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Toda hora é hora

terça-feira, 26 de maio de 2009

 

never 

Hoje foi um daqueles dias.

Uns ganham tempo. E tempo, para mim, é literalmente mais dinheiro. Isso é bom. E sou super paciente nesse quesito.

Saí de casa com 20 para 21 anos. São 13 anos “longe” da terrinha. E, justo por conta dessa história do tempo, eu e meu irmão estamos nos vendo mais. Ele tem vindo a São Paulo quase que mensalmente para resolver pepinos. E está sendo ótimo.

Impressionante como ficamos anos separados, vivendo vidas `a parte. O encontro muda tudo. Ver, dividir, rir, estar presente. Nunca pensei que uma coisa chata – o trabalho que ele está fazendo – pudesse se tornar em horas, dias de diversão. Hoje, depois de cumprir as obrigações,  até em casting ele foi. Sensacional. E causou frisson entre as moças. Ele sabe que está podendo…

No mais, nosso próximo encontro “de trabalho” agora só em novembro.

Mudando de assunto, vamos falar de desvalorização do Real.

Em 2005, o cachê para um anúncio de cosméticos com “pessoas reais” era R$8.000,00 para foto e R$12.000, 00 para TV. Hoje? R$3.000 / foto + R$3.000,00/ vídeo. A empresa que faz o anúncio e o produto são os mesmos.

O que será que rola?

A crise?

O creme?

La crème?

E o que são pessoas de verdade? Pessoas de verdade podem ser amigos da produtora, podem ser modelos, podem ser atrizes, gente que saber fazer mímica, surfar, e topa aparar a barba (!) para fazer o reclame.  Pessoas de verdade, segundo o meu dicionário para casting, são:  fotogênicas, aprovadas pelo marketing, que topam ganhar pouco para ter a imagem super explorada.

Você só tem uma salvação se virar modelo de “gente de verdade”: se você nunca tiver usado o produto. Aí tem um quê de ironia fina que supera o cachê.

E se a grana desvalorizou, o mosquito cresceu! Deu hoje nos jornais, na internet:

Má notícia para os paulistanos que vivem nas imediações do rio Pinheiros: o pernilongo Culex quinquefasciatus, acostumado a sugar o sangue dos moradores da região, está evoluindo rápido. Uma pesquisa do biólogo Lincoln Suesdek, da USP, mostrou que o bicho se tornou 20% maior em relação aos animais de outras regiões desde 2004. Aumentou também a resistência do pernilongo a inseticidas. Para o pesquisador, o excesso de poluentes no rio e a correnteza fraca favorecem a multiplicação do sugador de sangue. (G1)

Quem é da minha geração viu o filme A Mosca. O mosquito cresceu, o cachê diminui, o juiz adiou. O negócio é relaxar. Porque com ruga não rola nem casting.

E termino com uma frase que resume o meu modo de ser.

 

“Devem-se escolher os amigos pela beleza, os conhecidos pelo caráter e os inimigos pela inteligência.”

Oscar Wilde

Segunda-feira é um dia estranho

segunda-feira, 13 de abril de 2009

boza3
A segunda promete.
Cheguei hoje e descobri que minha vizinha chata mudou de lugar.
Coitado do Alê e do Jorge. Ela foi para as bandas deles.
Empolgada, voltei minha tela do computador para o local de origem, ganhei mais espaço e não sinto facas nas costas. Que beleza!

Hoje, para queimar o bolo de Páscoa da Havanna (com muito doce de leite e gotas de chocolate), pintou professora nova de Pilates.
A mulher parecia um sargento. Depois, corrida – 7K em 45 minutos. (Deve ter sido influência do sargento). Mas ainda tenho que queimar os ovinhos de doce de leite, o sorvete, o chocolate ganache da Kopenhagen, enfim, tô devendo a alma e mais um pouco. Só fazendo um pacto com o diabo para me salvar…

Aliás, fui na nutri hoje e descobri que o pilates anda fazendo efeito. Depois de ficar dias dependurada de cabeça para baixo com o pé segurando uma bola, o outro pé segurando um bastão, com as banhas da barriga escorrendo, as banhas das costas contorcidas e tudo isso com o abdome contraído, alguma coisa iria acontecer. Fala sério! A tortura foi recompensada!

Amanhã, vou fazer minha estréia nos tribunais. Tenho que ir ao TRT de São Paulo. Contarei tudo em um post após os eventos…

Agora, no exato momento, estou tentando ser atendida pela Tim. É ótimo ser usuária de celular no Brasil. Uma beleza…
CLARO que não fui atendida e tomei três desligadas na cara.
Eu preciso tomar vergonha na cara e partir para outra operadora.
Ninguém merece!

Enfim, vamos em frente.
Porque hoje é só segunda.

domingo, 15 de março de 2009

entrelesmurs

Ontem li e gostei desse post no Twitter:

Brilliant essay on this by M. Gladwell http://bit.ly/dLd7 RT @claudiamm37 you begin to lose yourself the moment you begin to concentrate.
2:44 AM Mar 14th from web

Numa tradução livre, você começa a perder o seu eu no momento em que você começa a se concentrar.

A concentração começa assim: você vai para a escola.
Lá, aprende o que precisa para se integrar e, se tudo der certo, virar um vencedor na sociedade.
Falar palavrão é feio.
Seja agradável e sociável.
Principalmente, você a prende a obedecer.

A família te ensina a se encaixar – a entrar na caixa do que é aceitável. E, quase sempre, torce pelo seu sucesso (leia-se ter uma profissão, casar, comprar muitos bens – a casa, o carro -, reproduzir, morrer).
A escola te forma. Bota na forma.
Pronto para ter o mínimo necessário para enfrentar a selva de pedra.

E você tem esse foco: vencer.

Mas o foco, às vezes, fica embaçado.
Você se formou em medicina.
Mas gosta mesmo é de música.
Quando sai de um show, pensa em como teria sido a vida se…
Tivesse trocado os livros pelo violão.
Mas você nunca vai concretizar isso.
Então vai a shows e conforta essa vontade musical que ficou esquecida em alguma sinapse cerebral.

Ontem vi o filme do poster acima.
A história não vou contar. Vá ao cinema porque vale a pena ver.
Na Oprah (sim, eu vejo Oprah), Sean Penn – meio bêbado, meio sonado – falou na manhã seguinte ao Oscar que Entre les murs esse é um filme como ele não via há tempos. Um filme completo, que tem tudo. Documentário, política, ficção, incômodo.

Penn, o diretor e o elenco do filme em Cannes

Penn, o diretor e o elenco do filme em Cannes

O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes. O júri era dirigido por Penn.
Concorreu ao Oscar e não levou. É claro. É óbvio.

O professor se questiona: o que estou fazendo?
Ensinando? Podando? Conformando?
Os alunos, numa turma multicultural, também fazem perguntas.
E confrontam o mundo como deveria ser do mundo que é.
O modelo ideal versus a realidade.

Estudante de direito eu li A República, de Platão.
Mas não entendi nada.
Não tive a maturidade.

Ora, estabelecemos, e repetimos muitas vezes, se bem te recordas, que cada um deve ocupar-se na cidade de uma única tarefa, aquela para qual é melhor dotado por natureza
Platão, A República, livro IV

“A República” (Politéia), foi escrita entre 380 e 370 a.C., quando Platão tinha mais de 50 anos.

No livro, o cenário onde o reunião acontece é a casa de um homem rico, o velho Céfalo, que põe o salão à disposição dos intelectuais, políticos e artistas para discutirem filosofia e assuntos gerais. Participam Sócrates, os filhos do dono da casa, Polemarco, Lísias e Eutiderno, Timeu, Crítias e Trasímaco.
O debate busca determinar como constituir uma sociedade justa.
Como tal não existe na realidade, os participantes se dispõe a imaginá-la, bem como determinar sua organização, governo e a qualidade dos governantes.
Para Platão, a educação (paidéia) seria o ponto de partida e principal instrumento de seleção e avaliação das aptidões de cada um.

Alma = apetite + coragem + razão

Sendo a alma humana (psikê) um composto de três partes: o apetite, a coragem e a razão.
Todos nascem com essa combinação, só que uma delas predomina sobre as demais.
Se alguém deixa envolver-se apenas pelas impressões geradas pelas sensações motivadas pelo apetite, termina pertencendo às classes inferiores.
Por outro lado, se manifesta um espírito corajoso e resoluto, seguramente irá fazer parte da classe dos guardiões, dos soldados, responsáveis pela segurança da coletividade e pelas guerras. Se o indivíduo se deixa guiar pela sabedoria e pela razão é obvio que apresenta as melhores condições para participar dos setores dirigentes dessa almejada sociedade.

Justiça

Desta forma, com cada indivíduo ocupando o espaço que lhe é devido, a justiça está feita.
A Justiça (dikê), para ele, seria a necessidade de que cada um reconheça o seu lugar na sociedade segundo a natureza das coisas e não tente ocupar o espaço que pertence a outro.

Crítica

Aristóteles, discípulo de Platão, questionou: a cidade é a “unidade da multiplicidade”, composta de pequenos grupos e pessoas que são distintas umas das outras e que fazem questão de manifestar abertamente a sua distinção.
Na cidade ninguém quer parecer-se com o outro.
Seria, então, antinatural exigir uma uniformização ou padronização total, como sugerem os moldes platônicos.
Para Aristóteles, a tese de entregar o poder apenas a um segmento da sociedade era contradizer a vocação essencial da cidade, que é ser regida por leis comuns a todos e não apenas por um setor dela, por mais qualificado que o governante pudesse ser.

A(s) pergunta(s) que ficou(aram) para mim – e que anda indo e vindo há anos – é (são):

– Faço o que quero?

Faço o que gosto, uso minhas aptidões?
Até onde vão os estragos produzidos pela família e pela escola e até onde influenciaram minhas decisões?
Há como fugir disso?
Um dia me realizarei?

Platão escreveu A República já maduro.
Eu tenho um longo caminho para soltar as amarras de 34 anos seguindo a cartilha.
Mas dei o primeiro passo. Tomei consciência.
E preciso reler A República.