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Eu sou verbo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Chō

Chō

Eu sempre fui uma fera.
Tem gente que me acompanha aqui há 6 anos e que já viu.
O lado B.
A saída as 3h da matina para um lugar estranho.
A casa de shows mais iconoclasta de NYc com senha para entrar.
E eu entro.
E eu sou convidada para o segundo andar – onde as coisas estranhas acontecem.
O moço amarrado no banheiro da festa no apartamento gigante em Copacabana, quando duvidou que eu faria bondage. (e eu nunca fiz – mas dei uns nós bem dados – risos. Não fiquei para ver quem soltou o bobo).

Mas o terreno aqui é borderliner.
Tem realidade e mentira.
Ficção.

Na cabeça e no texto, muito mais do que no sexo e no trabalho, vale tudo.
A questão de ser acelerada é o preço.
Então estou descendo a ladeira com mais cuidado.
E muito mais perigosa. Mas doce como nunca.

Meu lado B está virando A.
Finalmente. Que venha a pessoa de verdade.

蝶は私の体に侵入しました。

Capítulo 21 – A doméstica

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Nunca imaginou algo parecido: uma pessoa, em casa, contratada para varrer, lavar, passar as roupas, cozinhar.
Nos livros de ficção científica nunca lera nada parecido.

Desde que chegara, numa manhã chuvosa de abril, eram ele e ela, a doméstica.
Ela chegava cedo e recolhia latas, garrafas, limpava cinzeiros.
Não poucas vezes encontrou roupas espalhadas pela sala.
Todas acabavam no varal com cheiro de lavanda.

Nos primeiros dias, como havia sido pedido, preparou o café.
Ele dormia até mais tarde e passava o dia trancado no quarto.
O café da manhã permanecia na mesa intocado até a volta dela no dia seguinte.
Ela desistiu.
Com medo de alguma reclamação, decidiu deixar algo pronto para que ele comesse quando sentisse fome.
Macarrão a bolonhesa.
Frango com quiabo.
Tudo permanecia como fora deixado.

Aos poucos, ela percebeu que não era preciso fazer muita coisa.
Um pano mal passado.
Uma roupa jogada no varal para que ele tirasse e vestisse como estava.
Nada de comida.

Aos poucos, decidiu só limpar os cinzeiros até que estivessem bem cheios.
As garrafas e latas eram deixadas no hall de serviço – não eram lavadas e nem separadas para reciclagem.
As janelas foram ganhando um ar empoeirado.

Ela então decidiu chegar mais tarde.
E sair mais cedo.
Ele nunca saía do quarto.
Não conhecia seu rosto.

A casa passou a ter um cheiro forte de nicotina.
Os panos, antes brancos e imaculados, foram se rasgando, ganhando marcas de cigarro.
Não havia mais comida na despensa.
Nada na geladeira.
Nem água.
Quando ela aparecia, fazia barulho para que ele ouvisse.
Reclamava da sujeira.
Perguntava alto se havia dado festas.

Nada.
O quarto, trancado.
Barulhinhos de dedos no teclado.

Um dia, ela recusou-se a recolher as roupas que haviam sido deixadas pelo chão.
Revoltou-se.
Abandonou a chave na porta, que ficou aberta.
Decidiu exigir seus direitos no sindicato.

Nunca mais voltou.

Capítulo Quatorze e meio

segunda-feira, 7 de maio de 2012

so so

Começou com um espumante barato no hotel – tudo bem, qualquer coisa servia.
Mais tarde, um casal perguntou se os assentos estavam livres.
Meia-idade, sem filhos.
Outro casal se sentou ao lado deles.
Chamaram uma dupla de amigos.
Os copos não ficaram vazios.
As histórias virando tranças.
Ela, no Rio.
Ele, Florianópolis.
Com uma filha de nove anos.
Sem filhos.
Mudar de vida.
Segundo casamento.
Uisque.
A seleção de futebol alta de maconha em plena Jamaica nos anos 80.
Teve aquela da festa na Locanda della Mimosa.
De repente, todos no salão.
New York, New York.
De lá até chegar ao Rap das Armas foram camisas amassadas, alguns cacos de vidro no chão.
Aquele casal de gringos não saiu da pista.
MC Hammer.
Docinhos caseiros.
Café.
Remédio para proteger o estômago.
Meu Louboutin fico preso no pier.
Lá se foram 800 dólares.
Espumante.
Uma lua absurda.
No dia seguinte, todos muito comportados na areia.
Abraços protocolares no aeroporto.
Como se o mundo não existisse fora do salão.
Florianópolis.
Rio.
Nova York.
São Paulo.

Contos natalinos

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

cartão de boas festas

Nunca antes na história desse país, li tantos textos de gente pedindo para um ano ir logo embora.

Meu avô completa 90 no mês que vem.
Há dez anos recebeu uma proposta milionária para vender a casa.
Coisa de seriado de TV, dinheiro do Tio Patinhas.
E o que você faz com vários milhões depois dos 80?
Viagens, mulheres, carros?
Ou um seriado italiano com filhos brigando pela herança e ansiando pela morte dos pais?

Pois então, 2010, eu acho que você perdeu a hora.
Se tivesse saído na alta, seria inesquecível.
2010 seria como aquele beijo roubado na festa da firma.
Você não queria, se sentiu prejudicada, mas, no fim, pensou: tô podendo.

Bom marketing para 2011 que já chega com a popularidade na casa dos 60%.
O difícil é sustentar os números no período de pós-carnaval…

Eu, aqui, no ano da bruxa, ainda desafiando as convenções.
Não vou passar Natal e Reveillon em festa.
Vai ser inesquecível.
Por que depois de anos de muita rabanada, overdose de família e todo esse pacote natalino, não fazer nada de especial vai ser um estouro.
Convidei 2011 para um pré-party.
Afinal, eu acho que tenho uma certa experiência nessa coisa de ano que dá certo (ou errado).

Cheers!