Posts com a Tag ‘mala’

Empacotando mundos

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sempre fui boa de guardar coisas, organizar gavetas, montar caixas.
Malas.
Tudo começou quando saí de casa.
Fazer a mala para virar gente.

O que você levaria?
Quantas roupas, quantas recordações, um retrato? Uma panela?

Pois eu levei um armário (que me acompanha até hoje)…
Um edredom, um vidro de cachaça de Salinas, Sagarana de Guimarães Rosa.

Depois dessa primeira grande viagem, outras e tão diversas.
Por anos mantive uma mala pronta para viagens inesperadas.
Foram sertões, Piauí, Maranhão, Pará – meu amado Ceará.
Na Bahia, viagens curtas, praias, paraísos.

Essa mala de emergência tinha roupa de calor, roupa de frio, bota, bikini, protetor solar, repelente, baterias, lanterna, comida de astronauta, máquina fotográfica russa – totalmente manual e resistente a tudo (inclusive a essa que vos escreve).
Como era delicioso prepará-la: viesse o que viesse (e eu previa furacões, tiroteios, balões), eu estaria pronta.
A amiga guerreira foi sendo costurada e re-costurada ao longo do caminho.
Hoje ela repousa, aposentada e nobre, dentro de uma caixa em meu closet.

A primeira vez que pisei em solo argentino, desbundei.
E, para carregar Buenos Aires pelos próximos meses em São Paulo, comprei uma malinha.
Pequenina, com bordas arredondadas, rodinhas, ideal para levar na cabine do avião.
Em sua primeira jornada, ela veio farta: garrafas de vinho, doces de leite, um par de luvas de pelica.
Ficamos inseparáveis.
Ouro Preto? Rio? Nova York? Tiradentes? Dubai? Parati?
Eu e ela e todos os aeroportos, estações, asfaltos, pedras e ruelas.

Com o tempo, as estadas foram se alongando, os destinos ficando mais e mais distantes.
Não pense em consumismo vão: virei colecionadora de malas – são 13!
Todas com seu lugar reservado, algumas são verdadeiras matrioshkas.
Cada uma com centenas, milhares de quilômetros e muita história guardada num compartimento secreto.

Por que desse texto?
É que hoje fiz malas… E não coube tudo.
Sampa, arriverdeci.
Não volto antes de 2012.

A primeira vez

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ir ao cinema quando ninguém mais pode.
Nosferatu sob o sol.

Malas sem nada – e duas viagens a cumprir.
Fim de ano fim.

Fechando pastas.
Abrindo arestas.

Saindo por aí atarefada.
Sem ter nada a dizer.

Ventania.
(com você)

Lar e pizza

domingo, 9 de janeiro de 2011

ponta-cabeça

A mesma casa.
Nem sempre as mesmas coisas.
Na velha fotografia, faltam alguns elementos.
Eu ainda não consegui desfazer a mala.
(Anote: duas vezes em uma vida)
A mesma pizza.
A geladeira que descongelou.
A vizinha que guardou a comida.
A comida que estragou.
Uma vontade louca de arrumar tudo.
Jogar creolina.
Acender fósforo.
Queimar a empregada.
E uma preguiça só de pensar.
A mesma cama e um sono ainda maior.
Deixa para o domingo.
Casa.
Disseram que iria fazer sol.
E fez.

Então feche a cortina.
E abra os olhos.

Pizza e cerveja

sábado, 18 de dezembro de 2010

silêncio

A casa em silêncio.
Nem me lembro de quando foi a última vez em que estive só.
Sem visita, empregada, gente para todo lado.

Como quem veste uma camisa do avesso, acordei.
Fiz tudo com tanta calma.
Ver o jornal no chão, perto da porta, e ignorar.
O sanduíche que seria o lanche de ontem foi meu café da manhã, meu almoço e ainda teima em ser jantar.

Oito da manhã, telefone.
Saio, obedeço minha mãe.
Mais uma obrigação e casa.

Sem barulho, sem bagunça, sem desculpa.
Mergulhei dentro do meu mundo e fiquei assim, desagitada.
Este ano doido que bebi em grandes goles.
A mala – queria que viagens e malas nascessem prontas e resolvidas.
O dia vai acabar e leio o jornal.
Tanta desimportância.
Tomo banho de banheira.
Quantos banhos de banheira nesta casa?
Silêncio quente.
Cheiro de lavanda.

Casa.