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…”solidão cuja forma final é um confronto com a própria mortalidade”.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

amiga do peito

Aqui no único minuto de silêncio, espero pelo próximo da noite seguinte.

Essa invasão de corpo, de casa, de tudo o que me guardava em mim mexeu muito mais do que hormônios e do que toda essa história de “continuidade “.

Aqui nesse canto fugaz e soturno, meu rabicho de segurança se esvai.
E fico sentada com pernas cruzadas pensando em como me esconder debaixo da mesa.

Enquanto as alegrias falsas correm como rio que deságua em Tietês e Capibaribes, penso nas verdades que nunca ninguém quer ouvir.
Ou dizer.
Que tudo é apenas isso e que não há mágica ou momento eternizado.

A vida pequena nas coisas grandes, médias, minúsculas.
E os riachinhos que não terminam em lugar nenhum.
Água pura e cristalina sem sentido ou direção.

Nunca tive medo de escuro.
É o claro que me assombra.

Resposta

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Aos trancos, a vida que se mistura a poeira.
O telefone que não para, o trabalho que gruda, as mil tarefas, o MBA para “pessoas” bonitas e inteligentes, o dia, a lua, o frio.
E a acentuação do teclado que insiste em não obedecer. Equipamentos eletrônicos.
A barriga que resolveu ficar enorme de ontem para hoje.
Eu rio desse negócio de dizerem que muda a vida, tem plenitude e lalalá.
A graça em saber do ministro que falou tudo o que pensava (eu o detestava e, agora, nutro um certo respeito rebelde…)
E os risos dos que se preocupam demais com o outro.

Hoje, arrumando documentos, mexi na pasta de memórias do meu pai.
Fotos, documentos, pedaços de jornal.
E, curioso, percebi que ele nunca me escreveu.
Um bilhete, uma carta, um recado.
Com ele, tudo falado.
E nada para a posteridade.

E eu aqui com minhas mãos ressecadas de removedor.
Pensando nessa vontade de escrever a esmo.
E nessa coisa maluca que é conhecer gente sem vê-las.
E nos porquês de quem não acredita nas letras.

Mundo vasto mundo.
Nem Drummond te entenderia.

Matei Bin Laden e não mostro a foto

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A garotada hoje engravida e vai logo pedindo aos assessores de imprensa que redijam notas: “vou assumir a minha responsabilidade”.
E alguns colunistas de futebol e cronistas de rapina aplaudem no ato: o garoto virou homem.
Meninos, o garoto vira homem?
Não precisa “virar homem” o garoto que usa preservativo e não só não engravida a parceira como não leva doenças para casa.
Vira homem o garoto que passou de 21, 25, formou-se na faculdade e não ficou na aba do papai.
Tem gente que, com 30, não só vive mamando como ainda leva agregados para lavarem roupa em casa, para papai e mamãe darem comida e ainda espera que os coitados comprem apartamento para ele finalmente se emancipar!
Tenho que dizer: ouvir seu companheiro anunciar que vai assumir a responsabilidade parece aquela sonora/depoimento que todos nós jornalistas já flagramos na porta da delegacia:
– Fui eu que matei. Agora vou pagar pelo meu crime.
Santa cara de pau do agreste de Itapipoca.

Ando amarga?
Sei lá…
Ando pensando que, de um lado, temos meninos que nada ganharam da vida e que ralam bonito para conseguir um pouquinho mais.
Hoje, em meu MBA chiquérrimo e internacional, ouvi a história do moço que era filho de pai pobre marceneiro no sul e que hoje é dono do próprio negócio.
Conheci o menino de Santarém que demora 3, 4 dias para chegar nas obras da empresa da família porque não há avião ou carro que o levem.
E o que passa 200 dias do ano dentro de uma plataforma de petróleo comandando centenas de trabalhadores.

Aí li que o filho do Eike sofreu por ser gordo na adolescência.
E que pilota um BMW de quase um milhão de reais e acaba de comprar um Aston Martin com a própria grana.
Que própria grana?
E menino de 19 anos tem lá própria grana?
Ele que caia na real: a maioria das empresas do grupo EBX, do bilionário Eike Batista, teve prejuízos no primeiro trimestre.
Jorginho Guinle foi o profeta desse apocalipse…

Brasil, querido, hoje ando Rodrigueana.
Se pudesse seria a grã-fina que grita no Maracanã:
– Mas quem é a bola? Quem é ela?

Gratidão e nonsense

domingo, 1 de maio de 2011

Almocinho  hoje com amigas.
Fomos a um lugar que tem espaço para receber crianças.
É que uma tem filho de quase 7 anos.
A outra não quer ter filhos. E ponto.
Aquela está barriguda.
E essa trabalha a sério numa produção independente avançada. Filho de laboratório com pai desconhecido e mãe linda e apaixonada.

Todas com mais de 30, quase 40.
Achei tão bacana. O mundo e suas possibilidades.
Que bom é não ter que ser parte do gado.
E poder fazer tudo errado.
Só para admitir que é humano.
E que vai fazer errado de novo.
(Embora vez ou outra tente acertar)

Caretice essa coisa de ser perfeito.
Magro, rico, com cartão de visita.

Hoje também notei que o “amigo” que recebi em casa, ofereci quarto e comida, paguei almoço, levei para passear…
O amigo me cortou de sua rede social.
Tão divertida a pequenês.
Juro que não é tipo: a vida é muito curtinha para criar tempestade em copo d’água.

Engraçado este domingo.
Acordei e passei o dia achando que tudo anda muito gostoso.
Sorvete de gianduia com direito a repeteco.