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Para Gabriela

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Gabriela, a menina forte.
Nasceu antes da hora.
Nasceu sem conhecer a mãe.
Nasceu para fazer o pai ficar de pé.
Gabriela que conheceu a vida pelo noticiário, pela busca no Google.
Que se viu ali, numa foto: uma barriga bonita.
Que viu a mãe sorridente e fazendo planos.
Na foto, tão jovem.
Gabriela, menininha predestinada.
Veio ao mundo para dizer que a cidade está perdida.
Que o bang bang é geral.
Que está tudo virado.
Gabriela que vai achar graça dos malandros de Nelson Rodrigues.
Que não tem nada de sertão, nada de praia, nem de Jorge Amado.
Gabriela que chegou sentido o ar lhe faltar.
Que perdeu a mãe, grávida aos 9 meses, com uma bala na cabeça.
Gabriela que já é grande.

Gabriela.

Interrupção

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Planejamento

INTERRUPÇÃO

A obra dos Deuses, nós a interrompemos – entes
somos da pressa e do momento, inexperientes.
No palácio de Elêusis e no de Ftia, eis
que iniciam Deméter e Tétis, em chamas
altas e fumo espesso envoltas, grandes obras. Mas
sempre foge Metanira aos aposentos do rei,
cabelos soltos, temerosa. Também
Peleu se atemoriza sempre e intervém.

(Kaváfis)
trad. de José Paulo Paes

Ontem reencontrei a diaba.
Passado obtuso de vestido longo na beira do rio.
Molha, molha até que encharca e te leva para o fundo.

Mitomania e agressividade.
Maldade em estado bruto e no jardim de infância.

4 anos.
Todos os meus planos, valentes, perdidos.
Murro escorrido, entornado.
Manti o prumo.
E foi o possível.

Consola é saber-se duro e corajoso.
E sem nada a dever e a ninguém.
Amiga da verdade e, por isso mesmo, sempre em guarda.

Pobre diaba, feia, desajeitada, pernóstica e verborrágica.
Pobre diaba.