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Os impossíveis

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Traje esporte fino para um trabalho de respeito

Nos jornais, uma polêmica.
Um publicitário-empresário usou espaço caro de uma coluna para fazer anúncio: precisa de cozinheira.
O colunista de política, indignado, criticou.
Segundo ele, o homem teceu loas à modernidade, mas ainda procura uma doméstica, profissão de país atrasado em pleno século passado.
A colunista vetusta, que já fez das suas nos anos 60 e 70, criticou os dois.
Doméstica assim como advogado ou médico é questão de vocação, defendeu.

Hoje fazemos muitas coisas ao mesmo tempo e, claro, não fazemos nada direito.
Tendo um pouco mais em caixa, terceirizamos – chique mesmo é outsourcing.
E eu aqui, exilada no trópico, vendo os braçais ralarem peles e pêlos por quase nada ainda fico de filosofia furada.
Abusada. Alienada. Absurda. Abnegada.

Ah, Deus do mundo moderno, fazei com que tenhamos um olho só e apontado para o umbigo.
Se o homem quer empregada, que queira e tenha.
Se empregada está em falta, que falte e acabe.
Se doméstica é profissão, que trabalhe e ganhe bem.
E ponto.

O que eu acho que deveria ser de direito – e nenhum partido me defende:
Viagem para lugares distantes.
Pausa todo ano por um longo tempo.
Poesia furada e poesia boa.
Prato de mil cousas.

Versão rural do meu escolhido do dia

Um bom copo.
Frutas carnudas e bem doces.
Uma casa com brisa do mar.
E uma senhora discussão.
Sem essa estória de empregada ou funcionária do lar.
Ou a gritaria de ocupe Wall Street.
Uma briga daquelas por mulher casada.
E sangue quente manchando um bom terno panamá.

Enquanto nada dá em nada, minha receita do dia, tem cheiro de baixo Gávea, de roupa cor de neon.

Meia de Seda
– 1/3 gin
– 1/3 creme de leite
– 1/3 licor de cacau
– 1 colher de sopa de açúcar (para as mocinhas)
– canela ou chocolate em pó para pulverizar.

Sobre o texto de Fernanda

sábado, 5 de fevereiro de 2011

“Ah… minha querida, eu tenho medo é dessa simbiose da gente…
com você quis mais que um casamento… eu quis tocar uma verdade”

Eu sei que vou te amar

Desde que virou colunista da Folha, não perco um texto da Fernanda Torres.
Da atriz, gosto da voluptuosa de “Eu sei que vou te amar” – e já falei com Jabor que ele nos deu o melhor da atriz cedo demais.
Engraçado que, na semana da morte de Maria Schneider, faz pensar como cada uma viveu a vida depois de um sucesso tão grande e tão verdes.
Fernanda tinha 20. Maria, 19.
Fernanda emagreceu, caiu no besteirol, casou e não te convidou.
Maria pirou, caiu mil vezes e nunca mais se levantou.
Morreu.

Bom, hoje li a Folha e pulei a coluna da atriz.
Puro descuido.
E no Facebook, o Marcelo Tas fez o que faz de melhor: puxa o saco de quem interessa.
No caso, da Fernanda.
Fiquei curiosa e li a coluna esquecida.

O texto é negro.
Fernanda caiu.
Fim de ano pesado. Mortes, dores, doenças, problemas na família.
A psquiatra receitou um Rivotril.
Ela não se deu bem.
E consultou o mar de Fernando de Noronha.
Ouviu os outros também:

“Finja! Crie um personagem e finja ser ele”, me disse Domingos Oliveira. “Quem enfrenta a realidade enlouquece, a única saída para a sanidade é uma dose de alienação. A arte é a única saída possível.”

(in Folha de S.Paulo, 05/02/2011, Rivotril – por Fernanda Torres)

Achei tudo muito irônico pois tenho visto o número de gente que acessa meu blog subir e o número de comentários diminuir.Vovó sempre fala: Ri e o mundo rirá contingo. Chore e chorarás sozinha.

Pois meus textos andam numa pretura de betume.
Fazer o quê?
Cansei de ser palhaça.
Quando eu ando feliz da vida, a veia cômica vem forte.
Quando eu estou gente grande, fico preta.
Pode-se dizer que é uma modalidade de racismo literário.
E poucos têm a coragem de se auto-revelar assim.

Há quem me pergunte se os mais próximos lêem meus textos.
Alguns não lêem declaradamente.
Preferem fingir que me conhecem na vida “real”.
Isso, sim, diverte.

Olha, hoje o sábado amanheceu lindo.
Digo com certeza por que vi o sol chegar às 6h15.
Sim, o sol nessa época fica preguiçoso.
Aproveite seu dia.
E se for assinante da Folha, não deixe de ler: Rivotril.

Bicudos do mundo, debatei!

domingo, 14 de novembro de 2010

Duas criaturas controversas.
Um ringue literário com egos descomunais.

De um lado, o ex-auxiliar do colunista social Ibrahim Sued, ex-chefão-adjunto da Veja, dos tempos em que a revista era mais rica e que publicava coisas (como sempre) non sense como a invenção do Boimate – um hamburguer transgênico que já viria com catchup”.
Leia um trecho:

“Num ousado avanço da biologia molecular, dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais com células vegetais – as de um tomateiro com as de um boi. Deu certo.”
27 de abril de 1983 — Depois de ouvir cientistas brasileiros respeitados, VEJA publicou uma reportagem a partir de uma brincadeira de 1º de abril da revista New Scientist. Detalhe, quem fez a matéria inacreditável foi o atual chefe de Veja.

(Extraído da versão on line da revista)

De outro lado, o ex-Excelentíssimo Ministro do Supremo (deixou a cadeira este ano), Gilmar Mendes.
O nada saudoso jurista esteve envolvido no caso de Daniel Dantas, pois mandou soltá-lo.
Também foi contra o projeto de lei Ficha Limpa.
E mostrou toda sua performance abril de 2009 numa discussão com o ministro Joaquim Barbosa.
O ministro Barbosa queria analisar uma decisão do STF e Mendes afirmou que o assunto já estava encerrado, tendo sido tratado em outra sessão, à qual Barbosa faltara e que ele, Barbosa, julgava de acordo com a classe social dos envolvidos.
Barbosa afirmou: “Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro.” E continuou: “Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”.

Pois leiam trechos do texto assinado por Mendes na Folha hoje contra o colunista deste mesmo jornal, Elio Gaspari:

“Admirador da ditadura brasileira e macaqueador dos americanos, Elio Gaspari gosta muito de comparar modos e feitos da Suprema Corte com o nosso Supremo Tribunal…
… Se, por teimosia, despreparo ou autoindulgência, o jornalista persistir em traçar paralelos entre instituições ou culturas tão díspares, deveria -a exigir-se um mínimo de honestidade intelectual…
…na pressa em escancarar a notória americanofilia, Gaspari prefere incorrer em distorções grotescas, na já bem conhecida avidez de apontar, à patuleia, as falhas de Pindorama, para usar o corrosivo jargão do jornalista.
…Esses e outros aspectos importantes passam batido na visão imediatista e popularesca de gente como Gaspari, mais preocupada em criticar do que em compreender a realidade brasileira.”

Eu tenho que dizer que, como jornalista, acho muito divertida essa modalidade de boxe.
E que venha o próximo assalto! (a palavra é boa porque tem duplo sentido)


A matilha ladra ou liberdade de expressão de butique

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mario versus Maria?

Depois do Nobel de Llosa, o assunto nos meios digitais foi a demissão de Maria Rita Kehl do Estadão.
Engraçado essas histórias se entrelaçarem no mesmo dia…

*o*o*o*o*

Llosa é um profissional da escrita que sempre se mostrou ativo no terreno político.
Em sua juventude, foi um defensor do marxismo.
Cedo, ele se desencantou com o regime cubano e passou a denunciá-lo.
Nos anos 90, lançou-se candidato à presidência do Peru com uma plataforma que defendia um agressivo plano de privatizações e o mercado livre neoliberal.
Foi derrotado (de virada) pelo atual presidiário Alberto Fujimori.
Desgostoso, o escritor se mandou para a Europa.
Mais recentemente, Vargas Llosa passou a bater em Lula e em Chávez.
Em 2009, ele recusou um convite para participar do programa televisivo “Alô presidente” pois Chávez não topou fazer um debate direto com ele.

*o*o*o*o*

A despeito (ou por causa também de?) da gritaria dos jornalistas, Maria Rita Kehl ganhou um bilhetinho azul do Estadão.
Doutora em psicanálise, ensaísta e poeta, Maria Rita Kehl escreve na imprensa desde 1974.
Ela não é marinheira nova e conhece as regras do jogo.
No sábado passado, o Estadão publicou uma crônica em que ela elogia a atitude do jornal que havia anunciado seu apoio à Serra e desce a ripa nos que criticam o governo assistencialista de Lula e que menosprezam as massas que se beneficiam dessa política.
Falar de corda em casa de enforcado…
Para mim, ela arriscou as fichas e perdeu o jogo.

*o*o*o*o*

Eu sempre achei engraçada uma opinião corrente que defende a imprensa como o único bastião da democracia.
Ué? Jornal não é empresa privada?
Toda empresa privada defende interesses particulares, os de seus proprietários.
De instrumento de debate e pluralismo ideológico e político até meados do século XIX, a imprensa foi assumindo o papel de porta-voz dos interesses monopolistas dominantes.
Para Gramsci, os maiores veículos de comunicação assumiram “o lugar de intelectuais orgânicos da burguesia, no quadro da luta de classes, encarregando-se de assegurar a hegemonia ideológica desejada pelos patrões.”

Se o Estadão defendeu publicamente a candidatura do Serra, não é por altruísmo, é por estratégia política, comercial, etc.
E aí que não faz o menor sentido manter uma colunista que vai contra seus próprios interesses.

*o*o*o*o*

Pelo que acompanhei, tudo começou com o jornalista da Folha, o Xico Sá, fazendo pressão, via twitter: ele anunciou o desconforto do Estadão com o texto da colunista.
Ele “gritou” em um meio particular, não falou em nome da Folha de São Paulo, sua empregadora.
Em seguida, outros gritaram também.
Que absurdo, onde está a liberdade de opinião e todas essas bobagens chamadas de corporativismo (defesa exclusiva dos próprios interesses profissionais por parte de uma categoria funcional).
Ora, tudo muito válido.

*o*o*o*o*

Pero…
Se você quer tirar os urubus da Bienal, recomendo que faça-o pelos meios legais.
Porque se você tentar tirar os bichos de lá será preso por crime ambiental.
E se pixar a obra ou o edifício da Bienal, também responderá a processo por vandalismo.

*o*o*o*o*

Quer falar mal do padeiro?
Não recomendo que o faça na padaria.
E, se decidir fazê-lo, prepare-se para comer pão duro.

Censura haveria se o jornal não tivesse publicado a tal crônica.
Censura do jornal – uma decisão privada que não é fora da lei.
O jornal escolheu publicar.
E, ao acompanhar a gritaria –  em especial a dos jornalistas -, o Estadão decidiu demitir a colunista.
Fica aqui uma questão: seria a turma da gritaria cúmplice desta demissão?
Afinal,  o caso e a crônica foram usados para bater no jornal.
E o jornal, bateu em quem fez a crônica.
Efeito colateral?

*o*o*o*o*

E o que diz a Lei de Imprensa?

CAPÍTULO I DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E DA INFORMAÇÃO

Art. 1o É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.

§ 1o Não será tolerada a propaganda de guerra, de processos de subversão da ordem política e social ou de preconceitos de raça ou classe.

Art. 4o Caberá exclusivamente a brasileiros natos a responsabilidade e a orientação intelectual e administrativa dos serviços de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevistas, transmitidos pelas empresas de radiodifusão.


CAPÍTULO III DOS ABUSOS NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E INFORMAÇÃO

Art. 16. Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados que provoquem:

I – perturbação da ordem pública ou alarma social;

II – desconfiança no sistema bancário ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica;

III – prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município;

IV – sensível perturbação na cotação das mercadorias e dos títulos imobiliários no mercado financeiro.

*o*o*o*o*

Para não ir longe, o jornal tem que publicar a verdade e não pode se beneficiar disso para criar caos ou colocar em risco o sistema.
A orientação intelectual, diz a lei, fica por conta da diretoria do meio.
O escritor Vargas Llosa preside desde 2008 a Fundación Internacional para la Libertad, ligada ao Instituto Cato, um think tank liberal americano. Foi o meio que ele encontrou para questionar alguns meios de imprensa corruptos e para defender jornalistas que ousam criticar os regimes de alguns países e colocam as próprias vidas em risco.
Enfim, não preciso repetir que Maria Rita Kehl fez uma aposta ao usar o Estadão para expor sua opinião política.
Aposta tola – digna de  receber um pão dormido.

*o*o*o*o*

Estamos há anos-luz do momento de formação do Estado nacional burguês, quando a imprensa funcionava como um motor propulsor do debate democrático.
O debate foi substituído pelo controle.
E o desenvolvimento da televisão foi decisivo para o processo de controle e propaganda porque acabou com as fronteiras entre os gêneros (notícia, entretenimento e publicidade) e promoveu uma “confusão” total entre eles.
As notícias passaram a ser apresentadas como show, já os programas de entretenimento simulam debates sobre a “vida real”…

Tem gente que se acha esclarecida porque “viu na novela”.

Se você quer gritar para ser ouvido com direito a continuar gritando quando bem entender, faça como tantos: use o que lhe resta.
Twitter, Facebook, blogs.
E tenha em mente que, a partir do momento em que você passar a receber dinheiro por isso, sua opinião antes ousada e radical pode ter que ser “desidradata”
Como você vai lidar com isso é que vai determinar o fim da história.

Se você vai ser um prêmio Nobel ou candidato à presidência…
Se simplesmente vai ser um cara com um público disposto a ir mais longe…
…ou se vai ficar com fama de aloprada que quis se fazer de mártir enquanto atacava quem pagava seu salário.

A pergunta que não quer calar é: Xico Sá, você agora vai arrumar emprego para a Maria Rita Kehl?
É o mínimo, não?

Carta ao ombudsman

domingo, 27 de junho de 2010

Cara Suzana Singer (Folha de S.Paulo),

não se pode ilustrar uma matéria sobre o lançamento de revistinhas pornográficas por que a dona Maria Inês, de 47 anos, ficou horrorizada?
E o pai de 50 anos (!) – o Julio Fiandi – que leu as revistinhas na adolescência, mas ficou indignado por que não sabe como explicar para os filhos o que significam as ilustrações…
“Um pouco de sutileza não faz mal a ninguém?”
Justo no sábado, “que é dia de Folhinha”?
Então o correto seria deixar um texto com uma ilustração bem “editada”, bem censurada?
Para não mostrar desenho de sexo?

Eu tenho 35 anos, cresci com a Xuxa seminua “animando minhas manhãs”, com Sinhozinho Malta e viúva Porcina sugerindo mil coisas antes de eu dormir. E estou aqui, crítica e sem traumas, para contar a história. E achando graça dessa discussão em pleno século XXI.

Talvez a “culpa” seja da “vontade juvenil de chocar” de quem faz a Ilustrada, um dos cadernos mais antenados da Folha.

Ora, o jornal não é para criança, é para adultos.
E faz todo sentido, num mundo de Tchãs, BBBs, novelas, etc, etc, etc ter uma matéria sobre uma coleção de revistinhas que já foram “escondidas” ganhar status de literatura.

Engraçado é que hoje, das 8 tirinhas dos quadrinhos, 4 têm personagens pelados e fazem alusão ao sexo.
E a do Fernando Gonsales, a Niquel Náusea, é uma tradução ilustrada do seu texto.
A diferença é que a dele é uma sátira.

Extraído da Folha de S.Paulo, 27/06/2010

“O jornal do futuro” pelo visto, tem ombudsman no passado.
E, por favor, avise: se a Folha virou jornal para criança ou se decidir adotar esse tom de falso moralismo, quem vai cancelar a assinatura sou eu.

Bom domingo,

Ana Pessoa

ESCÂNDALO NA PEQUENA MAÇÃ

A matéria “polêmica”:

O sexo como ele (não) é

Histórias em quadrinhos pornográficas, produzidas no Brasil entre os anos 1950e 1980 e que serviram de iniciação sexual para mais de uma geração, são reunidas em coleção comquatro livros

(por IVAN FINOTTI)

Texto na íntegra:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1906201006.htm

Texto integral da coroinha e ombudsman:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om2706201001.htm

Yarang

domingo, 29 de novembro de 2009
baloes

Domingo em algum lugar do planeta

Yarang quer dizer formiga em língua camaiurá, uma das 19 etnias do Xingu.

Depois de quase 5 horas de apagão na Vila Madalena, esse post começou um e foi virando outro… Você já parou para pensar para onde vai o bom e velho livro?
Eu não sou conservadora.
Acho o máximo a tal novidade do livro eletrônico – seja ele kindle, nook ou o que mais inventarem.
Do mesmo jeito que compro meus discos a hora que quero e em que país quero – pagando em dólar e para a turma do Steve Jobs -, penso que deve ser muito bom fazer o mesmo com os livros.
Escolher o livro que quero na língua que quero. Carregar minha biblioteca para cima e para baixo. E ter tudo numa caixinha compacta, movida a eletricidade.
(Coloco a eletricidade aqui para provocar)

Mas há duas questões. Uma é a do livro eletrônico e a outra é a da digitalização dos livros.
Quando leio sobre a turma do Google, sempre fico com minhas pulgas alinhadas atrás da orelha esquerda.
Larry Page e Sergey Brin não vieram ao mundo para fazer caridade… Muito menos para educar e difundir o conhecimento.
E ninguém pensou que um mecanismo de busca fosse se transformar num império digital. Se alguém pensou, não fui eu…

“Hoje” o professor Roger Chartier discute o assunto na Folha. A reportagem original saiu em outubro no Le Monde. Em ambos os jornais, o texto é para assinantes – mas acho que não será problema encontrar o texto no google sem respeito aos direitos autorais e (com meu apoio) aos meios que publicaram o texto.

Às idéias do professor, somo minhas dúvidas:

1) Quem detém a plataforma deterá o conteúdo?
2) O Google está preparado para catalogar os livros (até agora, só deram mancada – aparentemente, os gênios de TI não se ligaram na importância da biblioteconomia);
3) Se tudo for digitalizado, como farão os que vivem no mundo analógico? Serão guerrilheiros do papel?
5) Com o livro digital, é o fim da relação objetos-gêneros-usos. Viveremos num mundo de fragmentos sem contexto?
6) Ainda, como vamos construir o discurso, como vamos ver o que está a nossa volta?
7) Nesse mundo “novo” quem assegurará o direito autoral?

Sete perguntas que não têm resposta única.
E desconfio que, mais uma vez, estaremos à margem e, muito provavelmente, seremos os últimos a saber.

batman

Agora entra o blog que teria sido publicado se não fosse a Eletropaulo (esqueci de pagar a conta de setembro e, na sexta-feira, recebi uma carta do Serasa. Vou mandar uma reclamação de ter ficado sem luz para quem? E cobro de quem?)

Em que dia fizeram a luz?

Estou em casa. Apagão na Vila Madalena.
Sinto-me a mulher das cavernas.

Excesso

Alice comeu galeto no almoço. Muito chique.
Dia de calor com chuva.
Um chopp. Um caju amigo. Cassoulet.
Guardei paios e outras carnes para Alice.
Por falta de energia, comeu tudo frio no café da manhã hoje.
Muito chique.

Estou me recolhendo em casa para voltar a trabalhar.
E engraçado é como o corpo dá notícia.
Comi enlouquecidamente. Um pote inteiro de sorvete de doce de leite da Häagen-Dazs. Meia pizza média da Camelo.
O que eu não boto para fora, como.

fubatmanTrabalho

Recusei a segunda proposta de emprego em 2 meses.
A anterior pagava mais. Mas a vaga era em Porto Alegre.
Essa paga 11% a mais do que ganho.
Por outro lado, minha sociedade não fechou nenhum dos trabalhos com que contávamos. E estamos aflitos pois só temos caixa até janeiro. (Eu não estou aflita)

A vida é assim.
Trabalho, excesso, medo.
No meu caso, tem sempre algo de piadista.
Tenho personalidade de cigarra, mas atuo como formiga. Fazer o quê?

Amélia

Tem um lado insano meu que só quem é muito íntimo conhece.
Acordo cedo no fim de semana.
Dou comida para a bicharada.
Limpo a caixa de areia.
Escovo o sofá de design.
Troco a água das plantas. Faço a poda dos caules das flores.
Varro a casa, passo aspirador (o meu é robô – ele vai sozinho).
Só depois vou ler.

Enfim, o vírus de Amélia é uma bela porcaria. Odeio.

flamengo

Mulheres

Vocês já viram a jornalista Nina Lemos? (Nos meios, há quem a apelide de “Nina, não lemos”)
Procurem no Google Image porque eu não vou dar susto em ninguém.
Ela escreve hoje sua opinião sobre uma novela.
Conta da modelo que ficou tetraplégica.
Fala que, no orkut, fizeram um fórum sobre a história: a moça rica e linda e mimada merece ou não merece ficar tetraplégica?
“Merecer” ficar deficiente é muita culpa católica para mim.
Ela termina o texto com as seguintes frases: “ ‘Não sou tão bonita nem tão rica. Mas pelo menos não estou morrendo no hospital.’ Ou se não sou bonita, ninguém também pode ser.”

Que discussão de bêbado.
Que papo bobo.
Dar atenção para repercussão de novela.

Nada mais me assombra.

E por falar em novela e jornalista, para mim, o Noblat, do Globo, perdeu toda a credibilidade depois que começou a escrever sobre novela no twitter.
O cara é um verdadeiro bocó!

E volto para os enigmas/desejos universais:

–       Beleza
–       Grana
–       Ócio

Atualmente tenho usado a seguinte tática para solucionar o mistério:

–       Álcool
–       Açúcar
–       Cheque especial

Melhor jogar  cubo mágico. Tenho mais chances de acertar.
Bom domingo.
Vou enfiar a cabeça no microondas.

Traduzindo a crítica

sexta-feira, 10 de abril de 2009

 

Faz sol em SP

Faz sol em SP

 

 

Acordei cedo.
Mesmo tendo tomado meia garrafa de vinho, tendo comido meia cumbuca de queijo. E um ovinho de Páscoa de nhá benta da Kopenhagen na noite anterior.
Era para eu estar desmaiada.

Coloquei meu vestido de onça.
Meu All Star que um dia foi lavanda.
Dei comida para Alice. Para os gatos.
Lavei os pratos e taças abandonados pela casa.
Botei o lixo para fora.
Peguei a Folha.

Na minha janela, uma cambacica toma néctar feliz da vida.
Alice não transformou a sala em banheiro essa noite.
Feliz, levo a cachorra para passear. 

Não lavei o rosto, não escovei dentes.E saio com a Folha.

Sento num banco da praça.
Alice, mané, brinca de correr atrás das flores.
As flores da paineira caem uma após a outra.
Eu leio a Folha.

E tenho um ataque com o crítico (?) Cássio Stariling Carlos. Com esse nome, deveria ser cantor de música brega. Cássio Carlos, sobre um filme sueco, manda o seguinte parágrafo:

Nesse pacote, a caricatura cumpre sua função enfática e ganha no cinema uma estranha dimensão, a meio caminho entre o desenho animado e o expressionismo pictural, com a qual nos identificamos no exagero e no absurdo. A estratégia de embalar esses micro-retratos da miséria humana numa forma encantadora, em vez de amenizar o lado trágico da nossa comédia, torna-a mais explícita. Nessa apropriação da linguagem domesticadora com que a publicidade embala nossos sonhos consumistas e embota nossa visão noite e dia, “Nós, os Vivos” deturpa o poder da farsa e nos permite experimentar um tanto de verdades.

Vamos decifrar o que o intelectual quis dizer:

Nesse pacote, a caricatura cumpre sua função enfática e ganha no cinema uma estranha dimensão, a meio caminho entre o desenho animado e o expressionismo pictural, com a qual nos identificamos no exagero e no absurdo. No filme, personagens são retratadas como caricaturas de pessoas reais.

 A estratégia de embalar esses micro-retratos da miséria humana numa forma encantadora, em vez de amenizar o lado trágico da nossa comédia, torna-a mais explícita.  A estratégia de transformar histórias tristes em contos felizes evidencia o drama humano.

Nessa apropriação da linguagem domesticadora com que a publicidade embala nossos sonhos consumistas e embota nossa visão noite e dia, “Nós, os Vivos” deturpa o poder da farsa e nos permite experimentar um tanto de verdades. Ao usar linguagem publicitária, o filme nos permite ver uma realidade crua.

Agora, vamos juntar as frases. 

No filme, personagens são retratadas como caricaturas de pessoas reais. A estratégia de transformar histórias tristes em contos felizes evidencia o drama humano. E, ao usar linguagem publicitária, o filme nos permite ver uma realidade crua.

Em resumo: três frases redundantes e pobres escritas num parágravo pomposo e confuso.

Agora entendi.