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O pão impossível de cada dia

terça-feira, 17 de julho de 2012

prato vazio

E abriram a Le Pain Quotidien do lado de casa.
Saudosa de meus tempos sem lenço e com muitos dólares em NYC, fui logo matar as saudades.
Preparada para umas adaptações brazucas, fui surpreendida pelo cardápio: é o mesmo da rede lá fora.
O MESMO!
E, claro, sem demora, pedi o de SEMPRE…
Meus cereais matinais, a tigela de frutas, uma cestinha de pães, um bowl pequeno de café com leite.
A cachorra, pobrezinha, ficou do lado de fora – eu sentada e quentinha, ela na rua, olhando para mim com cara de abandonada.
Eu vendo a cara peluda e pensando nas inúmeras vezes em que quis levá-la comigo para dar umas voltas no Central Park mas fui impedida pela burocracia dos dois países.
Escolhi um assento na animada mesa coletiva.
Adoro ouvir as conversas dos outros, compartilhar a geléia, assuntar qualquer bobagem com um desconhecido.
Enquanto esperava pelo atendimento, encontrei a dona de uma cachorra que brinca com a minha; acenei para dois vizinhos queridos.
Fazia frio. As bochechas estavam rosadas.
Minha fome ultrapassava o que uma cesta de pães pretendia saciar.

E o garçom não veio.
Esperançosa, fui até ele.
Fiz o pedido.
Incluí ovos cozidos no meu pacotaço de desjejum.
Meia hora…
Vieram os ovos.
Mas não os talheres, o guardanapo, o sal.
Vinte minutos, a cesta de pães… Itens em falta: justo o pain au chocolat…
O suco de laranja, esquecido.
Mais meia hora.
Uma hora.
Abordei outro garçom, fiz sinal para o gerente.
Chegaram os talheres.
O ovo esfriou.
E com ele minha graça amarela de achar que, em casa, sentiria gosto de mundo afora.
Pensei no meu nouveau-richismo…
Nessa mania de achar que o que vem de fora é melhor do que há aqui.
Aos poucos, meus pratinhos foram chegando.
Todos muito parecidos com os da loja franqueada de Nova York.
Mas desencontrados.

Tudo embaralhado, desconjuntado, tudo sem a graça despojada de ser mais um na Grande Maçã.
Pedi a conta, paguei mesmo sem ter recebido a limonada com hortelã.
Observei os vários clientes desapontados com os serviços.
Os alegres que fotografavam rolinhos de canela.

De barriga cheia e com uma fome danada, voltei para casa.

Na terra do pó e do pano molhado

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Eu sei que você é aquela pessoa moderna que não tem auxiliar de faxina e que resolve tudo com muita facilidade.
Eu um dia vivi essa ilusão.
Até que acordei às 7h30 com a notícia de que Lourdes não viria.
Ao fim do dia, saldo mais do que positivo.
Casa limpa, gato cheiroso, jantar quentinho.
Trabalho avacalhado, cabelo molhado, email entupido, pagamento atrasado.
Ah! A vida como ela é.

Lendo a história do criador da cadeia Le Pain Quotidien, senti-me mais humana e possível.
Para chegar ao tal “lá”, o belga Alain Coumont teve literalmente que comer o pão que o diabo amassou.
Largou a escola de culinária tradicional e aventurou-se nos Eua.
Foi chef de ricaços que deixavam latas de 2kg de caviar pela metade e o faziam acordar às 3 da manhã para preparar ovos com bacon.
Ao voltar para a Bélgica, tentou abrir um restaurante, mas foi enrolado pela turma do mercado financeiro.
Tentou de novo, deu certo e tomou um cano dos sócios.
Começou tudo outra vez.
Eventualmente, prosperou.

E eu adoro o mingau de aveia da rede dele.
E, quem sabe, o cereal não seja a solução ou a inspiração para uma vida menos maluca?
Muito se tem estudado sobre a beta-glucana, uma fibra solúvel encontrada na aveia.
Ela ajuda a diminuir o colesterol sanguíneo, a reduzir a pressão arterial e a controlar o diabetes.
A fibra absorve água no intestino e forma uma pasta viscosa que ajuda na captura do colesterol dos alimentos e diminui sua absorção para o corpo.
A parte de fibra insolúvel da aveia é responsável por reduzir a chance de ter diverticulite e ainda ajuda a eliminar substâncias que podem levar ao câncer.
A aveia contém muitos antioxidantes que previnem o envelhecimento e o aparecimento de doenças, contém zinco que auxilia na diminuição de acnes e melhora o sistema imunológico e ainda contém boro, importante para a saúde dos ossos.

Bora tomar mingau de aveia e comemorar o fim de mais uma semana?