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Ressaca

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quando chove na metrópole, o mundo para.
Árvores desistem.
Faróis de carros parados criam uma atmosfera de filme noir.
Meia-luz e céu sem estrelas.

Eu? “Elucubrista”.
E o pau que a Yoani anda tomando?
Como se o governo da Ilha merecesse mesmo qualquer defesa.
Enquanto isso, a Venezuela reedita seus fantoches.
Se fossem checos, talvez tivessem graça.
No outro continente, heróis da perna de pau enjaulados.
Chinês que paga por cirurgia plástica em cachorro.
E moças que se autodenominam “rycas”.

Os dedos coçam para ler toda poesia de Leminski.
Fazendo as contas, tenho 6 anos para beber mais do que ele.
Por que poesia…
Tmbém posso começar a fazer judô.
Por que não?

No Rio, faz 40oC à noite.
Como filhos fiéis, todos de cervejas a postos e pés na areia.
Rio.
Pouquinho.

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando
(p.l.)

Na terra, na água, no ar

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

céu

tarde

Enquanto vôo como pardal faminto (agora num Gol a caminho de Sampa), tenho acompanhado com apetite a novela Esperança 2.
Ela é mais um sucesso da TV que estréia em novo formato.
Uma história de polícia e bandido com discurso oficial transmitido pelos telejornais.
Cenário: Rio de Janeiro.

O poder de um discurso.
Como jornalista precocemente aposentada, tenho celebrado a cada dia minha decisão de flanar em outros terrenos.
Quando leio opiniões de ex-colegas de trabalho sobre a tenacidade da equipe que acompanhou as incursões na Vila Cruzeiro e no Alemão, eu penso em Tim Lopes.

Tim era um jornalista à moda antiga.
Foi um amigo quando entrei na Globo.
Me levava para o café, contava causos, ajuda.
Eu, fantasiada de boneca que aparece na telinha, comi o pão que o diabo amassou.
Caras, vocês não sabem o que é cair de pára-quedas neste mundo maravilhoso dos Bozós.
Nego torce para você cair.

Eu.
Excesso de opinião e incompatibilidade com o coiffeur e um talento danado para não me encaixar numa baia.
Talhada para escolher o caminho mais difícil

Bom, esse discurso todo é para dizer que, para mim, Tim foi longe demais em sua dura tarefa de garantir a comida no prato.
E sua empregadora não surpreendeu ao deixá-lo à mercê da sorte.
Hoje, vendo a tchurma iludida com esse papo de “momento histórico”, confirmo que meu mundo é outro.

o*o*o*o

Do outro mundo.
Estou viciada em Mad Men.
Acho que algumas vezes nos “vemos” nos filmes, nos livros, na arte.
As histórias subliminares.
Mad Men é muito da minha vida hoje.
O publicitário Junior, o sênior, a secretária, a dona de casa – eu estou todos ao mesmo tempo.
E a sensação de segurar as pontas por um fio que se esgarça é universal.

o*o*o*o

Eu queria ser porra-louca como Leminski e Vinícius.
Mas o máximo que consegui foi ser um pouco menos certinha do que os meus.
E isso já dá muito trabalho.

Mal vejo a hora de encerrar 2010.
Esse ano foi uma montanha russa.
E minha versão 3.6 promete.