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Maior o que está em mim

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Delícia voltar às origens e ver seu passado te tragando feito areia movediça e cuspindo os ossinhos com um cabelo de Debbie Harry.
O rock voltou.
A bike rolou.
A força está me deixando com braços de menino.
A loucura está rondando a praça.
A gentileza acontece.
A paranóia do escritório sumiu.
A faca e a bota foram para o armário.
Amor para todos os lados.
Na rua, na net, ao telefone, em tudo.
E só não dá tempo de trabalhar.

Trabalho enobrece?
Trabalho é andar dez casinhas para trás, no meu caso.
O tal julgamento de Brodsky.

Trabalho?
Tô ralando, minha nega.
Yoga.
Meditação.
Nos intervalos, faço algum dindim.

E estou considerando seriamente me teletransportar para o Japão.
Era uma vez uma Ana.
Durante anos Ana foi feliz.
Mas ela descobriu que, de ponta cabeça, seria ainda mais do que quis.

Segunda-feira, pode me arrancar cada pedaço de carne.
As unhas vermelhas.
O pêlo.
Me arranha inteira.

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Ginástica

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pulo corda.
Administro edifício.
Nado com crianças.
Contrato, treino e acompanho staff.
Algumas vezes, demito.
Acompanho sua mãe que quer ver vitrines.
Faço compras – das mais variadas – para que nunca falte nada.
Corro segunda – mato terça, quarta, quinta.
Volto sexta.
Compro e vendo apartamento.
Estudo online.
Tomo café no belga metido.
Indico a menina para a nova empresa moderna.
Pulo corda.
Ando sempre muito atarefada.

(Rotina puxada
esta de quem não faz nada)

En garde

Em domicílio

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Minha vida agora é venha a mim.
Tirando a ultra organizada com toda antecedência volta olímpica matinal na praça da esquina para o – nem sempre fácil – banho de sol, tenho ficado em casa.
Supermercado, papelaria, farmácia, padaria, fisioterapia preventiva, ginástica, trabalho – nesta ordem -, estou na tal quarentena – com direito a fugas que dariam pena máxima… (restaurante na semana passada, feira livre no sábado – duas horas para cada e retorno à casa esbaforida)
Não, não me queixo, e aprendo muito: minha vida solitária foi substituída pela presença de duas funcionárias, um corpo que não é meu e prisão domiciliar voluntária.

E a doação?
Não ser mais dono de seu exíguo tempo, da casa que comprou com tanto suor.
Ser do e para o outro.

E acordar vazia.
Vazia.

Pensar que a vida é mesmo assim.
Um para lá, dois para cá.
Uma volta e tanto.
Para ter de volta o que eu deixei pelo caminho.

E reinventar a história toda.

La bicyclette

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

On était tous amoureux d’elle… On se sentait pousser des ailes

Estávamos todos apaixonados por ela… Sentíamos crescer asas


Tropicola

Hoje sonhei em francês.
Um sonho cheio de erros de gramática.

E me deu vontade de andar de bicicleta pela cidade.
Ouvindo Yves Montand e sua paixão infantil pela magrela.
Ou haveria algo por trás dessa história?

Sair sob o sol pelas ruas – que, providencialmente, não teriam carros, ônibus, motos.
Seria uma quarta-feira de feriado, um domingo equivocado.
Todos os carros estariam em recall – falhas de freio, de marcha, parafusetas trocadas, rebimbocas gastas…
Os ônibus, em greve.
As motos, em fila indiana para bater o recorde mundial do Guinness Book.
Uma serpente fina saindo de Interlagos, esgueirando-se pela Marginal Pinheiros até a Ayrton Senna, a Dutra, perdendo-se na Fernão Dias.
Cobra coral feita com motos negras, cinzas, vermelhas, motonetas brancas, mobiletes enferrujadas, Hondas Biz (com tudo elas combinam), lambretas e seus clones mais estapafúrdios.

Pela cidade, pedestres, bicicletas, carroças, triciclos, patinetes.
E o sol de primavera.

Vida louca, vida imensa, Cazuza.
Minha bicicleta não tem cestinho ou cadeirinha de criança.
Vou colocando minhas sacolas no guidon.

Quantas vezes caímos ao patinar na areia que cerca o mata-burro da estrada?
E quantas passamos correndo e deixamos tudo para trás?

Depois das amoreiras, do limoeiro-capeta, das carambolas, atrás dos manacás…
Ali naquela terrinha onde passa um veio d’água.
Com pedrinhas de Lafaiete (em português de mineiro).
Minérios e machadinhas de índios mortos.

Foi bem ali que seu bisavô fez um pequeno buraco.
E colocou seu umbigo.
Para você ter uma raizinha mineira.

E a bicicleta?
Ah…
Uma ficou em Cuba.
Outra foi para Recife.

 

Quand on partait de bon matin

Quand on partait sur les chemins
A bicyclette
Nous étions quelques bons copains
Y avait Fernand y avait Firmin
Y avait Francis et Sébastien
Et puis Paulette

On était tous amoureux d’elle
On se sentait pousser des ailes
A bicyclette
Sur les petits chemins de terre
On a souvent vécu l’enfer
Pour ne pas mettre pied à terre
Devant Paulette

Faut dire qu’elle y mettait du cœur
C’était la fille du facteur
A bicyclette
Et depuis qu’elle avait huit ans
Elle avait fait en le suivant
Tous les chemins environnants
A bicyclette

Quand on approchait la rivière
On déposait dans les fougères
Nos bicyclettes
Puis on se roulait dans les champs
Faisant naître un bouquet changeant
De sauterelles, de papillons
Et de rainettes

Quand le soleil à l’horizon
Profilait sur tous les buissons
Nos silhouettes
On revenait fourbus contents
Le cœur un peu vague pourtant
De n’être pas seul un instant
Avec Paulette

Prendre furtivement sa main
Oublier un peu les copains
La bicyclette
On se disait c’est pour demain
J’oserai, j’oserai demain
Quand on ira sur les chemins
A bicyclette