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Travesti

domingo, 26 de julho de 2015

para-raios

Porque hoje, não do nada, saquei quando a gente saiu da estrada.
Diferente do mundo, eu vivo a vida às claras.
Eu não tenho medo nem amarras.
O que eu faço, mato no peito. Sem programa que deleta o que eu escrevo.
Meu aplicativo replica, publica. Grita.
Eu sou 80 em estado puro.
Eu não minto. Nem tenho mais pinto.
E eu decidi que, a partir de agora, quero ser de mais de um. De dois. Ou três.
Vou colocar o dedo na tomada. Eu sempre fui 220.
Vou dar o que me der. Vou dar.
Vou, finalmente, criar, vou deixar quem eu sou ganhar. Eu vou me entregar.
Eu comecei a ir embora.
Eu sou de trás para frente.
Comigo tudo sempre começa do alto, do grande.
Agora eu quero o diminuto.
É hora de voltar ao meu espaço, à minha mesa de sinuca, à minha solidão destemida que vai puxando gente como ímã.
Eu estou chegando em casa.
Eu não tenho mistério.
Senha.

E é por isto que você me quer.

Se Inês é morta, resta-nos o Leite

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pedro e Inês

Doida mesmo foi Inês que, de aia da primeira dama, acabou virando amante do infante que viria a ser rei.
A crítica ácida da plebe hipócrita, o rei que não aprovava, o exílio – nada foi capaz de acabar com a história.

D. Inês, que era belíssima, foi tendo filhos de D. Pedro I: Afonso em 1346, João em 1349, Dinis em 1354 e Beatriz em 1347.
O amor era profundo e a publicidade tão descarada que, em 1355, o rei D. Afonso IV mandou que cortassem a cabeça da mãe de seus próprios netos.
Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês formaram a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas.

D. Pedro I tornou-se o oitavo rei de Portugal em 1357.
Três anos depois assinou a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se tinha casado secretamente com D. Inês.
Mandou matar os algozes de seu amor  (arrancaram o coração de um deles pelo peito e do outro, pelas costas) e fez com que o povo beijasse a mão do cadáver da rainha.
Quando morreu, foi enterrado ao lado de Inês.

E eis que o Leite, antigo e cheio de histórias, criou uma sobremesa bem luso-brasileira: queijo (de coalho) com goiabada (derretida). O restaurante batizou a deliciosa combinação de Pedro e Inês.

Eu, vampira tropical, fugindo do sol em dia que é quase carnaval, entendi de cara que amor é assim: quase impossível e absolutamente perigoso.

Alvo

segunda-feira, 21 de março de 2011

A graça de conhecer as novidades dos velhos mundos pediu a volta.
Quanto mais caminho, menos quero saber.

Minha alma cigana está me deixando.

Conheci um menino que deixa a vida em suspenso esperando o futuro próspero.
Amanhã, quando tudo der certo, promete: vai ser diferente.

Redescobri a menina que não aprendeu com o fim do jogo.
Amarga.

Fui ver de perto a obra do homem que pensou ser imortal.

Eu decidi parar no agora.
(Como hoje)
Um minuto pequeno, com defeitos e pleno.

Meu dia me basta.