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Bipolaridade

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Uniforme

Há algum tempo foram-se os anéis.

Os últimos dias têm sido de um futuro incrível com sol, academia e novas viagens  – fiquei enferrujada neste quesito. Travada no presente.

Intervalos de “e agora, José?”.

Revisão de arquivos da memória – grande parte deles preenchidos com participações especiais e que não deveriam ser memoráveis.

Sozinha no meu quarto de hotel, penso em como começar – sabendo que já começou, a despeito do meu planejamento tardio.

As questões de grana nunca afetam meus planos. Sejam eles de morar em Paris ou de me acabar em algum restaurante.

E agora o sonho é fácil. Retomar as rédeas do pangaré.

A casa, os gatos, cachorro, a vida.

Eu sempre estive pronta para transformar o esquema.

Isto não me aflige.

Me aflige apenas a divisão, a negociação que, a partir de agora, deverá ser feita. Hoje e sempre.

Ainda sou dona do meu nariz, mas nunca fui do dos outros.

Paciência, Ana.

Isto eu não tenho.

Então sossega, mas como?

Lá na frente eu vejo até mais gente.

Hoje só esta impessoalidade com assinatura Blue Tree.

Vendo casa

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Passado em preto e branco

Apartamento de bom tamanho.
100 m², 2 quartos arejados, amplas janelas.
Alguns cantos empoeirados, histórias inacabadas, romances mal explicados.
Vendo banheira antiga com pés de ferro fundido, piso de ladrilho hidráulico, pastilhas em cores vivas.
Vendo tudo o que foi.
Casa de sonho.
Alvenaria. Suor.
Causos ocultos.
Gatos que não existem mais.
Tudo a preço de ocasião.
Bairro agradável que já foi mais tranquilo.
Mundo que dá volta.
Redemoinho na sala.
Vendo tudo desde que o bebedouro dos pássaros permaneça cheio e limpo na janela do escritório.

Impurezas

domingo, 17 de abril de 2011

Texto muito bom o do Ferreira Gullar hoje, na Folha.
Como sempre, o que é bom, é pago: só para assinantes.
Se você é, leia: Tragédia em Realengo.

Por aqui, minha vidinha suja de sempre.
Ontem comprei o ingresso e não fui ao teatro.
Antes, encontro com amigos mineiros que há muito não via.
Tanto não via que um casal não se lembrava mais da minha pessoa – que engraçado e constrangedor.
É que eu mudei e vou continuar mudando, eles, talvez, não.

Neste encontro, fiz das minhas, levei uma amiga de outras praias.
Sempre faço isso – misturo tudo.
Pobres moças impuras que empilham os pecados na prateleira da banheira.

Um velho conhecido dos tempos de outplacement aparece afoito.
Email, telefone, mensagem até no Linkedin.
O que ele quer não vou dar porque não quero.
Mas meu instinto de sobrevivência profissional e uma mineirice irritante – que acolhe a todos – fazem com que eu não ignore o chamado.

Por falar em mineirice, recebo notícias daquele moço rico e perdido que foi preso por supostamente matar a namorada grávida.
Novela das sete?
O moço foi casado com uma ex-amiga, bêbada, feia, complexada e que eu abandonei porque não gosto de gente que usa drogas.
Fiquei pensando – cheia de maldade – seria o moço rico perdido pior do que a moça rica complexada?
Sei lá – esse não é meu universo.

Meu universo é dos problemas do cotidiano, não dos épicos com um ego descomunal – drogas, dinheiro, carreira.
Meu universo é do motoqueiro que bateu no meu carro, do gatinho resgatado de uma vala na favela de Paraisópolis que, depois de dois meses de tratamentos contra um protozoário violento, veio parar em casa com 36 pulgas.
Eu fiz tudo errado: coloquei o veneno na nuca, tranquei num quarto cheio de conforto, fui ver os amigos no restaurante argentino e, ao voltar, cancelei o teatro e dei banho no gato. Era para ser ao contrário: dar banho no gato, trancar os amigos num quarto e aplicar veneno de pulga em todo mundo no teatro.
Precisei de pinça para arrancar as pulgas que se agarravam ao felino como muita gente ao passado.
Ele gritava, esperneava e eu esfregava e pinicava.
No golpe final, o secador.
Ele se acomodou, vencido, entre minhas pernas.
E eu ia aquecendo o pequeno e encontrando novas pulgas perdidas.
Hoje de manhã, duas mortas e envenenadas jaziam na almofada onde ele dormiu.
Aparentemente a colônia foi exterminada.

A vida curta das pulgas de favela.
O momento errado de adotar um gato paulista.
A mesquinhez humana ao saber da tragédia dos outros.

Um sábado quente e tão intenso.

Hoje é domingo. Dia de ler todos os jornais, rolar na cama gigante com um gato velho.
Comer Waffle belga às 10h.
Sonhar com Ferreira Gullar e seu saudoso Gatinho.

 

Geografia

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

charmosinha

Eu estou aqui e minha casa, lá.
Mafaldinha, minha gata cinza com uma pintinha no focinho, está partindo.
Doentinha e deprimida pela perda de um companheiro da vida inteira, Bibi, parou de comer.
A vet, uma fofa, está com Mafaldinha na casa dela enquanto viajo.
Segundo me contou, tudo o que a medicina poderia fazer, fez, agora resta apenas esperar que a cabecinha da gata queira melhorar.

Esse mundão sem fronteira tem ônus e bônus.
Bônus – porque conhecemos gentes, coisas novas, paisagens.
Saímos da caixinha com pseudo-segurança e muitas amarras e nos jogamos em mil diferentes realidades.
Ônus porque não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Como penso que 2010 foi tudo ao mesmo tempo agora, 2011 parece estar começando a organizar a vida depois do vendaval.

Não dá para soltar todos os laços e achar que vai ser bolinho.
E nem dá para sentir o peso do mundo como se a Terra girasse em torno de você. Dá, sim, para ir mudando umas coisinhas aqui e ali.

Sabe aquela baianada que você faz para chegar mais cedo?
Não faça. Use o caminho “oficial”.
E aquela mania de não dar bom dia para quem não conhece?
Dê bom dia para todo mundo.
E quando você vê alguém na rua que precisa de ajuda (para carregar um pacote, que não acha um caminho, etc)?
Ajude.

2011 pede pequenas coisas para te fazer melhor.

Eu?
Juro que tenho fé em Mafisliuda.
Hoje eu queria estar segurando a patinha dela e dizendo: “-Bora, nêga!”
Terça-feira, se ela agüentar, estarei lá.
Se ela não agüentar, eu respeito a vontade dela.

Cansada para caramba

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pois é…

Amanhã recebo meu primo em casa. Acho que ele é uns 8 anos mais novo que eu. E vem para descobrir a vida em Sampa. Eu dou o maior apoio. Vem sem data para ir embora.

Nessa aterrissagem, espero ser uma boa co-pilota.

A casa vai ficar animada. Alice, a cachorra que agita mais que o rabo, vai amar.  Os gatos, rabugentar.

Ontem e hoje me correspondi com uma amiga que está numa viagem que era para ser bacanérrima, mas tem algo de pesadelo. Por que Sartre tem razão? E tem gente que acha que o inferno é um horror…

Enquanto escrevo, Bibi, o gato velho está esquelético e muito elegante de frente para mim – ao lado do computador. Eu desconfio que, em outra encarnação, esse gato foi um nobre inglês que morou na Índia. Agora que está velhusco, lembrou dos tempos de faquir. Leleco, por sua vez, está na primeira vida. Como se não houvesse amanhã. E não veio ao mundo para sofrer. Mafalda é só uma gata que ganhou na loteria.

Vovó hoje me disse que me enganaram. Falaram que era Brasil só para me mandar para lugares esquisitos com deserto. Vovó é mais danada que a Hebe e Ana Maria Braga.

Casa!

domingo, 14 de junho de 2009

photo-1911

 

Volta para casa.

Contei 51 picadas de mosquito. Pernas e costas.

Busquei Alice em São Roque.

Cheguei em casa, banho na cachorra. Banho em mim.

Desfazendo mala.

Fazendo compra de supermercado via web.

Gatos carentes.

Preguiça de tudo.

Frio para caramba.

Deixei todas as fotos incríveis em Salvador.

Só semana que vem posso mostrar minha redescoberta da cidade (que não mudou nada desde que morei por lá em 1998) A cidade está mais feia e tudo parece congelado no tempo. 

 

Fui!

O mundo é em 3D

domingo, 12 de abril de 2009

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Feriado em flashes.

No interior de São Paulo, ladrões roubam cabelo de adolescente. Vi fotos do antes e do depois.
Os ladrões fizeram um favor para a menina.
Eu também quero que um ladrão leve minha vasta cabeleira.

Tenho que fazer um texto sobre minha vida profissional.
Escrever sério dá trabalho. Deixo para a véspera da entrega pois minha cabeça está voando para a terça que vem.

dsc_0013Momento trash.
Peguei carona na onda e fui a uma podóloga.
Como o pé tem cutícula.
É algo assustador.
E olha que meu pé é ajeitadinho.

Ovos de doce de leite Havanna.
Prefiro os da Kopenhagen.

3dCinema. Piada Pronta.
Multiplex Unibanco Frei Caneca.
Ontem, a única fila do cinema tomava o correrdor e ia até o caixa.
Osmar Santos foi ver um filme de arte.
Sozinho em sua cadeira de rodas. Emocionante.
A fila não era para o filme que o Osmar escolheu.
A fila: um bando de gente gorda, mal vestida, muitos uniformizados.
Fiel.
Ao lado, o filme que fui ver. Monstros.
Quase a mesma coisa.
Só que sem fila e com óculos 3D.
Em tempo, Monstros é muito fraquinho.

Hoje, li o jornal rapidamente.
Tá fraco demais.
Alice, de castigo.
Comeu a comida dos gatos.
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Semana curta de novo.
Adoro.