Posts com a Tag ‘Lewis Caroll’

Buscando um papel

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ultimamente tenho me ligado em questões de gênero.
Talvez seja a idade.
Mas não posso deixar de defender um ponto: homens e mulheres andam perdidos, perdidos.

As mulheres, com soutiens em chamas e peitos despencando, decidiram dar uma banana para os homens.
E nenhuma, nenhuma mesmo, liga muito para o fato de não ter ganhos equiparados aos deles.
A questão é poder fazer tudo o que eles fazem e mais: ainda serem mães deles e dos filhos. Tudo?
Eles, encolhidos na perda do papel de provedores alfa, ficam na defesa.
E reclamam, pois não conseguem adivinhar o que mais elas querem.
Antes, era só um puxão de cabelo e uma penca de filhos.
Depois, houve a fase Liz Taylor: jóias, viagens, uma casa no campo.
Hoje ela puxa o cabelo, dá carro e ainda manda que ele lave a louça. Pode?
No fundo, creia em mim, elas querem ser mulherzinhas.
E eles, machinhos dominantes.

É um círculo vicioso.
Elas mudam o mundo, comem a vida pelas bordas, eles se encolhem, ficam perdidos, gritam, e ninguém se entende muito bem.

Hoje, numa daquelas conversas que pintam de quando em vez, o moço contou que está trabalhando loucamente e que a mulher, com filhos de 3 e 1 ano, deixou a profissão para virar mãe em período integral.
Não conheço o moço e nem tive interesse em me aprofundar em assunto tão íntimo, mas ficou no ar aquela sensação de que eles sabem que perderam o equilíbrio e que andam arriscando muitas coisas numa corda bamba.
Eu, particularmente, não quero falar da minha vida pessoal.
Só devo dizer que é muto difícil ser mulher moderna. Homem então…

Essa sensação falsa de autosuficiência não cola.
A gente é bicho. Vive em comunidade. Temos hábitos sociais. Precisamos do outro.

Eu ando com uma pulga atrás da orelha.
E ela, doutoranda em Lewis Caroll, vive gritando:
“-É tarde, é tarde… É tarde, é tarde, é tarde.”

Alice, minha cachorra, o livro, a imagem

quarta-feira, 24 de junho de 2009
Foto de Divulgação

Foto de Divulgação

Alice é uma menina levada que “nasceu” em 1862. Entrou em uma toca atrás de um coelho falante e caiu em um mundo fantástico. Muitos enigmas contidos no livreo de Lewis Caroll são quase que imperceptíveis para os leitores de hoje, pois continham referências da época, piadas e trocadilhos que só fazem sentido na língua inglesa.

Minha cachorra se chama Alice. Encontrada por uma ONG que recolhe bichos das ruas, foi colocada para adoção num supermercado e levada para um apartamento na Vila Madalena. Hoje come comida orgânica, passeia todos os dias, toma banho uma vez por semana e já conhece Rio, Belo Horizonte, Salvador e Campinho – um paraíso tropical.  Adora lagosta e camarão. Mas não dispensa um resto de comida encontrado no chão. Risos.

Alice é mítica. Win Wenders já a retratou em um filme incrível. Alice foi o nome que deram para minha sogra quando no Brasil chegou, vinda do Japão. O nome dela é Yuki, mas Alice seria mais fácil para ela ser “recebida” pelos paulistas. As histórias de Caroll  foram inspiração para a música  I AM THE WALRUS, dos Beatles. Alice no País das Maravilhas é uma das obras escritas da literatura inglesa que tiveram mais adaptações na história do cinema, TV e teatro.

Carol, se vivo estivesse, e se morasse num país onde a lei é respeitada, com certeza estaria preso ou na capa de uma revista tipo imprensa marrom. Ele gostava de desenhar e fotografar meninas nuas, tudo com a permissão das mães. “Se eu tivesse a criança mais linda do mundo para desenhar e fotografar”, escreveu, “e descobrisse nela um ligeiro acanhamento (por mais ligeiro e facilmente superável que fosse) de ser retratada nua, eu sentia ser um dever solene para com Deus abandonar por completo a solicitação”. Por temor que estas imagens criassem embaraços para as meninas mais tarde, pediu que, após a sua morte, fossem destruídas ou devolvidas às crianças. Quatro ou cinco fotos ainda sobrevivem.

E no estranho mundo de Tim Burton, Alice ganha novas cores. Mais sinistras – embora berrantes.

Fotos de Divulgação

Fotos de Divulgação

Todo esse posto para repetir uma frase que, para mim, faz todo sentido:

“Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e, então, pare”. Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas)