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Voltando à ativa

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

descalça

Depois de milhares de emails, de uma temporada hospitalar e de agradecer ao cara que inventou a analgesia aos 7cm do último tempo, bora acordar para a vida?
Saber que tudo continua e você não pode parar.
Saber que vai ter que trabalhar para chegar ao que era antes – e nem é tanto assim e dá trabalho.
Rodar pelas ruas e avenidas e pensar em novos caminhos.
Ter que lidar com a vil realidade.
Ter que lidar com a falta dela.
Ser você e ter muito mais responsabilidade – mesmo sendo você.
Ser assim.
E ser assado.
Pensar e repensar.
Descobrir que agora não sois mais aquele.
E encontrar em você uma calma tão rara.
Nem choros nem gritos te comovem.
Nem aquela pessoa que nasceu para ser infeliz.
A vida é assim pequenininha.
E vamos tecendo nossas teinhas de aranha-aprendiz.
Para saber que água, o vento e a terra hão de desfazer o seu tricô.
E ninguém saberá que a pequena aranha existiu.
Nem vão ver a teia mal tecida que foi o que melhor que você já fez.

E tudo porque é impossível reinventar rodas.

Pizza e cerveja

sábado, 18 de dezembro de 2010

silêncio

A casa em silêncio.
Nem me lembro de quando foi a última vez em que estive só.
Sem visita, empregada, gente para todo lado.

Como quem veste uma camisa do avesso, acordei.
Fiz tudo com tanta calma.
Ver o jornal no chão, perto da porta, e ignorar.
O sanduíche que seria o lanche de ontem foi meu café da manhã, meu almoço e ainda teima em ser jantar.

Oito da manhã, telefone.
Saio, obedeço minha mãe.
Mais uma obrigação e casa.

Sem barulho, sem bagunça, sem desculpa.
Mergulhei dentro do meu mundo e fiquei assim, desagitada.
Este ano doido que bebi em grandes goles.
A mala – queria que viagens e malas nascessem prontas e resolvidas.
O dia vai acabar e leio o jornal.
Tanta desimportância.
Tomo banho de banheira.
Quantos banhos de banheira nesta casa?
Silêncio quente.
Cheiro de lavanda.

Casa.