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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Bruno, o goleiro anti-herói desmaiou mais uma vez.
Com ele, é tiro (?) e queda: é entrar numa audiência que o grandão tem peripaques.
Hoje, deu show: foram publicadas fotos de todos os ângulos. Até das canelas machucadas.
Eu fico obrigada a fazer o comentário lugar-comum: será que, na hora de meter pílulas abortivas goela abaixo de uma moça com quem ele tinha um relacionamento, ele desmaiou?
E quando a turma dele bateu nessa mesma moça que carregava um filho na barriga?
E, se ele mandou mesmo matar mãe e filho, ele desmaiou ao dar a ordem?

Zapeando pela internet, caí num vídeo do Pânico.
Num evento há cinco anos, o insuportável menino vesgo faz piadinhas infames com o atual candidato derrotado, Netinho.
Netinho, sorridente para as câmeras, é subitamente abduzido por um bicho-papão.
Faz um olhar de louco e desfere um soco na nuca do comediante.
Depois, puxa o moço pelo colarinho e faz ameaças.
É impossível não cair em outro comentário lugar-comum.
O que não devem ter passado as duas moças que comprovadamente apanharam desse rapaz?
Alto, corpulento e com olhar e atitudes de psicopata.
Hoje, cinco anos depois, o menino vesgo vai atrás de seu algoz e ele, o que não surpreende, o trata muito bem, com doçura até.
Afinal, era momento de campanha eleitoral.

Como tenho formação de jornalista, reconheço que convivi com seres absurdos em grande parte de minha vida profissional.
E grande parte das bizarrices que vi se passavam dentro de redações.
Já ouvi muitos gritos e poucos sussurros.
Fechamento de jornal, para muitos, é metáfora de gente alterada.
Para mim, a tensão e a pressão de um fechamento nunca justificaram grosseria ou descontrole.

Gritar?
O grito é uma manifestação de animal.

Tenho um grande amigo que se diverte com o que ele chama de “momento alto” da análise.
O grito primal.
Manifestação violenta, sob a forma de grito (com ou sem palavras, acompanhado ou não de gestos bruscos ou comportamento histérico), de emoções e afetos reprimidos por ocasião de um acontecimento traumático que é revivido durante uma psicoterapia

O grito, o desmaio, o show.

Em 1988, Zuenir Ventura escreveu um texto interessante sobre Cazuza em que cita uma consideração muito atual de um psicanalista:

Na sua teoria sobre a nossa dissolução social – exposta por José Castello no Idéias de 21-5-88 – o psicanalista consegue avistar um país sendo cavalgado por quatro apocalípticos cavaleiros: o cinismo, a delinqüência, a violência e o narcisismo. Essa combinação forma uma cultura da descrença. “No lugar da indignação”, diz Jurandir, “produziu-se um discurso desmoralizante”. (http://literal.terra.com.br/zuenir_ventura/por_ele_mesmo/artigos/05um_grito_contra_a_razao_cinica.shtml?porelemesmo)

Em tempos de histeria coletiva com a política e em país em que goleiro de time campeão é assassino e músico-apresentador de TV vira espancador de mulher, será a hora do grito?
Sabe quando uma boa história está chegando ao fim?
Você olha para trás e pensa qual foi o ponto de virada que levou tudo o que havia de bom para o buraco.
Em que momento você perdeu o fio da meada?

Eu aprendi que a crítica serve para aliviar as tensões de nossa vida dura.
E, sempre que posso, uso um remédio medicinal: firmeza combinada com gentileza.
Marina “venceu” porque usou esta poderosa arma.

E nós?
Acabaremos num grito?

Panen et circenses

domingo, 6 de dezembro de 2009
gatooulebre

Flagrante de um país

Um  país de cordeiros colonizados.
Nos sites, jornais, nas redes sociais (Facebook e twitter, principalmente), a macacada só fala em futebol.
Em Flamengo, em Grêmio, em Internacional.

Na sexta, um estudante universitário foi baleado quase dentro da PUC, no Rio. Menino do interior, morava numa pensão. Está num hospital público.
Em São Paulo, um diretor e autor de teatro tomou 3 tiros na Praça Roosevelt.
Paranaense radical – e como me identifico com esses loucos que enfrentam ladrões (eu já tenho dois embates com bandidos armados no meu CV) -, também está em estado grave, internado num hospital público.

Sabe o que mais me choca: domingo é dia de futebol.
Pão e circo para quem não topa ver as cores da realidade.

Dois brasileiros sem grana para o hospital particular.
Dois brasileiros como eu e você.

Nos jornais, especialistas parabenizam Belo Horizonte por disponibilizar um site que mostra o local de assassinatos na cidade. É um google maps da morte – para que a população saiba onde mora o perigo e para que fique de olho nos policiamento.

Mas o assunto é Flamengo, cerveja, Maracanã.
Corrupção em Brasília já virou o cachorro correndo atrás do rabo.
Arruda agora é piada.

Logo mais, às 21horas, vou pegar um metrô.
Vou deixar meu carro na garagem.
E vou me arriscar com a câmera de mil dólares.
Vou me reunir aos poucos brasileiros vivos, no 158 da Praça Roosevelt.
A turba de zumbis vai andar por aí com a camisa do time. E depois vai tomar cerveja belga.

Não sou petista, não sou de esquerda.
Moro em bairro nobre de São Paulo, em casa própria.
Tenho carro importado.
Viajo para o exterior.
Tenho bolsa da moda.
Gasto uma nota no salão.
Falo e escrevo em 4 línguas.
E pago do bolso por cada um desses luxos.
Não tenho pai rico – pelo contrário.
E nem conto com herança da família.

Nunca fui a um espetáculo sequer na Praça Roosevelt.
Mas estou preocupada.
Não quero pão nem circo.
Quero ganhar mais e ter certeza de que não serei, pela terceira vez, abordada por um bandido armado e acabar tudo em pizza.

Se fóssemos sérios, não iríamos ao Maracanã.
Mas somos poucos a remar contra a maré de sacanagens que tomou conta do Brasil.
É uma pena. Mas é o que é.

Sobre o programa de hoje à noite:

“Vamos nos reunir para mostrar o quanto queremos que nosso amigo se recupere completamente. Chamamos os amigos, artistas, público, freqüentadores da praça, vizinhos, jornalistas e todos os que se dispõe a enfrentar a violência para vir a este encontro”

http://parlapablog.blogspot.com/

No Brasil como os romanos

Na Roma antiga, a escravidão na zona rural fez com que vários camponeses perdessem o emprego e migrassem para a cidade. O crescimento urbano acabou gerando problemas sociais e o imperador, com medo que a população se revoltasse com a falta de emprego e exigisse melhores condições de vida, acabou criando a política “panem et circenses”, a política do pão e circo.

O método era muito simples: todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios (o Coliseu era o mais famoso deles). Durante os eventos, eram distribuídos alimentos.

Ao mesmo tempo em que a população se distraia e se alimentava também se esquecia dos problemas e não pensava em rebeliões. Foram feitas tantas festas para manter a população sob controle que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.

No ano que vem, teremos 11 feriados nacionais.

E a Constituição garante outras dezenas:

LEI Nº 9.093, DE 12 DE SETEMBRO DE 1995

Dispõe sobre feriados

(Alterada pela LEI Nº 9.335/96, já inserida no texto)

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA – Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º São feriados civis:

I – os declarados em lei federal;

II – a data magna do Estado fixada em lei estadual.

III – os dias do início e do término do ano do centenário de fundação do Município, fixados em lei municipal.(inserido pela Lei Nº 9.335, de 10 de dezembro de 1996)

III – os dias do início e do término do ano do centenário de fundação do Município, fixados em lei municipal.”

Art. 2º São feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local e em número não superior a quatro, neste incluída a Sexta-Feira da Paixão.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.