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Insônias

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

(re.sig.na.ção)

sf.

1. Ação ou resultado de resignar(-se).

2. Demissão voluntária do cargo exercido ou da graça recebida; renúncia [+ de (… em favor de) : a resignação do ministro em favor do chefe de gabinete]

3. Fig. Submissão aliada à constância e paciência face aos infortúnios; paciência no sofrimento, coragem para suportar os rigores dos infortúnios, constância em uma situação sem que se reaja contra ela, ou sem que o paciente se lamente dela; paciência: “A expressão do rosto não era propriamente de tristeza ou de resignação, mas de constrangimento, e pode ser também que de ansiedade…” (Machado de Assis, Casa velha)) [+ a, com, em, (per)ante : resignação ao sofrimento:resignação com os reveses: resignação na dor: resignação (per)ante a morte]

Houve um tempo em que minhas insônias eram pura empolgação.
Dia agitado.
Hoje é mesmo cansaço.
Antes, lutava com isso.
Hoje, ando resignada.

Será a idade?

Ah! Os anos que passam e a gente que não vai se acalmando.
Vira aquele bicho meio acuado, meio preparando o bote.
O agito externo vira interno.
Tendo paciência para a hora certa.
Sabendo que certo ou errado variam de acordo com a temperatura.

Ah. A idade.

Dois bravos

terça-feira, 5 de abril de 2011

De um lado, o jogador de vôlei que foi “bullyado” pela torcida. Chamado de “gay” à exaustão pelos trogloditas da torcida do Cruzeiro, hoje assumiu ser homossexual e desabafou:

– Eu prefiro não falar sobre isso. Não acho que [minha orientação sexual] seja importante. Quem me vê dentro de quadra e me conhece sabe o que sou. Mas foi uma agressão.”

Do mesmo lado dessa moeda maluca, a atriz Solange Couto.
Com 54 anos de idade e casada com um rapaz de 24, ela está grávida de um menino.
Solange contou que não quer discutir sua gravidez em programas de televisão e que tem sido criticada pela plebe rude. Afinal, “está na idade de ter netos”.

– E o que é idade de ser avó? Por que depois dos 45 a mulher só pode ser avó? Se tiver saúde, vida sexual ativa, onde é que está o senão?
É preconceito, cara. Por que o homem não é tratado assim? É preconceito contra a mulher, e principalmente da mulher contra a mulher.

Ela não tocou na questão de ter um marido muito jovem, o que também pode ser motivo de comentários maldosos.

Ora, minha gente, em pleno século XXI, e Candinha faz das suas… Discutindo opção sexual de atleta e tripudiando do milagre da vida.
Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a chance de ter um filho com mais de 50 anos é de 1%. Explica o jornal que “é de uma britânica o título oficial de mãe mais velha do mundo por vias naturais. Dawn Brooke deu à luz aos 59, em 1997. Antes, o recorde era de uma americana, de Los Angeles, mãe aos 57.”
Ou seja: a atriz é um caso de aplauso. Afinal, deve ser uma experiência e tanto ser mãe depois dos 50.

E o post só começa agora.
Em minha aula incrível de teatro, choque (light) de gerações.
De um lado, a turma de vinte.
A menina bonitinha e hiperativa que não consegue ficar quieta, que não aceita não como resposta que tenta “corrigir” os outros o tempo todo porque já “estudou” teatro.
Do lado de cá, a velharia que resolveu tentar algo diferente depois de ter caminhado um pouco mais.
Entre os meus (com mais de 30 e 40), há uma que está no teatro porque tem fobia de fazer apresentações em Power Point, há uma CEO de empresa de head hunters que resolveu se dar um sabático…
A turminha de 20 também tem histórias. O menino do Paraná que foi morar no Rio para tentar a carreira de ator, não se adaptou e pintou em Sampa. O piloto de avião (brevê pode ser tirada a partir dos 16 anos) que foi fazer aula para acompanhar a irmã, a irmã engravidou e ele acabou ficando…

O meu ponto é: respeitar o outro.
Respeito é algo que se aprende de pequenino.
Não tem contra-indicação e só traz benefícios.
Respeito é o que nos torna uma nação melhor.
Nessa sociedade louca em que jovens viram chefes sem aprender a ser chefiados, em que tudo urge, refletir, ter calma, assumir um erro e aprender com ele são ações em desuso.

Corra, menino, corra.
Para descobrir, como eu, depois dos 30, que o barato é caminhar devagar e curtir a paisagem.

Experiência

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Aquela conversa do tio, do avó, do pai.
Do colega de trabalho que já dobrou a curva.
Você não ouvia quando tinha 20.
Por que, com você, tudo seria diferente.

Na passagem dos 30, fichas começam a cair.
Bem que te avisaram.
Mas você não quis ouvir.

Quanto tempo você teria economizado?
E dinheiro?
E paciência?

Ah, a delícia de sentir a pele ainda macia.
E saber que os cabelos começam a ficar prateados.
Ah, que graça lembrar daquela certeza toda.
E olhar para frente sem saber o que será do amanhã.

Balança mais não cai

terça-feira, 28 de julho de 2009
Humor, pelo menos na legenda!

Humor, pelo menos na legenda!

Esse ano estou sentindo o peso da velheira.

Engordei +/- 5 kg (em um ano) que não consigo perder.
Esqueço as palavras (como o título genial que tinha bolado para esse post).
Tenho dor nas costas com frequência. (E olha que – até o ano passado – eu corria no parque 5 dias por semana, média de 7k / este ano, baixei para dois dias de corrida na esteira + 4 aulas de pilates e 2 de meia hora de abdominal).
Estou ficando mais paciente.
Estou ficando menos ambiciosa – embora ainda tenha o nariz arrebitado que me traz tantos problemas.

Então, uma idéia fixa me pegou.
Tentar melhorar em pequenas coisas do meu cotidiano.
Tenho que confessar que essa é uma (talvez a única) seqüela do sequestro-relâmpago.

Desque fiz as contas com o bandido (e provei para ele que fazer sequestros era péssimo negócio), comecei a olhar os pobres nos olhos.
Não é clichê não.
A violência, a pobreza, a desigualdade são tamanhas (no Brasil e no mundo) que a gente vai ficando cego para isso. A gente simplesmente não vê.
E desde o sequestro insisto em ver. Afinal, acho que foi o que me salvou. Ficar calma. Falar com os caras.

Olho o mendigo, o pedinte, o menino pobre, o catador de latinhas nos olhos.
Para alguns – contrariando todas as teorias – dou dinheiro.
Para outros, digo que não tenho – e abro a janela do carro para falar. Também contrariando a tudo e todos.
E, claro, procuro os meus sequestradores nesse povo.
Se eu achar, denuncio. Paradoxal, não?

E tenho feito – mentalmente – algumas listinhas.
Tenho que parar de comer porcarias. Se já estou assim agora, imagina em 10 anos.
Tenho que aumentar o salário da Antônia (fazer uma poupança para ela + pagar um plano de saúde).
Tenho que poupar para mim.
Tenho que fazer um plano-velheira (um depósito asilo na Argentina com direito a dois potes de doce de leite por semana).
Tenho que dar bom dia para todos que encontro, todos os dias.
Tenho que dar uma força para os porteiros. O que trabalha domingo já está ganhando almoço bacana. Mas não prometi nada – pois não se pode prometer o que não se pode cumprir (e não fiz as contas para saber se posso bancar o almoço de domingo).
Tenho que saber cobrar mais caro pelo meu trabalho.
Tenho que ajudar mais quem me pede ajuda. Muita gente pede emprego – eu sempre atendo, dou retorno. Mas confesso que ainda apago os emails que chegam com Currículos. Acho que o approach tem que ser outro.
Tenho que pensar a sério no porquê de não querer ter filho.
Tenho que ter coragem de deixar para trás as coisas que não quero mais.
Tenho que aprender a me concentrar nas coisas que interessam. Ontem vi um documentário sobre o Ayrton Senna (peguei um pedaço no GNT, fiz beicinho e acabei vendo até o fim).

Nuno e Senna em treinamento

Nuno e Senna em treinamento

Nuno Cobra, o famoso preparador físico do piloto contou que Senna era pura concentração. Que, num dia de corrida, ele só ouvia o barulho do ronco do motor do carro dele. Não ouvia os cartolas, os engenheiros, os colegas de equipe. E só via o carro e o circuito. Passava o cuircuito mentalmente na cabeça. Várias vezes.

Sobre Senna, um capítulo a parte. Lembram quando ele contou que “sentiu” Deus ao vencer o primeiro campeonato? Que teria sentido algo maior e teria saído do corpo durante a corrida?
Pois eu achava isso tudo muito ridículo, e não me comovi com a morte do Senna. Achei um saco. Imagina, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, tivemos uma semana de debate… Que perda de tempo, pensava.
Mas ontem o documentário me tocou.
O menino rico e vitorioso. Que batalhou para estar no pódio. Que abdicou de muitas benesses advindas do dinheiro para estar ali.
Quando morreu, a surpresa: Senna tinha um super projeto social, mas nunca falou disso, nunca colocou a boca na mídia.
Foi um moço bom.
O Senna foi um de nossos maiores heróis.

Enfim, o que admirei foi a concentração, o foco.
Nem as brigas com os colegas – e a pressão enorme – o dominaram.

Enfim, preciso de mais foco.
Chega do tudo ao mesmo tempo agora.
Engraçado é que o Senna morreu com a minha idade.