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ETA: agora, neste momento

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa menos.”

provérbio budista

 

O tempo é agora.
Quem deixa para amanhã, acaba se surpreendendo.
Eu nasci com um dedo na tomada.
E não durmo se não termino o projeto, o casamento, a história, o tudo.
Eu sou daquelas que não desliga se todas as gavetas não estiverem arrumadas, pratos lavados e guardados. Cinzas de charuto devidamente empacotadas e no lixo.
Eu durmo?

E eu amo os novos tempos.
A internet, a conexão virtual, o romance por fibra ótica.
Tudo o que é virtual pega fogo.
Para quê o real?
A vida pode ser muito mais do que o aqui. Pode ser na Síria.
No Iraque.
No Japão.
E ainda assim real.

Deu errado hoje?
Tenta de novo amanhã.
Tem coisa boa para tentar mais e mais e mais.
E a liberdade?
Fazer tudo o que não pode.
A regra.
O certo.

Fazer tudo errado de verdade.
Ai, mais de 30, mais de 40 é muito mais gostoso.
Vai por mim.

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O cadeado travado

sábado, 13 de março de 2010
2010

2010

Só mesmo uma mulher para jogar Oliver Stone na vala comum dos filmes de guerra. E derrotar um dos filmes mais caros e idiotas da história (que não por acaso foi dirigido pelo ex dela – que fez coisas embaraçosas como Titanic, Piranhas – alguém se lembra da cena dos peixes voando no ar?  – , Rambo II).

O filme é ferradíssimo. Você pode ter pena dos soldadinhos de chumbo americanos. Você pode ter pena do Iraque. Nada disso interessa.
Você sente a guerra como nenhum Platoon jamais conseguiu. E olha que Stone foi condecorado no Vietnã – uma medalhinha vagabunda para quem serve amigavelmente em território inimigo – e seja lá o que “amigável” queira dizer uma vez que você faz parte da nação mais armada do mundo.

A diretora Katryn Bigelow te coloca no meio do campo de guerra. Ela te coloca na linha de fogo. E você tem que escolher um lado. Eu, sinceramente, torcia pela morte. E não tive pena dos insurgentes iraquianos matando gente do lado deles para acertar o inimigo. Eu me vi no filme. E não era americana.

Dei pausa em vários momentos. Para tomar um ar. Pauleira.

Os extras são muito bons. Valem a pena.
(Sugiro ver o filme Dahmer…)
O cenário real é o deserto da Jordânia. Mal vejo a hora de sobrevoar os Emirados Árabes no fim da próxima semana.

E só um longa – e de um verdadeiro mestre – mexeu assim comigo. E a foto mostra que coincidências não existem.
Se você quiser mais: http://www.newsweek.com/id/202730

Um filme sobre vício. E vício “legal”. Acho que desse assunto entendo um pouco. Minha adrenalina talvez seja outra, mas é tão borderliner quanto.

2001

2001

O nome dela é Caster Semenya

quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Responda rápido: qual das moçoilas parece homem?

Responda rápido: qual das moçoilas parece homem?

A sul-africana arrebentou nos 800m. Chegou 2s45 à frente da segunda colocada nesta corrida.
E tem só 18 anos.
Diferente, foi acusada de ser… Homem.
Nenhuma adversária foi cumprimentá-la depois da prova. Recebeu um único abraço: o da bandeira sul-africana.

A polêmica já começou nas eliminatórias. A queniana Jepkosgei liderava uma bateria quando foi tocada por Caster Semenya na última curva. A queniana sofreu uma queda e foi eliminada. Conseguiu no tapetão participar da final. Para perder – sem tombo.

Ser diferente.
Não ser mignon. Não ter o nariz da fada sininho. Não ter a pele alva.
Não fazer biquinho para falar.
Não ter os cabelos lisos e sedosos e louros e brilhantes.
Não comer pouco.
Falar palavrão.
E, além de tudo, ser a melhor do mundo.
Aí ferrou.
Ser diferente, negra e boa para caramba?
Só sendo homem.

No meu caso. Não consegui ser a melhor do mundo. Em nada. Risos.

Voltamos a minha última obsessão
(gosto da tradução do Houaiss – ■ substantivo feminino
1 Diacronismo: antigo. suposta apresentação repetida do demônio ao espírito)

Madonna.

Onde Sean, Carlos e Guy erraram? Onde Jesus acertou?

E voltamos às diferenças. Se uma diferença pesa muito, ela separa? Ou o momento atenua?
E, de fato, existem semelhanças?
Eu não tenho a menor vergonha de dizer: tenho pavor de encontrar meu clone.
Imagine alguém como eu. Seria um horror, um inferno.
Mas meu oposto também é um pesadelo.

Em 2002, voltei ao Brasil com uma sensação muito nova no peito.
Queria fugir. Para algum lugar. Para fora do planeta.
É sério.
Depois de uma longa temporada na ilha de Fidel, vendo gente pobre e instruída sofrer de falta de liberdade, os Estados Unidos se preparavam para invadir o Iraque. E invadiram no dia do meu aniversário: 19/03/2003.
As Torres ainda ardiam nos olhos de Bush. E o petróleo corria em suas veias.
Hoje, abro o jornal: 95 mortos no Iraque. Medo de votar no Afeganistão – moradores temem ataques dos Talebans. No Rio, duas inglesas condenadas por dar o golpe da mala roubada (para receber o seguro). Na política, ex-presidente escapa de acusações pesadíssimas. No barato, o cara usou (muito) dinheiro público em benefício próprio. No esporte, campeã da corrida é suspeita de ser homem.

Quando é que os caras começam a vender passagem para Marte? Eles aceitam vale-transporte? O carro como entrada?