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Riscado

domingo, 11 de setembro de 2011

nem tudo é o que parece ser

Eu sei – tudo hoje vai ser sobre um atentado de 10 anos atrás.

Eu acabara de chegar em Cuba para uma temporada e tanto.
Vi e soube de tudo pela internet movida a manivela e pela CNN em espanhol.
De lá, o tempo parado nos anos 50 fez a realidade ser muito diferente.
Não fiquei parada em frente à TV.
Fui correr por laranjais.
Fui pensar em Godard.

Ilha do fim das fantasias.

E o que me interessa hoje é falar dessas coisas que só vemos com auxílio de microscópio.

Você já foi ao cinema para respirar “Riscado”?

A vida da gente.
Com mais baixos do que altos.
Alguns raros momentos de felicidade. Banais.
Um ar de não sermos nada demais.
E bem especiais. Sempre.

Que dia lindo.

É domingo.

Joana

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Take 1

Queriam-me casado, fútil quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?

(…)

Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havermos de ir juntos?”

Lisboa revisitada, Álvaro? Ou seria Jåµë§?
Les oeuvres poétiques d’Arthur Rimbaud? Ou de M. Langone?
Quem tem medo do incentivo aos loucos?

Em tempos de México batendo galinhos de briguinha franceses… Onde está a virilidade?
Onde?
As mulheres perderam a ternura. Os homens, a bravura.

Por isso avanço sem medo (e com pavor) para onde quer eu vá.
Perdi a ternura, acho El Che de uma patetice total.
Se eu fosse ditador, mataria a todos de fome. E comeria pipocas cobertas de chocolate. Mas guardaria um eunuco para trocar a lâmpada. Há que ser previdente.

Foto da foto - take 1

Amigos, estou em processo de rasgar a carne na análise.
Avó, mãe, igreja, família, sexo, pai, trabalho, homens, viagens, mundo, bicicleta, poesia – abriram a terra e mergulhei como se fosse uma piscina.
O que eu gosto mais é de ver o velhinho resolver décadas com um lápis e papel.
Todo mundo faz tudo errado na infância e você gasta seus cobres no analista para confirmar isso.
Ai que maravilha seria se eu fosse rica.
Estudaria, comeria pipoca coberta de chocolate e faria análise.
E seria Fidel, Chavez, Kim Jong-il, e tudo o de pior que há. Eliana, Xuxa, Valeria Mazza e Susana Gimenez.
Iria de negro ao jantar branco do Louvre – como fui a tantos reveillons.

Iria branca e nua aos enterros.
O lugar onde você descobre que daqui não escapará.

Colocaria toda a culpa no técnico.
Preciso urgentemente ganhar na loteria.
Ou voltar a minha posição de zagueiro.

Les hommes veulent tout.
Une femme silencieuse.
Et un écran de télévision.

Le mâle a perdu.


O nome dela é Caster Semenya

quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Responda rápido: qual das moçoilas parece homem?

Responda rápido: qual das moçoilas parece homem?

A sul-africana arrebentou nos 800m. Chegou 2s45 à frente da segunda colocada nesta corrida.
E tem só 18 anos.
Diferente, foi acusada de ser… Homem.
Nenhuma adversária foi cumprimentá-la depois da prova. Recebeu um único abraço: o da bandeira sul-africana.

A polêmica já começou nas eliminatórias. A queniana Jepkosgei liderava uma bateria quando foi tocada por Caster Semenya na última curva. A queniana sofreu uma queda e foi eliminada. Conseguiu no tapetão participar da final. Para perder – sem tombo.

Ser diferente.
Não ser mignon. Não ter o nariz da fada sininho. Não ter a pele alva.
Não fazer biquinho para falar.
Não ter os cabelos lisos e sedosos e louros e brilhantes.
Não comer pouco.
Falar palavrão.
E, além de tudo, ser a melhor do mundo.
Aí ferrou.
Ser diferente, negra e boa para caramba?
Só sendo homem.

No meu caso. Não consegui ser a melhor do mundo. Em nada. Risos.

Voltamos a minha última obsessão
(gosto da tradução do Houaiss – ■ substantivo feminino
1 Diacronismo: antigo. suposta apresentação repetida do demônio ao espírito)

Madonna.

Onde Sean, Carlos e Guy erraram? Onde Jesus acertou?

E voltamos às diferenças. Se uma diferença pesa muito, ela separa? Ou o momento atenua?
E, de fato, existem semelhanças?
Eu não tenho a menor vergonha de dizer: tenho pavor de encontrar meu clone.
Imagine alguém como eu. Seria um horror, um inferno.
Mas meu oposto também é um pesadelo.

Em 2002, voltei ao Brasil com uma sensação muito nova no peito.
Queria fugir. Para algum lugar. Para fora do planeta.
É sério.
Depois de uma longa temporada na ilha de Fidel, vendo gente pobre e instruída sofrer de falta de liberdade, os Estados Unidos se preparavam para invadir o Iraque. E invadiram no dia do meu aniversário: 19/03/2003.
As Torres ainda ardiam nos olhos de Bush. E o petróleo corria em suas veias.
Hoje, abro o jornal: 95 mortos no Iraque. Medo de votar no Afeganistão – moradores temem ataques dos Talebans. No Rio, duas inglesas condenadas por dar o golpe da mala roubada (para receber o seguro). Na política, ex-presidente escapa de acusações pesadíssimas. No barato, o cara usou (muito) dinheiro público em benefício próprio. No esporte, campeã da corrida é suspeita de ser homem.

Quando é que os caras começam a vender passagem para Marte? Eles aceitam vale-transporte? O carro como entrada?

Che e outras elucubrações

domingo, 5 de abril de 2009

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Ontem fomos ver o filme estrelado por Benício del Toro.
Foi bom ouvir o sotaque cubano mais uma vez. Nem todos os atores conseguiram fazer.
Rodrigo Santoro, que vive Raul Castro, bem que tentou.
Mas deu umas derrapadas no espanhol que são passáveis.
Benício Del Toro está grande.
E me parece que o filme foi rodado na terra dele, em Porto Rico.
Mas os cenários são Cuba, Cuba, Cuba.
E nada mudou.
Isso é assombroso.
Os cubanos vivem num universo congelado.
Os meninos que pedem para fazer parte do grupo dos guerrilheiros se vestem como parte da juventude cubana se veste hoje.
E eu, que desci de paraquedas na ilha, fiquei o tempo todo pensando: deu no que deu.
E, paradoxalmente, senti saudades da ilha.
Quando morei em Cuba, tinha 27 anos.
Tinha dúvidas – e ainda tenho.
Tinha uma ousadia de largar o certo pelo incerto – e isso ainda passa.
Talvez seja eu.
Numa auto-sabotagem ou numa rebeldia genuína.
Tinha quilos a menos (!)
Tinha cabelo curto e uma vontade grande de fazer cinema.
E não gostava da esquerda.
Saí da ilha com ódio a Fidel – mais do que quando entrei.
Com pena e raiva dos cubanos – afinal, são corrompidos, perderam a pureza.
E com a certeza que o neoliberalismo é a única saída.
Prefiro morrer no caos, no olho por olho.
Do que amarrada a um regime que se pretende igualitário.
Que sofrimento maior pode ter um povo.
Que receber educação e instrução.
E viver preso numa gaiola?
Sou mais a ignorância.
Porque o buraco ainda é buraco.
Abaixo, algumas fotos de Cuba entre 2001 e 2002.

Minha estréia na direção - numa piscina olímpica vazia

Minha estréia na direção - numa piscina olímpica vazia

Dirigindo os atores com uma amiga de El Salvador, Maura

Dirigindo os atores com uma amiga de El Salvador, Maura


Fábrica abandonada pela família Baccardi

Fábrica abandonada pela família Baccardi


Dirigindo o 2 filme

Dirigindo o 2 filme


Com a família que me emprestou a casa

Com a família que me emprestou a casa


Em Baracoa com roupa típica

Em Baracoa com roupa típica


Moderna fábrica de roupas

Moderna fábrica de roupas


No set, montada

No set, montada


Como atriz, usando roupas de Morango e Chocolate

Como atriz, usando roupas de Morango e Chocolate


Com o diretor, Terence Piard, e uma arma de verdade

Com o diretor, Terence Piard, e uma arma de verdade


Uma venda, típica em Cuba

Uma venda, típica em Cuba


havanavieja
Como cubanos vigiam cubanos

Como cubanos vigiam cubanos


Carona em carro de boi

Carona em carro de boi


Granjita Siboney - para onde Fidel fugiu e quase dançou

Granjita Siboney - para onde Fidel fugiu e quase dançou


Papo en Passa Caballo

Papo en Passa Caballo