Posts com a Tag ‘Freud’

Ferro & Fogo

terça-feira, 9 de março de 2010
Bang!

Somos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro

Eu adorei a derrota de Cameron para Bigelow. Porque Avatar é um filme micho, smurfs para adultos. Comprei nessa viagem, e em blue-ray, o filme da diretora premiada – que já havia saído de cartaz lá e, aqui, acho que nem entrou. Mas desconfio que não vou gostar (ainda não assisti). Segundo o Estadão, “a própria ideia do filme – a adrenalina que move os soldados de Kathryn, na Guerra do Iraque – estaria (está?) mais para afirmação do que contestação do establishment militar. Os militares são os vilões de Avatar e os heróis de Guerra ao Terror. Os heróis?”

E o jornal vai mais longe: “É esse o enigma Kathryn Bigelow. Desde o começo da carreira dela, Kathryn tem seguido vias tortuosas para expressar sua fascinação pelo mal.”

Mas que eu achei ótimo ver o diretor dançar, achei. A prepotência, o macho, o espetáculo pelo espetáculo contra um bom e velho argumento: a guerra de verdade – mesmo que na do filme vencedor do Oscar os soldados americanos vençam uma vez mais.

Dizem por aí que a diretora americana gosta de repetir uma citação de Freud: as pessoas gostam de olhar o que estão proibidas de ver. E, nisso, o pai da psicanálise estava muito certo. As filas na estrada quando há um acidente, as janelas indiscretas da cidade grande, o trocador de roupa do magazine… O político que coloca dinheiro na meia, a cirurgia plástica que virou seriado de TV a cabo, a babá que espanca velhos e crianças em horário nobre.

Eu, por meu lado, estou vivendo uma experiência nova. Você tem idéia do que seja chegar com email, computador, flores na mesa (dia da mulher – bah!), exame feito, documentos levantados, carro comprado (que só chega em 60 dias), placa do atual registrada na garagem, etc, etc, etc? Esses pequenos mimos me atraem – e muito. Tá certo que vivemos e trabalhamos sem precisar de nada disso, mas é essa a tal da diferença.

E imaginem minha cara ontem, quando ao entrar no consultório do médico do trabalho, o fofo sentou-se na cadeira e (nada de sala limpa, recepcionista simpática, gadgets que aferem pressão, que levantam colesterol e glicose)  mandou fechar a porta. Achei tão deselegante. Ele lá, cômodo, sentado e eu tendo que me deslocar até a porta para fechá-la. Pois foi com essa porta real que fechei a minha porta literal.

Claro que `as 16h30, quando desligaram meu email, senti um apertinho no peito (o fato do meu blackberry estar sem acesso a internet por uma semana ajudou). Perdi todos meus emails de despedida. Todos. Freud explica o fato de eu não ter guardado justamente esses emails. É a tal da porta que fica entreaberta.

Mas uma coisa é certa: estou curtindo já saber que tenho que ir para o Rio amanhã, para a Áustria na segunda semana de abril, que tenho um calendário gigante a me ajudar… Esse negócio de ir com fé e sem planejar me parece coisa de homem das cavernas. Eu não sou certinha e arrumadinha, mas curto saber onde vou estar amanhã. Nem que minimamente.

E para fechar o post com cinema, o tal do argentino que ganhou é um lixo. Eu vi em novembro em Buenos Aires. El secreto de sus ojos era uma febre por lá, eu achei tragicômico. Saca novela da Globo nos anos 80… Ciranda de Pedra? Tipo isso. Os atores canastríssimos – Ricardo Darín cada dia despenca mais uma ladeira – , o roteiro frouxo, pessimamente amarrado… Mas os caramelos que comprei e o fato de ser dia de semana, três da tarde… De qualquer modo esse é um filme que não representa a maestria dos portenhos nessa área. Uma pena.

Para curtir:

Matéria fresquinha da Time Magazine http://www.time.com/time/arts/article/0,8599,1970502,00.html (descubra por que Avatar e George Clooney viraram piada na noite do Oscar)

Indicação de blog de mulheres de trinta e de um post muito bom sobre separação, burocracia e humor: http://3xtrinta.blogspot.com/2010/03/cartorios-nao-gostam-de-divorciadas.html


काठमांडौ ou a neve que derrete o calor

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

Paulo Leminski

Eu e meus três irmãos mais novos

Eu e meus três irmãos mais novos

Não bastasse roubar poemas, eu vou precisar da ajuda dos universitários do curso de psicologia.

Tenho a forte desconfiança de que progredi para aquela fase em que as crianças já com 4, 5 anos começam a fazer uma simples pergunta: “- Por que?”
Dizem que é a primeiro período da fase da latência, que vai dos cinco aos oitos anos. O que escrevem por aí:

Os problemas edipianos estão à tona, a criança impede os impulsos eróticos e agressivos. Em seu momento de lazer e nas suas horas vagas utiliza rituais mágicos, simpatia e etc. Seria uma forma de consolidar o seu superego.

O superego, também chamado supereu, é formado pelo conjunto de regras e proibições impostas pelos pais e pela sociedade e que foram interiorizados pelo indivíduo. É o fundamento da moral.
O id ou infraego é constituído por todos os impulsos biológicos (como a fome, a sede e o sexo) que exigem satisfação imediata. É o fundamento da sobrevivência individual e da espécie.
O ego, também chamado eu, é o elemento decisor dos conflitos travados entre o id e o superego, é portanto, o fundamento racional da personalidade humana.
Segundo Freud, estas 3 instâncias estabelecem entre si uma relação dinâmica, muitas vezes conflitual, de que resulta a conduta das pessoas. Assim, o comportamento de umas pessoas compreende-se pela supremacia do id e o comportamento de outras compreende-se pela supremacia do superego.

Pois, com algumas décadas de atraso, cheguei com tudo nesta fase do superego e o id não está com nada. O problema é que papai dançou, mamãe não manda mais e perdi o meu Código Civil. Superego retardado dá um problema danado… Pau que forma o superego torto, entorta de vez… E não me culpe, isso já professava Freud em seu jogo de biriba, depois de uma avaliação de um paciente com histeria.
Por que temos que trabalhar feito mouros?
Por que levar essa vidinha?
Por que sacrificar a vida real em algum trabalho que, você sabe, seja ele qual for, vai pagar suas contas, vai te dar um certo prazer, mas não vai te levar a Kathmandu… (exceção que confirma a regra para Ana Paula Padrão, Guta Nascimento e Glória Maria cujo trabalho levou a Kathmandu, mas, que azar!, o destino delas era Goa).

Eu passei 3 dias em casa tentando fazer algum sentido.
Hoje a rotina veio com tudo.

Eu, numa das várias reuniões do dia, olhando para a chuva batendo na janela do 36 andar e para o arco-íris gigante que surgiu na nossa Gothan Happy City, vulgo Sampa (roubei essa do Marco Assub). Foi tanta energia que a eletricidade falhou. Pena que num segundo voltou.

Um aparte: esse é o terceiro arco-íris que vejo em 11 dias de 2010. Será algum tipo de recorde? E se a gente chegar ao final dele, encontra o tal pote de ouro? Se passar por baixo, vira lobisomem? Eu topo!

Voltando ao superego: quem foi que me jogou tanta regra para eu ficar organizando tudo, menos o livro-caixa interior?

Ando ladra de frases alheias, mas só elas têm me dado alguma explicação… E só quero saber uma coisa: no lugar de parar o bonde, dá para passar a quinta a 280km/h que nem o Nelson Piquet e ainda chamar o Senna de boiola?

Meu espírito agudo e endemoniado anda me cutucando mais do que o que de costume. Dia desses apareço fantasiada de coelho da Páscoa no trabalho e distribuo bilhete premiado para as velhinhas na fila do banco.
Depois, quando o juiz mandar prestar serviço voluntário, juro que vou assaltar a fábrica de panetone e dar chute na caixa de esmola…

Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Paulo Leminski

Luz?

terça-feira, 20 de outubro de 2009
Mutante

Mutante

Luz branca = cabelo castanho escuro.
Franja = só na foto.

Tenho uma avó ligada no 220V (Freud nem precisa explicar).

Quando anunciei o primeiro namorado (eu com 13, ele 16), adivinha quem me pegou no flagra?
Quando tomei o primeiro porre da minha vida, adivinha quem questionou o bafo?
Quando falei que ia dormir na casa da amiga e passei a noite na rua, adivinha quem ligou “a” com “b”?
Quando fui sozinha para Amsterdã aos 15, adivinha quem chamou minha mãe de tonta?
Pois é, dona Chlóris* é da pá virada. Não deixa passar nada.
E a última dela foi puxar minha orelha por conta do mundo digital: “-Seu twitter é muito doidão. Você se expôe demais no seu blog. Para quê isso?”
Aos 85 anos, ela questiona o meu twitter e meu blog.
E não tem e nem usa computador.
Como pode?
Quais são as fontes da vovó?

Já meu avô conheceu meu Mac tempos atrás. Achou uma beleza ter TV5 on demand. Poder ver todos os programas de entrevistas da TV Francesa quando e onde quiser.
Mas achou muito chato ter que apertar mil botões, esperar o vídeo carregar. “Na TV vai mais rápido”. É fato.

Mudando de assunto, estou traumatizada. A fauna do vestiário da academia hoje estava demais. Vi coisas horrendas, indizíveis, inexplicáveis.
Da anoréxica à gorducha passando pela moça que, quando não reclama da babá, conta detalhes dos casos extraconjugais em altíssimo som, não sobrou pedra sobre pedra.
Detalhe: a gorducha fez um strike em mim e na minha malinha. Não contente, deixou itens pessoais caírem dentro da minha malinha. Me senti George Foreman diante de Muhammad Ali no Zaire. Que roubada.

Estou pensando seriamente em colocar venda nos olhos para entrar no vestiário.
É uma visão do inferno de Dante.
Preciso de 20 anos de análise para superar tudo o que vi e ouvi…

Socorro!

Em tempo: o nome Chlóris parece esquisito? Pois era assim que iria me chamar. Mas vovó me tirou dessa roubada. Na mitologia grega, Chóris era uma das Alseíades, ninfa das flores. Foi a última amante de Zéfiro, o vento-oeste. Depois do casamento, Hera e Afrodite a converteram em deusa das flores.

Em tempo 2: link besta e IMPERDÍVEL do dia
http://www.esquire.com/features/funny-slang-language-dictionary/funny-euphemisms-list-1109