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Xotes e Fricotes

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cheguei – primeira vez que viajo sem meu computador em anos!
O iPad me força a cometer erros de grafia abomináveis…

Camisa Listada

Cheguei cedo, fui liberada rapidinho na imigração, li “50 anos a Mil” em cem minutos – divertido e louco.
O dia, ao contrário de todas as previsões, foi lindo e até um pouco quente.
De tarde, tive que enrolar o casaco na cintura para sentir o ar do SoHo.

Vim – mais uma vez – para Nova York.
Vim acertar contas.
Vim nadar contra a corrente que me arrastou no último ano.
Depois de 11 anos, tomei um pé na bunda.
É isso – a seco mesmo.

Então, vamos arrumar a casa fazendo o que eu faço bem.
Viajar.

Já de cara encontro com aquele VP amigo na rua – sem marcar.
Union Square, Woolster st, Time Square, Lincoln Center, Park Avenue, Madison.
Vou no “meu” hair stylist que, por acaso, faz a cabeça de Olivia Wilde, Catherine Z. Jones e outras mocinhas que querem aparecer…
Peço para mudar tudo: raspe!
Coloca aplique, pinta de louro, arranca – eu não quero mais esse cabelo e essa cara de quem não deu certo.

Ele ri, lembra do meu louro fatal, faz o chá e fala: não vou mudar nada.
– Esses “barbeiros” brasileiros são mestres.
Seu cabelo está perfeito. Perfeito.
E eu não vou mexer.
Vou cortar mais um pouquinho só para sua loucura passar, vou te dar um ar menos moderno e mais Louise Brooks.

Cortou, cortou – falamos da Bahia, nos abraçamos, ganhei uma foto da última NYFashion Week.
Ficamos de nos ver em abril.
– Tira uma foto para eu levar para o Vidal Sassoon.

Compras e encomendas resgatadas, ando pela cidade.
Metrô. Caminhada.
Vejo as pessoas.
Tomo aquela sopinha de lentilha que tanto me encanta.

Louise Brooks.
Frio delicioso.
O que essa cidade tem ou o que eu tenho que faz a gente se dar tão bem?

Contei do motorista haitiano?
Viemos falando francês, criolo, inglês.
Ele pegou minha mala e nos abraçamos longamente.
– Tenha um dia bonito.
– Tenha uma vida boa.

E fiquei com o Central Park ao fundo pensando que é muito bom ter coragem e uma certa loucura pela vida.

Almodovar sem acento

domingo, 11 de outubro de 2009

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Dia tao interessante ontem que topei fazer algo que odeio com todas as forcas. Usar o computador do hotel.
Cafe da manha politicamente incorreto: pain au chocolat, limonada organica, bowl cheio de berries. Almoco anorexico: meio copo de cha gelado.
Cineminha no Lincoln Center e… Almodovar. A Mari, supercool, perguntou: “Aquele nao eh o Almodovar?”. Eu, supermetida a saber tudo: “Imagina”.

Era. E tropecamos nele.
Coisas de New York Film Festival.

Entramos na sala de cinema. Eu pensando: 16 USD por um filme novo do Almodovar, legal.
Nao era um filme novo. Era ele em persona. Mostrando filmes que o influenciaram e homenagens que fez a estes filmes (sequencias e mais sequencias) em seus proprios filmes.
Superironico (adoro), inteligente, ferino. Meteu o pau na cultura americana e na ignorancia da massa. Falou por metaforas, com elegancia. Sobre o caso do Polansky, acusou o povo americano de ser futil e hipocrita. Fui ao delirio. E a plateia, meio sem entender ou meio se auto-criticando, aplaudiu.

Alem da polemica (que para mim eh algo afrodisiaco), ele falou de um idolo (meu e dele). John Cassavetes.
Eu acho que minha vida caberia no roteiro de A Woman Under the Influence (1974). Nao me faca perguntas. Nem seja besta de pensar que sou uma maltratada pelo marido. Eh que tenho algo de Gena Rowlands. Never the beauty, never so stupid…
(!)

Completamente “adrenalizada” avancei sobre a 5th. Com tempo para encontrar(mos) um moco que conhecemos no aviao e que, logo, virou companheiro de Fashion’s Night Out. Nao ficou dolar sobre dolar. O primeiro Herve Leger preto, justo, cavado e tecnologico (pois nao deixa uma coisinha fora do lugar) ninguem esquece. Se nao for pelo efeito, eh pela conta bancaria.
Tentada a atacar Louboutins e Yves Saint Laurents, corri para MeatPacking.
So o Pastis Salva.

E tomamos Taittinger para celebrar Almodovar, o mundo latino, nosso jeito cara-de-pau de ser. E meio abilolado.

No Village, um momento all alone.
Adoro, adoro, adoro.

Confesso que sou meio sexista nessas horas.
Odeio a cara de lobo bobo deles quando a gente esta caminhando sozinha.
Odeio os comentarios-cantadas.
E um snooker bar (deja vu de algumas nights na Lapa, no Rio) me salvou.
Se existe um antidoto para nao virar carne no acougue, eh fazer pose de diva que sabe jogar sinuca em territorio desconhecido.

O resto da noite?
Agarrada com Leger como se nao houvesse amanha.