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Minhas unhas vermelhas

domingo, 2 de agosto de 2015

Antes eu queria a festa, o momento.
Hoje eu quero o microscópico.
Em dois meses, eu voltei a ser a Ana com 20.
Mas com uma vida de 40.
Não foi a farra que veio, foi a carga pesada arrastada com com correntes que se foi.

De repente me vi montando um altar de flores.
De bons pensamentos.
Eu me lavei com sais, lavanda, acreditei na pedra energizada.

Eu tinha todas as certezas.
Minha bota do exército.
Minha roupa preta e um cabelão de medusa.
Um parceiro da vida inteira.
Um futuro.

Hoje eu tenho uma idéia.
Eu passo um batom, encho o peito de ar e vou.
Não levo nem a bolsa.
Eu simplesmente vou.

Eu ando muito leve, quase sendo levada com o vento.
E descobri que o caminho ainda nem começou direito.
Peguei um atalho enorme.
E cheguei em lugar nenhum.

Mas eu sou daquelas que caminha sem parar.
E, demorou, mas eu não tenho onde chegar.
E tudo bem.
Eu vou.

Bipolaridade

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Uniforme

Há algum tempo foram-se os anéis.

Os últimos dias têm sido de um futuro incrível com sol, academia e novas viagens  – fiquei enferrujada neste quesito. Travada no presente.

Intervalos de “e agora, José?”.

Revisão de arquivos da memória – grande parte deles preenchidos com participações especiais e que não deveriam ser memoráveis.

Sozinha no meu quarto de hotel, penso em como começar – sabendo que já começou, a despeito do meu planejamento tardio.

As questões de grana nunca afetam meus planos. Sejam eles de morar em Paris ou de me acabar em algum restaurante.

E agora o sonho é fácil. Retomar as rédeas do pangaré.

A casa, os gatos, cachorro, a vida.

Eu sempre estive pronta para transformar o esquema.

Isto não me aflige.

Me aflige apenas a divisão, a negociação que, a partir de agora, deverá ser feita. Hoje e sempre.

Ainda sou dona do meu nariz, mas nunca fui do dos outros.

Paciência, Ana.

Isto eu não tenho.

Então sossega, mas como?

Lá na frente eu vejo até mais gente.

Hoje só esta impessoalidade com assinatura Blue Tree.

Resolução de ano novo

sábado, 3 de janeiro de 2015

O ano quando começa abre as portas do impossível.
E elas se fecham rapidamente. Quem passar não volta jamais.
Não, não há dinheiro envolvido, amor novo ou sua saúde de volta.
Sete ondas, oferendas, espumante, beijo – nada disto faz sentido.
Ousadia.
Dos significados do dicionário, os que mais se assemelham à verdade são a falta de reflexão; a imprudência; a temeridade.
Não que eu não ame cometer todas as antonímias.
O objetivo é testar, testar, testar.
Aqui, dentro do meu universo, eu vôo muito, vôo longe.
A tal casca dura que molda como mármore.
Que te faz uma personagem.
Quando você voa ela se esfarela como sal do Mar Morto.
E você vira passageiro desta espiral de coisas impossíveis que, quando leves, sempre proibidas.
Beber de manhã, falar o que não deve, sonhar com coisas difíceis, escrever o que bem entende e para quem se interessar. Escrever.
Imaginar outras histórias, outras pessoas, uma casa menor, um gosto por café, uma sem-vergonhice absolutamente inusitada. A falta de vergonha de seguir o faro.
Pensar nos grilhões de um trabalho como um tíquete de loteria.
Desejar salvação pelo caminho mais simples: uma nova prisão.

Quando a gente é novo, o novo é puro prazer.
Ele é doce.
Ele tem tempo e fé.
Quando se envelhece, existe a dor.
Existe também um auto-conhecimento, um saber cristalino de suas limitações.
E, a despeito de tanto chumbo, tudo é bom porque é suado.

Passei oito anos e meio – quase dez se contar um intervalo sabático – no mesmo emprego.
Coisas de principiante.
Hoje espero coisas que estejam fora do tempo.
Não sou guia nem sou calma.
Vejo meu filho inquieto, impaciente, exigindo “agora”.
E eu sinto uma identificação orgulhosa.
No fundo, no fundo, o “agora” ainda grita em mim.
E são tantos anos.

Agora.

Meu melhor ângulo não está aqui

A vida que não me dei

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Da ressaca pós-eleitoral veio a inspiracão.
Nossos suspiros são sobre a vida que poderíamos ter tido.
Sobre as promessas não cumpridas, não realizadas.
Sobre nosso auto-engano.
Sobre acreditar que tudo poderia ter dado certo.
Mesmo insistindo várias vezes em fazer tudo torto.

Da vida que vi lá atrás e que nada tem com a de hoje.
Das noites mal dormidas.
Dos gastos estapafúrdios.
Das idas e voltas, das despedidas.
Da coragem de deixar para trás.

Os candidatos tiram de nós o retrato.
Hoje parei o carro em plena avenida para uma ratazana passar.
Ela estava confusa, provavelmente louca de veneno.
Mas parou. Saiu debaixo do carro que estava a minha frente.
Parou.
Olhou.
Viu que não era a sua hora.
E sumiu pelo jardim do acostamento.
Um pedestre gritou.

Eu acelerei de novo.
Pensando nos caminhos, repisando a calçada portuguesa.
Ansiando por minha solidão benvinda – tão atacada, vilipendiada.
Pensando em tudo o que poderia ter sido.

Eu sabia que seria assim.
Mas me enganei muito bem.
Parabéns.
Palmas para a ressaca moral.

(intervalos)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Nos dias de frio, pense na velha tática de correr.

hoje?

Ocupar espaços indesejados.
Bater para se proteger.
As horas somem.
Um novo dia amanhece.

Em meses como este, de carne no açougue, fica tudo tão claro.
A insistência em falhar no último minuto.
Sem surpresa.
Em seguir por caminhos tortos.
Em não baixar (cabeça, ombro, pé) guarda.

Não tomar taça de vinho para relaxar.

O problema é que – como hoje.
Você pode acordar na hora errada.
E não ter para onde correr.

Amanhecer.

Faz frio aqui

terça-feira, 15 de maio de 2012

ssssssssssss...

Necessidade de fazer um casulo vestida com mil camadas de roupa.
Vontade de sair de casa mesmo assim.

Saber que hoje é o que apenas há.
E gostar.

Uma sensação de calor apesar do gelo que te pede calma.
Uma corrida longa sem pensar no caminho que vai ficando sob os pés.

Terça feira com tudo novo.
São Paulo.

Capítulo 12 – O bode

quinta-feira, 26 de abril de 2012
humble is my buzz

humble is my buzz

A vaca sagrada no meio da sala.
O bode profano no quintal.

Nessa vida independente, sem garotos chatos no pé, sem viagens ao redor do mundo na classe econômica e sem trabalho insano e inútil no fim de semana, tudo é muito tentador.
Você pode fazer absolutamente o que quiser e a toda hora.
E, não raramente, você quer mesmo é ficar quieto.
Porém, é preciso ter fé.

Esta semana, as estruturas da minha Igreja foram novamente abaladas por multinacionais com propostas polpudas e a velha história de geração Y, viagens low cost e pilhas de trabalho.
Ok, é a marca mais cara, adorada, tecnológica do mundo.
Certamente “você” vai parar na Califórnia.

Tive que atualizar o Linkedin.
Falar mil vezes em inglês. Até em espanhol e francês.
Pensei, repensei.
Liguei para os universitários.
Fiquei com gás. No pique.
A torcida toda mandando seguir em frente.

Entrei numas.
Chamei o bode e vaca.
Tomamos um dry martini.
Fizemos bebê dormir.
Terminamos a noitada num pacto.

Recusei.
Minha vida agora é essa: sem gente chata, sem viagem de pobre, sem fim de semana de trabalho desperdiçado.
Release? Videozinho?
Fofoca de corredor!?
Sacou tudo, Batman.

Sorry, periferia gringa.
Money is all I get.

Catavento

domingo, 23 de outubro de 2011

pêlos

As flores de lá duram menos.
Aqui, voam idéias.
Se não fosse Santos Dumont, seria outra esta história?

Haveria cartas como as de 1999?
Menos dores de estrada, mais chás, cafés, mais sono, rede, maisena?
As luzes, quem as acenderia?
Os passarinhos encontrariam a janela?

Descontrolo tudo através da pequena tela.
Reencontro as cores, telefone.
Futuro?

Avião.
Tão incerto.
Quase sempre acerto.
Perto.

Fim de domingo.
Sempre que não penso,
(In)tenso.