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Dupla

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Em você nada mais me interessa.
O pelo, a pele, o medo.
A única coisa que ainda me aguça.
O que molha.
É tudo o que você esconde.

Seu lado B.
Seu objetivo frouxo.
Seu texto cafajeste.
Com sua pose de bom moço.

De noite eu fantasio
A hora em que você
Vai conhecer o meu lado A

E aí, meu bem, vai ser tarde demais.

AAAAAbbbbbbbb

Ma petite étoile a trouvé son grand amour

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lindinha, frágil, delicada.
Não consigo ficar triste.

A história de Bibi e Mafalda é muito linda.
Bibi, mineiro bobo, começou a reclamar muito quando mudei para Fortaleza.
Eu viajava 3, 4, 5 dias e o deixava sozinho no apartamento.
Minha mãe postiça, Dulce, passava em casa para saber se estava tudo bem.
Bibi reclamava e se escondia.
Quando eu voltava das mil viagens, Bibi gritava, reclamava – com toda a razão.

Um dia, vi um bebê cinza apanhando com vara de marmelo no centro de Fortaleza.
Fiquei de olho.
Quando o pequeno deu sopa, peguei rápido e o coloquei dentro de uma caixa de sapato.
O bichinho arranhou, gritou, fez tudo.
Era Mafalda (que eu achei que fosse macho) – um sequestro relâmpago que durou 12 anos.

Bibi se apaixonou e não se cansou de lamber, de cuidar da Mafaldinha.
O nome é em homenagem à famosa personagem de Quino.
Uma criança perspicaz, meio amarga, com excesso de realidade.

Bibi e Mafalda formavam um casal muito harmonioso.
Sempre juntos – até na terrível hora do banho: um ficava paradinho, solidário, miando embaixo do tanque, esperando pelo companheiro ser esfregado, molhado, perfumado. Arght!

Com a morte do Bibi, Mafalda adoeceu.
Uma feridinha no rabo virou feridão.
Uma bobagem virou uma gata sem rabo.
Nos últimos dias, ela desistiu.
Sem comer, sem andar.
Deitadinha.
Só miava baixinho quando eu fazia carinho.
Hoje, às 18h, deu um suspirinho e foi se encontrar com o Bibi.

O amor, sem dúvida, é forte.
Eu fico emocionada.
Não é tristeza.
É assombro mesmo.

Bibi e Mafalda, um amor de verdade.

Não desisti de ser piegas

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Eu adoro ver menino novo beijando na rua.
Sabe aquele fogo sem lugar e sem noção?
Não, não estou falando de prosa sexual.
Estou falando daqueles encontros em que você só quer ficar perto.
E que, sem pensar, rouba um beijo no asfalto.
Tem coisa mais pura, mais linda e mágica do que um amor novo?
Ver passarinho verde, escrever carta em plena era do email. Flor trazida de surpresa. Livro, chocolate, vela, banho de espuma. Planos, viagens, café da manhã.
Não fazer nada de especial e ter o melhor dia do ano.

Eu tenho a sorte de ter encontrado pessoas muito bacanas no meu caminho.
E de ter sabido – enquanto o filme passava – que os momentos eram especiais.
Mesmo não sendo eternos.

Hoje, presa na torre da Rua Madalena, joguei as tranças imaginárias.
Lá embaixo, na rua, um casal adolescente arrancava flores do meu jardim.
Ele colocava as flores no cabelo dela.
Ela ria, envergonhada.
Algumas vezes, ele beijou as pontas dos dedos brancos e finos da namorada.

A chuva quente de verão caiu e eles se esconderam sob a marquise.
Depois sairam molhados, felizes e de mãos dadas.

Daqui do alto da torre, ganhei meu dia.
É impossível não ser feliz pelo amor de outrem.

Nunca estamos contentes onde estamos.

De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

“O Encontro Marcado” de Fernando Sabino

Meu mundo que você não vê

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tempestade

Quando o pobre suicida chega às vias de fato.
A turba, em coro:
– Covarde.

Quando a famosa atriz afirma em importante entrevista:
– Matei, dei, traí, roubei.
Nos salões, madames desdenham:
– Atriz.

Quando a vida pesa e você não tem saída.
Pelos corredores, sussurros:
– Fracassado.

Quando a fé é cega e o passado, dourado.
Um flit paralisante qualquer
Te aprisiona ao ontem e te impede de ver o hoje.

Quando a carne é fraca e o andor, de barro.
Deus chega ao sexto dia.

Ao contemplar a criatura, profetiza:

– Coragem.

Meu mundo que você não vê
existe mesmo assim.