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Lévi-Strauss e os sábios

terça-feira, 3 de novembro de 2009

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Para um dia diferente, uma frase e uma poesia (a única que sei de cor).

People living deeply have no fear of death.
(Anaïs Nin)

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

(Fernando Pessoa)

Sobre Lévi-Strauss, um trecho da biografia da Agência EFE:

“Era discípulo intelectual de Émile Durkheim e de Marcel Mauss, interessado pela obra de Karl Marx, pela psicanálise de Sigmund Freud, pela linguística de Ferdinand de Saussure e Roman Jakobson, pelo formalismo de Vladimir Propp, entre outros. Também era um apaixonado pela música, geologia, botânica e astronomia.”
Casado pela terceira vez, faria 101 anos em duas semanas.

Eu fiz mestrado em sociologia em antropologia na UFRJ. Meu orientador? Peter Fry. A desorientada aqui levava o orientador para tomar cerveja Santa Tereza. E adorava discutir homossexualismo e questões de gênero. Uma bocó.

Sobre Lévi-Strauss, o primeiro livro que li foi O pensamento selvagem. Foi como ganhar cachaça na mamadeira. Quando ele explica que não há uma diferença de fato entre o pensamento primitivo e o pensamento contemporâneo, entendi que temos mesmo um EGO gigantesco. Palavras do mestre: “Não se trata do pensamento dos selvagens e sim do pensamento selvagem. É uma forma que é atributo de toda a humanidade e que podemos encontrar em nós mesmos, mas preferimos, no geral, buscá-la nas sociedades exóticas”.

Confesso: não é fácil ler Lévi-Strauss.
Apaixonado por uma série de temas (como se vê acima), ele é prolixo, ele é profundo. Eu tive que ralar para aprender a ler. E foi mais fácil ler alguns dos mestres dele (como Durkheim e Mauss) do que ler os textos de Lévi-Strauss. Mas, depois que você decifra a esfinge, é pura cachaça.
Em tempo: viver até quase 101 anos? Quanta coragem.
Sinceramente, gostaria de morrer cedo.
Estou mais para mula nova do que sábia velha.
E não se impressione com minhas leituras. É pura purpurina.

PENTHOUSE

Por falar em novidade, hoje “ganhamos” escritório em novo andar.
E o clima está realmente sensacional.
36º andar – uma senhora vista da cidade. Pé direito de 7,5 metros.
Comidinhas free para todo mundo na entrada.
Sucos e outros agradinhos. (E não é só para hoje – é para ter sempre)
Mesa super fofa, com direito a uma bela bromélia laranja em cachepô descolado de vidro.
Que bonito.
Nunca trabalhei numa empresa assim, que é realmente atenta aos detalhes.

Para quem não se contenta com uma alegria por dia, ao mesmo tempo, reta final para o festival de rock.
Eu estou com foco no Iggy Pop, Sonic Youth e Primal Scream. Mas tem muito mais bandas e todas incríveis.
E estamos trazendo 22 jornalistas gringos: Dazed & Confused, E!, Channel 4, NYT, The independent (o jornal que me obrigaram a ler quando fiz um cursinho de verão na Inglaterra e caí na turma de economia – !), The Guardian, entre outros.
Vai ser um estouro. Iggy cantando e Ana ralando feliz.
Meu ambiente: trabalhar com rádio, 2 celulares e num show de rock.

SQUAT

Aliás, tenho certeza que o local onde desempenhei melhor minhas habilidades foi quando fui garçonete e aprendiz de Relações Públicas num inferninho em Belo Horizonte. Modéstia a parte, eu era boa para caramba em juntar as bandas e recebê-las, atender com eficiência  a clientela e aproveitar o espaço para tocar bateria e acompanhar ensaios e processos criativos de poetas mortos. Mas isso não leva ninguém para lugar nenhum – risos.
Tempo feliz.

Claro que o dia foi bem mais agitado que isso. Tem site de gastronomia entrando no forno, fechamento de revista(s) aos 47 do segundo tempo, twitter for fun…

Mas isso é um blog. Não é um diário.
E não, não vou falar de Tristes Trópicos.

Bom começo de semana curta.

ACINTE

terça-feira, 27 de outubro de 2009

itiswhatitis

Estava demorando. Esse blog aprontou mais uma.
Depois de contar umas boas do nosso passado em post antigo, uma “amiga” ficou encrencada. Relacionamento abalado.
Os bastidores deram pano para a manga.
Confesso: não era a intenção, pelo contrário. Mas palavras ganham vida própria. Eu me responsabilizo. Eu aceito a culpa por contar o que aconteceu em dias incríveis.
E ela também blogou minha vida.
E errou em todas… Da minha suposta crise de relacionamento passando por outros temas espinhosos.
Eu confesso mais uma vez: adorei tudo o que ela escreveu. Mesmo tendo viajado.
Hoje recebo um email do tipo “não nego nada, mas vivemos mais coisas (?) do o que você contou. E isso abalou meu relacionamento e blablablá”.
E o namorido, uma flor de formosura portuguesa, ficou indignado com a mulher “exposta” no mundo digital.
Vem cá: a indignação foi com o blog ou que aprontamos no passado?
O meio ou a mensagem?

Olha, esse blog, como disse minha vó, é um Louvre.
Navalha na carne.

E como esse blog é assim.
Sem freio.
Sem vergonha.
Así somos.

Meu desenho do gambá persiste.
Meu melhor amigo da semana passada eu já esqueci.
E descobri um brother gringo-brasileiro: David Presas. Gente, eu sou o David de saias.
Alma gêmea total.
(embora ele tenha alguns anos de loucura a mais no cv)

E o dia pegou fogo. Cheguei minutos atrás do trabalho.
Tô devendo algumas coisas.
Mas minha mão estava coçando para vir aqui.
Cachaça.

Para quem ainda não sabe, Iggy Pop vai ensaiar pela primeira vez – depois de décadas separados – com os Stooges e aqui no Brasil.
Faz seu primeiro show com a antiga banda em Sampa e sai em tournè mundial.
Eu quero ir ao ensaio!
Quinta e sexta da semana que vem.

Iggy é um Baudelaire moderno.
Ambos meio tortos.

Ele continua um verdadeiro acinte.
Como eu.

1857 – publicação Les Fleurs du Mal. A obra rendeu a Baudelaire um processo pelo tribunal correcional do Sena; uma multa por atentar à moral e aos bons costumes, além de ser obrigado a retirar seis poemas (poesies damnées) do volume original, sendo publicado na íntegra apenas nas edições póstumas, em 1911. Baudelaire também foi alvo da hostilidade da imprensa, que o julgava um subproduto degenerado do romantismo.

Ô vierges, ô démons, ô monstres, ô martyres,
De la réalité grands esprits contempteurs,
Chercheuses d’infini, dévotes et satyres,
Tantôt pleines de cris, tantôt pleines de pleurs…

(Desconfio que a “amiga” eu perdi antes do blog. Bem antes.)

Baudelaire, espera que eu chego lá.

Foto criada em 2009-10-23 às 17.12

Escovou o dente?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Picture-4-18d8345086bb1f70ebe93f13ce4f21f95f2bd1e08_mHoje foi o dia das meninas.
Voltar para o meu pilates, para a minha corridinha de 5 km em trinta e poucos minutos. Encontrar a ex-chefa no personal. Que me conta que chutou o pau da barraca, declarou-se para um velho amor, ficou no melhor hotel da cidade – enfim: fez por merecer o luxo de ter coragem.
Encontrar Fabiana Scaranzi e Mariana Godoy. Lindas, sarcásticas, self-made women com nome e sobrenome.
Aquele almoço que nunca tem hora para acabar. Veneno espetacular.
Falando de todos e de tudo sem o menor pudor.
E inventando novos projetos.

No trabalho, botar emails em dia, preparar os novas estratégias – para  o que já está em cima da hora. Dia sete de novembro, agenda, gente!
Dois dos meus maiores ídolos da época em que eu tocava bateria e andava com uma mini-blusa cortada (e era bartender de uma casa alternativa – Squat), virão ao Brasil e minha empresa está bancando. Iggy Pop (& The Stooges), Sonic Youth. De lambuja, Primal Scream. E mais e mais. Vamos caprichar na peruca porque a lista é de primeira. Eu ainda estou tensa para trazer os meios certos, mas no dia vai ser incrível. E o lugar não poderia ser mais “metafórico”: tudo isso num parque de diversões. Eu nem quero andar de montanha-russa. Hahahahaha.

E fechar os trabalhos antigos. E preparar o espírito para novas aventuras.
E vir com cara nova para começar com pé direito.
E ter que recusar uma super proposta de trabalho. Como cantaram os Stones, You can’t always get what you want.. Se bem que a minha música must-loved dos Stones sempre foi She’s so cold. Taí porque não precisamos de terapia aos quinze anos. É total desperdício de grana.

No twitter, uma leva se vai porque tripudiei o Palmeiras.
A-do-ro falar de corda em casa de enforcado. Está no meu DNA.
E me lembrou uma música dos Beastie Boys. SABOTAGE! jajajajaja (rindo em espanhol)

E esta foi apenas a segunda-feira.
Adoro horário de verão.

Acorda, macacada!

(com minha preferida dos Stooges)