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Capítulo 11 – Vista meu terno

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Generalista seria mesmo alguém que não sabe nada?
Carregava seu tablet para todos os lados – a nova muleta.
Jornais, mensagens, filmes, músicas – uma forma “portátil” de alimentar seu autismo social.

Como passar o tempo sendo ninguém?
Pensava que era uma forma de libertação.
Mas, ao fugir do labirinto, via-se só.
Refugiava-se naquela tela de computador.
E recusava-se a ficar em casa.

Ia a parques, ao café, muitas vezes caminhava sem rumo.
Andava a pé na cidade dos carros.
O estado das calçadas estava cada vez pior.
Era interessante ir ao banco quando não havia clientes.
Supermercados vazios.
Fazer exame de sangue às 16h e ser adulada por um sem número de funcionários ociosos.

Ser rico é outra coisa.
Ser rico é furar filas.
Não encontrar vazios em horários alternativos.

Naquela manhã percebeu um movimento estranho em seu mundo virtual.
Fanstasmas do passado pesquisando sua vida.
Sentiu um certo incômodo.
Talvez esta fosse sua única conexão com o mundo dos vivos.
Descobrir que ainda despertava curiosidade e inveja.
Não gostou.

Resolveu passar o dia em casa sem consultar os oráculos da internet.

casa

 

Sobre os blogs alheios

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Meninas, da minha piscina ao UOL, o lance do momento é o blog da baiana que promete ficar 365 dias sem comprar roupas e acessórios.
Óbvio que espiei, gostei de umas três páginas, curti a idéia e depois enjoei.
Aí, abri meu potinho de doce-de-leite Chimbote (made in Argentina) e a sensação foi a mesma.
Comi e não gostei…

Nessa minha pré-velhice, ando meio com pavio curto.
Nada a ver com a adolescência – quando nem pavio temos.
Estou num momento “me poupe”.
De Obama ao comentário óbvio, passo o facão.

Quero gente interessante, texto rasgante, idéias absurdas.
Essa coisa tatibitati… Ai, santa falta de paciência total e irrestrita.

Semana cheia dá é nisso.
Ontem a reunião de 18h30 foi cancelada e transferida para hoje.
Hoje eu cancelei a mesma reunião e transferi para segunda.
No mundo eletrônico, você nem precisa telefonar.
Manda uma atualização de agendas e pronto.
Ninguém reclama de ir para casa mais cedo.

E o que você acha do guardador de carro que te vê na rua, pergunta se você engordou e se parou de trabalhar – já que está dando banda na Vila antes do anoitecer?
Vai para o trono ou não vai?
Troféu abacaxi…
Ah, claro, isso tendo feito a introdução cafona: “Você sabe que eu te amo profundamente”.
Hombre, ¿por qué te quiero?

Em mundo virtual…
A empregada liga avisando que queimou dois ferros de passar de uma vez (o vaporizador já estava na assistência).
Um minuto depois, você blasfema não perdoando nem a Santa Terezinha, e  dá, ao mesmo tempo, uma geral no Buscapé para comprar o ferro de passar mais barato do mercado.
(Ela também vai acabar com esse antes de você pagar a primeira parcela)

E ainda registra reclamação no Procon via web depois que o WalMart te entregou mercadoria com defeito e se recusa a te mandar outra ou te ressarcir… (!)

 

Do jeito que a coisa anda, vou mandar um email avisando que hoje só venho amanhã.
Fui.

A tal da internet

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Hoje estou com dor de garganta (fraca) e não paro de espirrar…
Gripe, virose?
Talvez seja falta de chocolate no sangue.
Ando com desejo de Nhá Benta, não pode?

Se não é isso, é excesso de cloro.
Eu agora me viciei nas velhinhas da hidro geriátrica.
Hoje uma explicava coisas sobre a água, a terra, o mar e o amor para nosso único mosqueteiro.
E uma moça bem idosa, tremendo e andando muito devagar fez sua aula primeira.
Completa.
Eu, esbaforida, tentando malhar e não perder as conversas paralelas, engoli água, deixei o coração disparar.
Essas mocinhas acabam comigo.
Adoro.

Sobre trabalho, ai minha gente, quanto mais eu rezo mais aparece.
Sobre a internet, minha fiel companheira, te agradeço por mais um dia.
Não ter que pegar o carro para resolver a vida é bom demais.
Não é que eu viva numa bolha.
Mas não ter que enfrentar o trânsito, o almoço em shopping, o elevador cheio da firma…
Isto é bom demais.

E justo por causa de tanto conforto me caíram dois ingressos do show do U2 no colo.
Não digo que quanto mais rezo…
Alguém se habilita?

Apressadinhos comem sushi?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

cartoon-chicken-3

Ontem foi anunciada a morte de David Carradine e nossos amigos internautas rapidamente atualizaram a Wikipédia. A imprensa mundial contou que o ator havia se enforcado em um quarto de hotel em Bangcoc.
Hoje…  A história mudou: assim como o cantor do INXS, o ator teria se asfixiado numa brincadeira sexual. Vexame é dar a nota de correção: o cara não se enforcou com intenção de morrer e, literalmente, morreu de prazer (segundo a legista tailandesa).

Sobre o sumiço do avião da AirFrance, o ministro brasileiro Nelson Jobim já saiu dando declarações. Assim que avistaram uma placa de metal e duas bóias no mar, o ministro – em entrevista coletiva – não só decretou que o local do acidente havia sido encontrado, como que não havia sido uma explosão e que a mancha de óleo avistada no mar era dos tanques do airbus.
O material encontrado foi analisado e constatou-se que não pertence ao avião. E mais: a mancha de óleo também não. A França desceu a lenha: chamaram Jobim de BAVARD para baixo! Tá certo.

Tirando o mau gosto do político que quis aparecer para o Mundo passando por cima de 228 vidas, apressado, em português do Brasil, come cru.

No mundo da internet, come sushi.
Não interessa o que vc faça, se você for o primeiro, tem grandes chances de virar um milionário.
E aí que a porca torce o rabo: o cara viu, chegou, venceu.
Mas os que ficam para tocar o negócio não podem ter a mesma “cultura”.
É preciso planejar.

E deu hoje no BlueBus sobre o Twitter.
Para a Time, o que há de mais interessante a respeito desta plataforma é que nós usuários estamos utilizando o sistema para fazer coisas com as quais os seus criadores nunca sonharam. “Em poucas palavras, o mais fascinante a respeito do Twitter nao é o que ele está fazendo conosco. É o que nós estamos fazendo com ele”.

Para esse post não terminar cheio de ditos populares, vamos de Clarice Lispector. E um conto com um quê de afobação.

No conto Uma galinha (Laços de família) tudo começa como história da Carochinha:
Era uma galinha de domingo…” E a família perseguia a galinha que seria servida no almoço.
Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.”
Mas a galinha foge. E a família corre atrás dela. As outras penosas do galinheiro não mais interessam.
E ela é capturada. Mas “…de pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta“.
E aí não é mais uma simples galinha. É uma galinha-mãe. E vira rainha.
A galinha torna-se a rainha da casa“.

Já a outra galinha, mesmo com todo seu ar de importância não próprio, mas o ar que se refere à áurea que a ela atribuíram, e que de nada valia para sua “vida de galinha”, “pensada com cabeça de galinha”, cabeça porém “vazia, de galinha” e vivendo para seu fim eminentemente de galinha: “até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos”.

O ovo ou a galinha?
Quantas metáforas. Quantas histórias.
E nós procurando bichinhos no chão. Presos no galinheiro.

SAP, não sei quê e outras burrocracias

segunda-feira, 6 de abril de 2009
Tirando sarro da american mummy

Tirando sarro da american mummy

A história: estávamos eu e Fred sentadinhos e felizes num ponto de ônibus em NYC e uma mamãe com seu bebê nos enxovalhou de nosso lugar.
Ela, que estava com carrinho de bebê, quis ocupar os dois bancos para arrumar as coisas de seu pequeno.
Como diz um amigo nosso: criança não paga imposto e, portanto, tem menos direitos que adulto.
Esse é um tipico caso de abuso de poder civil.
E a foto mostra nossa indignação – a mummy está bem no meio!

Por falar em chatice, vou contar um causo do melhor lançamento de marketing do mundo.
O tacape?
A roda?
O pente de cabelo?

Não!!! O SAP.

Sua empresa tem SAP? Se não tem, pecado mortal…
Nenhuma empresa é moderna, grande, poderosa sem o SAP.
É a praga que menos funciona e onde mais se investe hoje…

Sabe o que significa a sigla?
Pensou que é em inglês – afinal, haja marketing…
Errou!

SAP é uma empresa alemã criadora do Software de Gestão de Negócios do mesmo nome – Systeme, Anwendungen und Produkte in der Datenverarbeitung (em inglês: Systems, Applications and Products in Data Processing, em português: Sistemas, Aplicativos e Produtos para Processamento de Dados).
Em 1972, na cidade de Mannheim, na Alemanha, cinco engenheiros, ex-funcionários da IBM Dietmar Hopp, Hans-Werner Hector, Hasso Plattner, Klaus Tschira e Claus Wellenreuther, decidiram criar sua própria empresa de desenvolvimento de sistemas: a SAP AG. Com a Visão: desenvolver um software aplicativo-padrão para processos de negócios em tempo real.
Ao longo de três décadas, a SAP evoluiu de uma empresa pequena e regional a uma organização de alcance mundial. Hoje, a SAP é a líder global de mercado em soluções de negócios colaborativas e multiempresas. A companhia emprega agora mais de 51.000 pessoas.

Vou explicar como o SAP funciona.
Você tem uma viagem para fazer.
Como você é novo na empresa, seu nome ainda não está cadastrado no sistema.
Um chefe aprova sua viagem.
Você leva um adiantamento em dólares.
Com o dinheiro, custeia suas despesas.
Volta e não pode fazer a prestação de contas, afinal, você não está cadastrado.
Mais quatro viagens e depois de brigar até com o Papa, você finalmente é cadastrado.
A moça do financeiro, aquela que cuida das viagens tira férias.
Só ela pode lançar suas viagens e gastos.
Você espera um mês.
Afinal, ninguém do financeiro quer mais te ajudar.
Você é praticamente um fora-da-lei: fez cinco viagens, tirou dinheiro da empresa, gastou e ainda não fez o relatório no SAP…
A moça volta de férias ela lança a viagem. Com erros.
O câmbio está errado – mas você não consegue mudar.
4 viagens têm problemas – e só a moça das viagens pode arrumar.
Mas ela tem que errar no lançamento de despesas de outros funcionários…
Não pode te dar atenção exclusiva.
Depois de muito email indo e voltando para tudo quanto é chefe de financeiro, compras, administrativo e o escambau, você consegue fazer uma prestação de contas.
Aquela viagem mais pobrinha. Uma ida-e-volta para Porto Alegre.
Mas seu chefe foi demitido.
E o workflow tem que voltar.
Ou seja: cada notinha que você lançou será apagada.
Seu chefe novo tem que entrar no SAP e liberar a volta.
Aí o financeiro tem que aprovar de novo a viagem.
E você tem que relançar a viagem.
E se passam 5 meses.
Você não lança nada – porque tudo depende de um email para alguém.
Aí descontam as cinco viagens do seu salário.
Afinal, você não prestou contas.
E o SAP está lá… Fazendo a roda ficar quadrada…

Obrigada, SAP.

Ah, vou criar o novo SAP: Method die Beamten zahlen Ausgaben durch die Gesellschaft (método para fazer os funcionários pagarem pelas despesas da companhia)

SOFÁMOVEL: duas funcionárias que desistiram de lançar notas de táxi no SAP

Duas funcionárias que desistiram de lançar notas de táxi no SAP