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Fio de luz e as vespas

terça-feira, 18 de outubro de 2011

tosco e limpo

Dormindo pouco – como me sinto melhor.
Viciada em comprar algodão em rolo.
Fazendo bolinhas com as mãos.
E o mundo gira, gira, gira, gira.
Aqui dentro, músicas de todos os tempos.
Manhattans, Áfricas e Casablanca. Ad Dār al Bayḍā.
Um ritual sufi na Via Láctea.

Deus é amoroso.
Mas faltou trazer meu negroni.
Quero aquele gole que o velho uruguaio me ofereceu em Punta.
Desci da bicicleta motorizada. Olhei para a cor de laranja e ele, elegante e desafiador, ofereceu.
Bebi sob o sol de 21h.
O bar aplaudiu e a bicicletinha me levou longe e rápido.

fina e sujinha

Sem saber se venta ou faz calor.
Sem querer saber.

E eis que um fiapinho de luz entrou.
Revelou os dedos do pé direito.

Sumiu o frio, pensei em Havanas, Jardins Botânicos, janeiros em São Paulo.
Comecei a contar.
Um, dois, três, quatro, cinco.
Cinco dedos, cindo dias, cinco noites, cinco semanas, cinco – tantas coisas.
Cantar – eu sou multicoisas.

Saí de mim e fui viajar.
Deu vontade de nadar.
E as árvores balançavam forte – eu vi.
Como um furação no Caribe.
Cabe uma árvore dentro do apartamento?
Só a de 30 milhões de anos, Pinus succinites.

Calorzinho bom.
Musiquinha caipira.
Drink dos anos 20.
Cheiro de limão capeta.

Uma tarde de âmbar.

Pelas ruas

segunda-feira, 4 de julho de 2011


Carregando mais peso, os passos lentos, o tempo é outro.
Três horas cruzando o país, dois gatos na cabine – nem um miado e uma curiosidade amansada.
“Casa” – um apartamento modernete, dois quartos, dois banheiros, muitos equipamentos eletrônicos, um calor viscoso, janela.
Foram sentir maresia.
Para começar a aclimatar, Olinda.
Comer polvo com leite de coco, ver árvores, sentir o Brasil onde ele é mais português.
De azeites, ladrilhos, cerâmicas, rendas, bacalhau. (um desconhecido francês disse detestar o peixe salgado. Bom mesmo é ter Sarkozy e Dominique Strauss-Kahn no cardápio).

No fim da tarde, enfrentar a multidão na feira de artesanato do Centro de Convenções.
Madeiras, panos, sementes, palhas, literatura de cordel, comidas com nome estranho e gosto familiar – mungunzá; bolo de macaxeira; se der, arrumadinho, e se não der, escondidinho.
Vim para uma semana.
Penso em transformar em duas.
Deixar São Paulo, reuniões, médicos, aulas para a terceira idade, pó de obra, empregada nova – deixar tudo o que é realidade para trás.
Café da “Mére”?
Tapioca com queijo coalho, mungunzá, chá de manga, maracujá e laranja e meio mamão para rebater.

Às vezes penso que só mesmo complicando primeiro é que desembaraçamos os desvios por completo.

O caminho mais difícil

domingo, 6 de fevereiro de 2011

com mamão picado

– Merda.

Mais um domingo acordando sozinha e muito cedo.
Depois de uma hora preguiçosa na cama lendo nada no jornal, preparar o café.
Dieta nova.
Ovo mexido com presunto de peru.
Suco de laranja espremida na hora.
Nada mal.

Na segunda laranja, a raiva do mundo, daquele papo chato, daquela preguiça, de tanta indecisão, a raiva passou.
Suco de laranja pera.
Sol forte lá fora e nem eram oito horas.

Comida para os bichos.

Preparei o ovo – 2 colheres de leite desnatado, fogo baixo.
Piquei o presunto: olhando assim, era até muita comida.
Comecei a espremer laranjas.
Tríceps – apesar dos maus tratos, o músculo resistia de pé.

Mamão picado no liquidificador.
Laranja com gominhos.
6 cubos de gelo.

Ovos mexidos, torrada, suco.
Domingo de sol.
Raiva do quê mesmo?

Passeio no Ibirapuera.

Da minha natureza

sábado, 31 de outubro de 2009

picole

Quem diria que teríamos um sábado de sol daqueles de se jogar e ficar lagarteando na grama… Delícia.

Pintei minhas unhas de laranja para combinar com o clima. Nosso editorial da revista vem com “pink flamingos” de 1,5 m feitos de acrílico. Peguei dois e trouxe para casa. São chiques e divertidos ao mesmo tempo.

Aliás, estamos em pleno fechamento da última edição do ano. Desta vez foi pesado para a produção. Criar um clima de verão em meio às chuvas de outubro. Para mim, é “pesque e pague”.
Essa onda do FLÚO (nosso velho e conhecido neon) é diferente: tem algo de brega, muito de alegre e uma pitada de cor forte que te joga para cima. Eu, branca de leite, chegada num preto, estou hipnotizada por minhas unhas fluo-laranja. Engraçado como o calor muda tudo: até o corpo muda.

No francês, suave e sonhando com a volta a uma Paris de menina, pesquei duas rimas probres que me encantaram. Bonitas se lidas na língua de Bardot.

Je veux te voir des etoiles dans les yeux. Je vous invite à entrer dans la ronde!

Seguindo a deixa de que a maldade anda muito na cabeça das pessoas, twittei. Não passou um minuto e recebi um comentário obsceno de um desconhecido. Reli. Tem algo de devasso nas frases – se você fizer uma tradução tabajara muito ao pé da letra. Mas o convite é para a discussão. Dei uma resposta engraçada-ferina e bloqueei o cara. Abusado.

Penso nos que vivem em cidades cinzas. Que melancolia.
A São Paulo que habito é meio carioca. Vila Madalena. A São Paulo onde trabalho é Manhattan tupiniquim.
Minha empresa – que agora estou começando a gostar, será síndrome de Estocolmo? – tem cores. Fala multilínguas: gauchês, carioca, paulista, espanhol de todo lado (Colômbia, Peru, México), inglês. É pink flamingo.

Sobre música. Tirando meu compositor preferido de todas as horas, meu companheiro das tardes sem trabalho – quando as madrugadas eram intensas e caretas de jornalismo ao pé da letra -, Eric Alfred Leslie Satie, tenho ouvido muito Michael Jackson. Tão diferentes, não? Um morreu deixando centenas de guarda-chuvas no apartamento. E o outro morreu, eu creio, porque em vida, andava estragando a própria obra. Agora que é um poeta morto, voltou a ter força, voltou a ser grande. E ele é muito bom.
Ambos detestavam o sol.
Eram muito excêntricos. Satie só comia comidas brancas. Ovo, nabo, leite. E se alguém tiver um exemplar de Mémoires d’um Amnésique, eu compro! De verdade. Voltando ao Michael, minha música preferida foi interpretada pelo guitarrista mais metido (e qual não é?) e que tenho ouvido muito desde o ano passado. Bela combinação.

O engraçado é que procurei o vídeo no YouTube e o menos pior (sem narração) foi o da Globo. Pedala MTV, pedala Record!

Bom, sábado de sol. Música. Aproveitem.

E para não dizer que meu coração ficou quentinho, dou adeus com uma palavrinha bem interessante. Em inglês é asséptica, quase boba. Notei a sutileza ontem, na segunda garrafa.

Wanton.

Devassa, não a que – de tempos em tempos – fazem nas contas de políticos e empresários – e não dá em nada.

Dicionário (Google/Tabajara):

substantivo
  1. criança alegre
  2. devasso
  3. libertino
verbo
  1. agir ousadamente
adjetivo
  1. abundante
  2. arbitrário
  3. brincalhão
  4. deliberado
  5. injustificado
  6. intencional
  7. lascivo
  8. lânguido
  9. luxuriante
  10. malicioso
  11. pródigo
  12. sensual
  13. travesso
  14. atrevido
  15. temerário

Que palavra boa. Abundante de significados. Uma aura meio malandra. Mas que não afasta ninguém. Ciao.