Posts com a Tag ‘João Max’

Comprei plumas de galinha morta e caí…

domingo, 4 de dezembro de 2011

carnaval, cheguei

No samba, menino.
Eu ando mesmo impoliticamente correta (sic).

Menino, foi assim como que acordar as pernas e esquentar o peito.
Me enchi de lantejoulas e frevi. (sic)
Na praça do Arsenal, com a turma do carnaval de salão, menino pendurado no pescoço e muitas, muitas marchinhas.

Colombinas, negas faceiras, amores perdidos, amores matados, pierrôs…
Cheguei devagar, com samba de mineiro, e saí cantando e dando pulinhos pelo centro antigo.
No coração dessa alemã de farmácia bate uma alma carnavalesca.
O menino, tão pequeno e gordinho, foi a alegria da rua, pulando feito um cabritinho e sem chorar.
Ai…
Em domingo sem ídolo do futebol, só confete e serpentina em minh’alma.

(E um maltado porque não sou de ferro)

Acaso

domingo, 23 de outubro de 2011

leitura de mão

Aquele que não existe.
Que não passou por aqui.

Duas criaturas separadas por um dia, quatro estórias, um encontro e alguns adeus.
Uma fronteira.

Era uma vez uma história de desbravadores.
A vida que se abriu como trilha a facão
Andanças
Praias
Sertões
Finalmente, paulicéia cheia de pontas
Novamente, montanhas – a separar e a reunir

Eram fotos de peixes, de paradas de ônibus
Inocências e descobertas
Eram certezas verdes
Antagônicas
Suaves como coisas de Cecília

Foi-se a mãe de um
O pai da outra
Ficou a pequena história
E uma pá de cal num veio profundo
Coisas mínimas
Croniquetas de folhetim de bairro

E eis que 0,1,1,0,0 – poema binário do acaso inexistente
O maior caminho entre os pontos
e novas fotos
ao acaso?

Um dia apenas, 15 anos, tanta coisa a contar.
Duas criaturinhas lindas
e novas histórias

Sem pensar

sábado, 14 de maio de 2011

quando tudo começou

Comecei hoje um daqueles MBAs cheios de nome e sobrenome, meio brazuca, meio gringo.
O critério de seleção foi ter grana para bancar – como é doce o capitalismo.
E como é inconsequente o “banco” que me financia.

Eu tenho esse defeito ferrado: invento umas coisas, arrumo argumentos, convenço e faço.
Mas nem sempre acredito no que andei dizendo.
Esse MBA é meu anti-eu.
Processos, análise de risco, múltiplos-projetos, matemática financeira, viabilidade…
Tudo para quem quer planejar e ter certeza de não repetir erros e, ainda, insistir nos acertos.

Puts!

Minha vida de uma década para cá foi só de sorvete na testa.
Saí da Globo, mudei/voltei para Belo Horizonte, troquei um excelente salário por uma vida do avesso.
Fui estudar Direto, virei estagiária da minha mãe ganhando 500 reais – isso depois de estrelar uma matéria de importante revista feminina em que contava como fiz sucesso antes dos trinta.
Minha empregada ganhava mais do que eu – vale transporte e INSS, nego, estagiário não ganha.
Fiquei magra feito um pau: resultado de muito choque na barriga (estimulação russa, querida) e massagens + remédios duvidosos.
Voltei para Sao Paulo, arrumei emprego no Rio.
Despedi-me da Globo em alto estilo (e ganhando menos do que eu ganhava quando saí pela primeira vez).
Peguei dinheiro emprestado com minha mãe (coitada, coitada) e fiz um outplacement.

Quase famosa

Esse negócio é basicamente um purgatório para executivos demitidos.
Para mim foi um playground da reinvenção.
Eles desesperados atrás de uma vaga, e eu, alucinada, criando a executiva do mundo corporativo.
Fui trabalhar numa construtora.
Inventei os caras.
Emplaquei Folha, Veja, Globo, o escambau.
Paguei minha mãe. Virei editora de revista como hobby.
Ganhei dinheiro para caramba.
Minha cama custou 27 mil reais em 2008! Auping – recomendo!!!

Descobri que construtor opera Caixa 2 (eu nunca tinha visto isso de perto).
Limpei a área do marketing – tirei todos os fornecedores, abri concorrência, deixei as contas limpinhas.
Quando a coisa começava a andar, apareceu uma nota fria em meu nome com dinheiro que teria sido depositado em minha conta.
Ferrada e revoltada, bufei três dias, enchi meu peito de ar e meti um processo.
Ex-estagiária de direito, fiz questão de entrar pessoalmente com a papelada.

Me mandei para Nova York com dólar a 2,40.
Voltei e arrumei um emprego muito louco.
No lugar de bandidos, nerds bagunçados.
Não gostei do trabalho, amei o ambiente.
Como é legal trabalhar com gente que não é tão apegado a processos, que não é mainstream. Como é legal trabalhar com o verdadeiro glamour do marketing.

A força de Sansão

Um ano depois, venci o processo.
Dei certo na empresa.
Fui chamada por Deus e o Mundo para trabalhar com eles.
Cai em tentação e caí no chão.

Fui seduzida pela marca de energéticos mais genial do mercado – uma empresa completamente oposta ao espírito Ana Pessoa.
Talentosos em manipulação e branding, adeptos do trabalho escravo.
Cara, o que eu estou fazendo aqui?
Cercada por uma ninhada de tubarões que nunca vão entender que grana não é nada?
Depois de uma volta o mundo, pedi o boné.

O casamento faliu, meu pai morrera meses antes, fiquei me sentindo corajosa e perdida.
Fui para Paris juntar os cacos.
Sem um puto no bolso. De novo.

Quase 3 meses e voltei.
Larguei 18 anos de vegetarianismo, engordei 4 kg.
Cortei o cabelo, fiquei morena depois de anos de Vênus platinada.
Pronta para arrasar.

Faltava virar um lixo emocional de verdade para completar a jornada.
Levantar da cama era minha vitória.
Bebi todas todos os dias.
Os caras nunca deixaram de pintar, mas eles não têm graça.
Homem, desculpe a franqueza, é jogo para amador.

Eu precisava me reinventar de verdade.

Não fui trabalhar na nova empresa de compras coletivas mais quente do mercado.
Não fui trabalhar na nova empreitada do Ronalducho.
Fiz uma limpa na minha rede social – tirei os chatos, os interesseiros, as bichas loucas mimadas. Xô baixo astral mal resolvido!

E, agora, tô buchuda.

O dia em que comecei a nascer

Justo eu – independente, moderna, contra a maternidade.
O casamento voltou pelo golpe da barriga involuntário.
Quase 40. Cássia Eller me protege.

Faço hidroginástica, yoga, massagem ayurvédica, como brigadeiro, chocolate, doce de leite, nhá benta.
Contratei uma doula.
O amor voltou.
Quero agora ter 3 filhos.
Achei todo mundo do MBA amador (não dá para mudar tanto assim: continuo sendo do contra).
Ele, Recife.
Eu, Sampa.
No líquido aminiótico, muito chute ao som de Led Zeppelin. Eclético, treinamento de cobrança de falta quando Beth Carvalho solta o gogó.

Tenho pensado seriamente em escrever um livro.
Não vai ser best-seller. Isso não é Ana Pessoa.

(Mas o blog “Com mais de 40” promete!)

Sob a água

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Uma mania de olhar para trás e sentir conforto.
Um presente que não se encaixou nos planos certos do passado.
Um peso.
Um conto suspenso no ar.

Andando por antigas ruas conhecidas, atravessei o passado.
Leve, solto, partilhado.
E segui sob o resto de chuva a olhar, mais uma vez, para trás.

A urgência de enxergar além do nariz.
A quase-paralisia.
Um caminhar lento.
Articulações estouradas, músculos empedrados, ligamentos rompidos.

Um saber que não há mais hora do recreio.
E que o passado é apenas uma entre tantas interpretações.

Um andar às cegas…
Como um seqüestrado que, depois do pagamento do resgate, é abandonado.

A vontade de ter olhos muito abertos.
O grito abafado.
Enxergar inclusive debaixo d’água.

(Por João)