profonde, sans fin, dangereux.
Venez rouler dans l’herbe.
Venez lâcher son âme. Votre pulsation cardiaque.
Permettez-moi de vous emmener.
Vous me faites glisser fermement.
Vous me attirent.
Et je suis impuissant.

Où avez-vous été tout ce temps?
Je ne sais toujours pas où je suis.

———–

Cheiro.
Olho.
Tudo dando certo e errado.
Fico me segurando.
E provoco sempre que posso.
Geladinho na barriga.
Nenhuma, nenhuma briga.
(Ainda?)
Tudo para dar errado.
Idade, filho, medo.
Posse.
Posso?
Cansaço.
História.
Memória.
Dúvida.
Certeza.
Fome.
Sede.
Telefone.
Ai, tecnologia, que saco.
Se fosse anos atrás iria ser mais ao vivo e menos na tela de cristal.
Seu número?
Tem certeza…
Eu sei que vai ser dureza.
Moleza.
Pela primeira vez na história, domada.
Saudade.

É muita coisa boa ao mesmo tempo.
Fico guardando os minutos na bolsa para durar mais.

Je ne sais toujours

Je ne sais toujours

There she goes again

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quando eu cheguei, estava escrito que eu não iria me conformar.
Eu andava por aí com um caminhãozinho que tem nariz de palhaço.
No acampamento da escola, fui eleita Miss sei lá o quê.
Desfilei de fio dental e com flores de bougainville no cabelo.
No meio da “passarela”, saí correndo e me atirei de faixa e tudo na piscina.
A turma toda me acompanhou e ferramos com o evento.
Miss Take – here I am.

Larguei a natação e do alto de 1,62m (ou 1,64m dependendo da corcunda), resolvi jogar vôlei e basquete.
Adivinha quem fazia mais pontos no time?
Pulei a janela da escola em Curitiba. A mesma escola onde estudou o Leminski.
O diretor foi convencido a não contar para a minha mãe que eu havia me abrigado no internato masculino.
Haja lábia e cabeça aberta do Irmão Lino.

E veio o vestibular em Belo Horizonte.
Comunicação, “claro”.
Passei na melhor faculdade.
Tudo escrito.
E resolvi só usar roupa preta.
Comprei uma bateria com a grana da bolsa do CNPq.
Fui gentilmente convidada a não completar o período da bolsa.
Imagina que eu levava a minha baqueta para a biblioteca e tirava som de tudo – das mesas, livros, estantes, gaveteiros, ficheiros.
Tudo menos ralar para receber a grana da bolsa.
Eu fui representante da turma, presidente do CEC (D.A. para os íntimos).
E comprei uma briga do caramba: cortei a palhaçada de comprar maconha com o dinheiro público dado para a manutenção de nossa sala.
Não fui popular.
Foda-se.

Escrevi o discurso de formatura (que foi votado democraticamente – pois eu não seria a pessoa escolhida se fosse pelo rostinho bonito – e eu li vestida de Emília do Sítio do Pica-Pau).
Completamente fora de esquadro, iconoclasta, engraçada, mandona, mal-criada, amiga, perdida, avant garde.
Eu simplesmente não me encaixava – encaixo.
Então eu não grilo com a falta de peças, com o encaixe de cubo mágico – você precisa tentar mais de uma vez para acertar a seqüência.
Comigo, pelo menos.

Aí veio o mundo.
Escrevi na Veja.
Trabalhei na Globo.
Pesquisei livro do Jabor.
Conheci muita gente “famosa”.
E a música foi ficando para trás.
Larguei minha câmera fotográfica.
Dei o pé no fotógrafo, no designer.
O cabelo ruivo voltou ao natural.
Troquei as calças Vision por tailleurs.
Cuba por Paris.
Buenos Aires por Nova York.
Comprei casa, carro, fiz filho, descolei cachorro.
E virei gente grande.
Fiquei modesta, adorei um cartão de visitas, aprendi a me enfeiar para ser mais respeitada.
“She’s down on her knees, my friend”

Aí fiz 40.
E dizem que vem uma crise junto com esta idade.
Crise boa do caramba.
O passado veio voltando e cobrando a conta.
O presente foi se transformando.
Comecei a me redescobrir.
Rueira.
Sem vergonha.
Magra? Forte feito o Hulk.
Bonita sem pudor nenhum – não, não sou Giselão, mas sei te enfeitiçar feito nenhuma outra.
Yogini.
Destemida.
Descobri que creio em tudo, não sou atéia.
Descobri a fé.
Descobri que amo ajudar.
Não é dinheiro que me move.
Foda-se.

Descobri que sou um traveco mesmo.
Nasci torta, um hominho de saias.
E uma menininha escondida – às vezes.
Conheci uma penca de gente linda.
Falei tudo o que que me veio à cabeça.
E não parei mais.

Falo, abraço, beijo, ajudo, ajudo, ajudo.
Não durmo.
Não ligo.
Eu escrevo.
E eu descobri que ser feliz é isto.
Vim ao mundo para tomar todas as porradas e transformar.

Sou feliz de fato.

She’s gonna bawl and shout
She’s gonna work it
She’s gonna work it out, bye bye

Velvet Underground

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Maior o que está em mim

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Delícia voltar às origens e ver seu passado te tragando feito areia movediça e cuspindo os ossinhos com um cabelo de Debbie Harry.
O rock voltou.
A bike rolou.
A força está me deixando com braços de menino.
A loucura está rondando a praça.
A gentileza acontece.
A paranóia do escritório sumiu.
A faca e a bota foram para o armário.
Amor para todos os lados.
Na rua, na net, ao telefone, em tudo.
E só não dá tempo de trabalhar.

Trabalho enobrece?
Trabalho é andar dez casinhas para trás, no meu caso.
O tal julgamento de Brodsky.

Trabalho?
Tô ralando, minha nega.
Yoga.
Meditação.
Nos intervalos, faço algum dindim.

E estou considerando seriamente me teletransportar para o Japão.
Era uma vez uma Ana.
Durante anos Ana foi feliz.
Mas ela descobriu que, de ponta cabeça, seria ainda mais do que quis.

Segunda-feira, pode me arrancar cada pedaço de carne.
As unhas vermelhas.
O pêlo.
Me arranha inteira.

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Casa grande, senzala, favela e trilho

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

own...

 

Meu universo parou na favela queimada.
Moradores não foram para o abrigo com medo que outros favelados invadissem seus ínfimos metros quadrados incendiados.
E o hit entre as babás de madame é pingar sonífero nas mamadeiras.
A empregada foi demitida só por que pediu vale refeição – não gostava da comida fresca da madame.
E tudo acaba em novela, um tal de empreguete com patroete que não entendo (nada) bem.
Brasil, sil, sil.
O ex não fala português, e diz coisas loucas, disparatadas.
E é o cara!
Em São Paulo, vence quem tira a uvinha da Mortágua em pleno carnaval.
No Rio, nem tropa de Elite tira o bandido do trono.
Está lá a moça morta por tiro de fuzil dentro do posto de saúde.
Zil, zil, zil.

Porque eu só quero ser feliz, andar tranquilamente…

…Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

E a saudade no meu peito ainda mora (…)

quando pego meu cavalo e encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem.

Agora

sábado, 31 de dezembro de 2011

“For last year’s words belong to last year’s language And next year’s words await another voice. And to make an end is to make a beginning.”
T.S. Eliot

Por que esperar 2012?

Seja pequeno.
Veja o que ninguém percebe justamente porque se está perto do chão.
Ria de si.
Ria dos outros.
Não pense muito no depois.

Seja lugar comum porque tudo o que é diferente – em algum momento – cansa.
Não se dê ao trabalho de lutar contra a essência.

Seja.
Não mude de planos apenas porque o ano é novo.

Seja apenas um pouquinho feliz.
Seja triste também.
Um dia de cada vez.
Intensamente.
E tudo será sempre muito interessante.

Aproveite o hoje.
Porque o amanhã não existe.

Comprei plumas de galinha morta e caí…

domingo, 4 de dezembro de 2011

carnaval, cheguei

No samba, menino.
Eu ando mesmo impoliticamente correta (sic).

Menino, foi assim como que acordar as pernas e esquentar o peito.
Me enchi de lantejoulas e frevi. (sic)
Na praça do Arsenal, com a turma do carnaval de salão, menino pendurado no pescoço e muitas, muitas marchinhas.

Colombinas, negas faceiras, amores perdidos, amores matados, pierrôs…
Cheguei devagar, com samba de mineiro, e saí cantando e dando pulinhos pelo centro antigo.
No coração dessa alemã de farmácia bate uma alma carnavalesca.
O menino, tão pequeno e gordinho, foi a alegria da rua, pulando feito um cabritinho e sem chorar.
Ai…
Em domingo sem ídolo do futebol, só confete e serpentina em minh’alma.

(E um maltado porque não sou de ferro)