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Cannolis

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

 

doce açúcar café

doce açúcar café

Siciliano, puro açúcar.
Doce com ricota, limão, chocolate ou baunilha…
A Itália tem sotaque bem mais doce no Bixiga.

Tomo café turco a seco.
Muitos projetos interessantes para quebrar paredes e derrubar muros.
Direto, sem rodeios.
O cacife é sempre alto e restritivo.
Como eu gosto do perigo.

Dias de pouco sono, muitas idéias e um turbilhão de coisas.
De Converse verde, salto ou tênis para praticar esportes.
Meias, malhas, vestidos justos ou de pernas nuas.
O calor deixa o frio em São Paulo.

E eu sinto a primavera chegando.
Com todas as flores num ramalhete único.
Uma delas deve durar mais que as outras.

Fome de quê?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aceita?

Meu dia se resumiu a duas cervejas e um pedaço de pizza.
Minha dieta se resumiu a fazer tudo às avessas.
Minhas idéias são resignadas: resistir de pé.
Meus pés não se cansam de caminhar sem rumo.
Meu mundo é bem mais ou menos.
Perdido.
Meu feriado ainda não terminou.
E não me lembro de quando começou.
Você pensou que fosse ser bom assim.
Eu sempre tive minhas dúvidas.
Elas, hoje, são dívidas.
Meus pés.
A culpa é toda deles.

Faz frio aqui

terça-feira, 15 de maio de 2012

ssssssssssss...

Necessidade de fazer um casulo vestida com mil camadas de roupa.
Vontade de sair de casa mesmo assim.

Saber que hoje é o que apenas há.
E gostar.

Uma sensação de calor apesar do gelo que te pede calma.
Uma corrida longa sem pensar no caminho que vai ficando sob os pés.

Terça feira com tudo novo.
São Paulo.

Capítulo 13 – Pausas e Partidas

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Acordou cedo – nunca passava das 7h.
Fazia frio e chovia.
Era bom sair com calça, blusa, colete, malha, sobretudo, meias de lã, sapato com sola emborrachada.
Com tanta roupa, a individualidade quase desaparecia.

Decidiu deixar o carro em casa.
O trânsito estaria caótico.
Enfrentar o transporte público com o olhar de quem não é passageiro cotidiano.
Ver as pessoas apressadas.
Tentar adivinhar a música que toca no iPod da vizinha de cadeira.
Dar lugar para uma moça cheia de sacolas.
Sentir o vagão tremer a cada curva.

Começou a olhar os sapatos.
Trabalhadores têm sapatos gastos.
Olhou para as próprias pernas.
A calça preta de tecido tecnológico.
Não molha, não amassa, não perde a cor.
Distraiu-se…

Foi quando tentou levantar a perna que notou.
Os dois pés estavam presos no solo.
Fincados, cimentados.
Quando queria se movimentar, era o chão que mexia.
A calçada toda corria para a frente ou para trás, como as esteiras quilométricas do aeroporto de Frankfurt.

Estava no meio da Avenida Paulista.
Olhava para os pés.
Os sapatos de sola de borracha (em casa usava chinelos).
Quando caminhava para frente.
A calçada ia para trás – e seu corpo continuava parado.
Tentou andar de costas.
Um movimento de ré desajeitado.
A calçada correu para frente.
Tirou os sapatos.
Com os pés descalços, nada mudava.

Riu um riso nervoso.
Ficou alguns minutos tentando arrancar os pés da calçada.
Os termômetros marcavam 12°C.
O suor escorria por seu rosto, ensopava as costas.
Alguns pedestres que viam seu agito esquizofrênico viravam o rosto.

Todos presos.
Todos sendo levados pelas ruas, calçadas, avenidas.
Ninguém notava?
Se sabiam, por que ninguém tentava soltar os pés?
Não havia bebido, não comera nada diferente. Isso não era alucinação.
Teria enlouquecido?

Mais uma vez, tentou tirar os pés.
Queria comprar uma picareta.
Quebrar tudo, libertar-se.

Olhou em volta.
Indiferentes.
Todos presos.

Pausa

Capítulo 8

sexta-feira, 20 de abril de 2012

vento

Saiu da caixa, olhou em volta.
Neve, asfalto sujo.
Mas não fazia frio.
Tentou caminhar.
Impossível – os pés escorregavam.
Com muito custo apoiou-se na parede.
Cada passo demorava incontáveis minutos.
Ela lutava para ficar em pé.
E não fazia a mínima idéia de onde estava.
As pessoas passavam rápido.
Todas encapotadas, com botas de borracha, luvas, gorros.
Ela, com sapatos de salto, um vestido de festa, “a maquiagem deve estar borrada” – pensou.

Que idéia estúpida a de entrar nesse jogo.
Onde estaria?
O frio…
Porque não sentia nada?

Um senhor de chapéu, casaco e com um daqueles copos descartáveis na mão parou.
Ela pediu ajuda.
Ele, sem falar uma palavra ou perguntar qualquer coisa, estendeu a mão.
Deu a ela o copo e algum dinheiro.
Fez sinal para o táxi.
Falou com o motorista em uma língua estranha.
Parecia ser do leste europeu.

Ela não agradeceu, simplesmente entrou no carro.
Olhava para os prédios enquanto tomava o café já meio gelado e muito doce.

A conta

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ele saiu com seu velho casaco.
O prazer em sentir o vento que corta tudo o que tenta enfrentá-lo.
Pelas ruas, procurava os poucos minutos de luz do sol.
Louco, chutava o ar, como que mandando o calor embora.
Era o frio de faca que buscava.
Num café que estava na moda, pediu algo frio.
A garçonete sugeriu sorvete.
Ele topou.
Ao lado, um grupo de mulheres cacarejava.
Como grãos de milho, ciscavam histórias de colegas de trabalho, Caras e outras conversas de salão.
Ele segurava o copo de sorvete entre as mãos como que para fazer baixar a temperatura.
As pontas dos dedos ficavam cada vez mais vermelhas enquanto o sorvete derretia.
Pediu a conta.
Pagou.
E saiu correndo a derrubar cadeiras, mesas, empurrar quem atravessasse seu caminho.

O casaco ficou para trás.

Receita da Nonna para uma Sampa fria

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

vovola

Em uma xícara alta, coloque uma colher de sopa de doce de leite argentino.
Acrescente uma colher de sopa de canela. Se quiser, deixe cair pozinho nas bordas para ficar com ar de bacana.
Complete com leite integral fervido, espumante…

E seja feliz con el dulce de los hermanos, com a canela arrancada de uma árvore centenária na fazenda em Pará de Minas e com o leite que chega em caixa e que nem de longe tem gosto de leite de verdade.

Misture tudo e dê uma volta por aí com a pança superando 16kg.
Não há visual que ofusque esse momento desleixado.

Ande com calma pela primeira vez na vida.
Compre um balde para servir de banheira.
Aproveite a mãe que nunca tem tempo para te visitar.
Pense no pai que não vai poder ver nada disso.

E curta um frio manhoso na pequena maçã.
Esqueça do trabalho por uma tarde. Aqueça o coração e esqueça o MBA.

E o tempo começará a andar para trás…
Doce como La Plata e tudo o que é bom e que vem de lá e daqui.

La chute, la peste et l’homme révolté

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

l’héroïsme est peu de chose, le bonheur plus difficile.
Camus

Eu sou uma menina má e fico boazinha de vez em quando.
E hoje fez sol e um pinguim quando caminha pela cidade é por alguma razão muito séria.
Transformar a serviçal em uma mocinha arrumadinha.
Trabalhar pensando que RH nunca é um departamento respeitado pelo CEO.
Traduzir do inglês para o francês e vice-versa (terrivelmente tabajara).
Ler Camus escondido entre uma reunião e outra – travessura corporativa de quinta.

rugas e tinta ruim

Na praça, a terra cheira a molhado.
No escritório, o carpete novo já tem cara de anos 70. Cafona.
No shopping, além de mim e dos executivos almoçando, prostitutas bonitas – todas amigas do rei.

Eu uso muita roupa preta – inclusive em missas e reveillons.
Perguntaram se tem razão.
Respondi que não conheço pessoa alguma que seja razoável.

Sair por aí chutando pedras e latas com gosto.
Andar para lá e para cá – devagar, com uma postura bem ridícula.
Vagar obrigatoriamente.

Fez sol hoje.
E eu quero frio.
Dia de inverno completo.

Luz e fúria

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

cereja

Virada do mês.
Os orientais dizem que a primavera é estação de tensões, agressividade e falta de paciência.

“Madeira – a fase inicial – a Primavera: o Yang dentro do Yin.”

A Primavera é o início de um ciclo, o momento do aparecimento do Yang dentro do Yin – ou seja, o Yin do Inverno começa a diminuir e o Yang a aumentar.
O frio começa a diminuir e os dias ficam maiores.
Agora, pura transição antes da estacão literalmente florescer, é momento de calor, frio, chuva, sol – confusão de estações.
Segundo dizem, este é o período mais dinâmico do ano em que tudo se renova e se exterioriza. Corresponde ao “este” (ao nascer do sol) e está associado ao vigor, à juventude, ao crescimento e ao desenvolvimento.
Esta é a fase expansiva, explosiva, criadora, despertando na natureza o desejo sexual de procriar.
E é também o momento de violência, de pavio curto, de confusão.
A cor verde predomina, o céu está mais azul, e, como o vento, tudo se agita.

Fique de olho no fígado, dome seu stress, segure seu ego.
Take care.
O momento pede.

Pé no freio

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Frio

O frio graciosamente baixou sobre a terra da garoa e a vontade é de hibernar.
Você também tem esses arroubos?
Ir para uma caverna e desligar todos os equipamentos da tomada?

Converso com amigas que contam o que aconteceu em minha ausência – não que eu fizesse alguma falta.
Penso que todos sobreviveram às dificuldades.
Você também, tenha fé.

Penso nas obrigações da semana.
Nessa coisa chata que é treinamento de gente nova.
E nessa vontade de sair correndo, descabelada, sentindo o vento e chuva baterem no rosto.

Aí procuro o próprio umbigo e não acho.
E a dor no sacro apita.
Preguiça, inércia, inépcia.

Ai, frio macio.
Uma casa para chegar.
Um ver com graça de tudo o que não se encaixa.

Gaddafi caiu – e o mundo encontrará novos ditadores.