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Fio de luz e as vespas

terça-feira, 18 de outubro de 2011

tosco e limpo

Dormindo pouco – como me sinto melhor.
Viciada em comprar algodão em rolo.
Fazendo bolinhas com as mãos.
E o mundo gira, gira, gira, gira.
Aqui dentro, músicas de todos os tempos.
Manhattans, Áfricas e Casablanca. Ad Dār al Bayḍā.
Um ritual sufi na Via Láctea.

Deus é amoroso.
Mas faltou trazer meu negroni.
Quero aquele gole que o velho uruguaio me ofereceu em Punta.
Desci da bicicleta motorizada. Olhei para a cor de laranja e ele, elegante e desafiador, ofereceu.
Bebi sob o sol de 21h.
O bar aplaudiu e a bicicletinha me levou longe e rápido.

fina e sujinha

Sem saber se venta ou faz calor.
Sem querer saber.

E eis que um fiapinho de luz entrou.
Revelou os dedos do pé direito.

Sumiu o frio, pensei em Havanas, Jardins Botânicos, janeiros em São Paulo.
Comecei a contar.
Um, dois, três, quatro, cinco.
Cinco dedos, cindo dias, cinco noites, cinco semanas, cinco – tantas coisas.
Cantar – eu sou multicoisas.

Saí de mim e fui viajar.
Deu vontade de nadar.
E as árvores balançavam forte – eu vi.
Como um furação no Caribe.
Cabe uma árvore dentro do apartamento?
Só a de 30 milhões de anos, Pinus succinites.

Calorzinho bom.
Musiquinha caipira.
Drink dos anos 20.
Cheiro de limão capeta.

Uma tarde de âmbar.

Neve da infância

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Janela aberta e mão gelada

Janela aberta e mão gelada

Foi assim que ela chegou… Batendo na minha janela. E eu não resisto. A neve caindo é uma das coisas mais lindas que há. Os floquinhos brancos que derretem na nossa mão… É mágico.
Abri minha janela completamente (embora seja proibido) e deixei a neve entrar.
Tá certo que a cidade fica imunda, que a gente passa um frio do cão… Mas é imperdível.
E é uma bela despedida de Nova York (espero conseguir embarcar – risos).
Vou sentir muita saudade do Jim e da Vicky, do nosso escritório local – chiquérrima localização: 5av com 44th.

Ontem fomos a um restaurante-club no roof do museu para lá de moderno na Columbus Square. Super hip!
Robert é o nome. Os drinks – deliciosos – vinham com orquídeas. A minha está num copinho de plástico no banheiro.
A vista é alucinante. Manhattan e o Central Park. A sobremesa… SOCORRO! Bolinho de abóbora com creme, sorvete de gengibre, caramelo… Isso porque almocei no Daniel Boulud! Aliás, como fundadora de uma classe em ascen”S”ão no Brasil, a dos pobres excêntricos, eu tenho o dever de difundir nossos usos e costumes.
Nada de comer em diner e em café da esquina. É DB Bistrot Moderne, é Roberto… Hotel W. Esse negócio de pobre esforçado, que viaja num aperto e mostra para todo mundo que não está podendo é horrível.

Ficar na janela é para quem pode

Ficar na janela é para quem pode

O bom é ser pobre e entrar na Tiffany & Co e perguntar pelo departamento de jóias de autor. O correto é entrar na Saks e ir direto para o andar dos “great designers” e pedir para sua personal style consultant (sim, a minha é a russona de metro e noventa, Svitlana Nikolayeva) se as peças da Vionnet são numeradas… RÁRÁRÁ.

Legal mesmo foi ter conhecido a Nadine Johnson. PR das grandes maisons, ex-mulher de Richard Johnson, colunista do Page Six no Post, ela conhece Deus, o Mundo e mais alguma coisa. Passamos uma tarde ótima e ela se mostrou esperta como uma raposa, elegante como uma francesa e chic até não poder mais. O bolsão Chanel, o casaco très chic… Adorei tudo e acho que vamos fazer negócio.
Eu queria seguir escrevendo, mas a neve, a diária que vence em duas horas, e a cidade estão me chamando. E como diz vovó, “muitos proveitos não cabem num saco só”…

Ham’n eggs

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
tabasco em festa

tabasco em festa

Eu nao gosto de cachorro quente (18 anos de vegetarianismo), acho pretzel um horror… e nao sou fa de cafe (perceba que nao consegui resolver a questao dos acentos no teclado). Cafe gringo entao… Blergh!
Apesar do preco abusivo cobrado pelo cafe da manha neste hotel, tive que me render. Acordar, trocar de roupa, e enfrentar um vento gelado, a possibilidade de uma chuva com sensacao termica de 3 Celsius soh para economizar no cafe da manha…
Eu prefiro economizar no jantar – com uma daquelas maravilhosas sopas de copinho. A-do-ro!

Ontem, (imagino que) minha cara de estrangeira perdida e com frio comoveu o pessoal do Metro Cafe. Turcos, arabes e vizinhos me deram paozinho, ralharam com a caixa que me tratou com certo desdem, transformaram a pessoa Ana numa rainha da Lexington. E tudo por cinco dolares sem tip. Cheguei no hotel e fique me sentindo a ultima pipoca do saquinho.
Viu como eh facil me agradar?

Depois de um fim de semana intenso, percebi algumas coisas.
Uma frase ouvida na infancia me influencia profundamente. “Faca o que for mais dificil primeiro”.
Eu chego nos hoteis e jah desfaco a mala, jah dou um certo ar de lar para a assepsia dos quartos brancos com tudo branco. Tiro tudo, arrumo, peco mais cabides, mando roupa para a lavanderia, espalho Ana Pessoa.
O quarto de Miami, tenho certeza, eh maior do que minha casa – incluindo a garagem. Sala, cozinha modernete (o maximo que usei foi a geladeira que prepara sorbet e faz cheese cake sozinha – coloquei a garrafa d’agua para gelar), banheiro gigante, closet… Exagero totalmente a la Miami.
O de Manhattan eh aquele aperto tipico. Eh do tamanho do closet do de Miami – mas cheio de macetes para guardar as coisas. E tudo se acomoda bem. Fica fofo, charmoso. A minha amiga Mari veio aqui tomar uns free drinks comigo e logo falou: seu quarto tem astral de casa. Culpa de um mini-Mickey que comprei para a irma pequena.
Enfim, essa reflexao pula a primeira: como nos adaptamos em ambientes tao diferentes. Eu, pelo menos, tenho essa caracteristica… Faco da minha caverna uma Casa Vogue para ninguem botar defeito.
A segunda reflexao, sobre as coisas dificeis, diz respeito a tudo. Eu primeiro faco o que nao me da prazer (compras de eletronicos para os irmaos, creme para a vovo, etc, etc, etc) e, depois, relaxo.
A semana hoje comecou bem mais light depois que cumpri essas obrigacoes todas (jah a conta bancaria conta com a solida ajuda do bonus anual).

E a terceira coisa que ficou martelando em minha cabeca foi a vontade de escrever + timing ou time to market (esses estrangeirismos sao otimos algumas vezes). Escrever eh mesmo um touro indomavel.

Hitchcock
Hitchcock

Eu passo o dia pensando em “pautas” para o blog. Nao raras vezes eu vou construindo a historia na cabeca. Mas se nao escrevo logo, a ideia perde a forca. Quem me acompanha sabe que tudo eh sempre uma bobagem danada com molho de piada, mas sao bobagens necessarias para mim. Terapia de graca. E um narcisismo estranho – afinal eh uma leitura publica.
Escrevo e olho para a janela. Meu vizinho esta de frente para o vidro, consultando revistas, papeis, falando ao telefone. Provavelmente eh hospede (o predio do outro lado da rua eh um misto de hotel com residencial). Eu aqui, de camisola, postura ereta, sem a menor cerimonia. Ele la, brigando com alguem, rodando de um lado para outro – de camisa e gravata.

Duas coisas intrigantes.

Por que americano chama rico de “saudavel”. Saude e riqueza, miseria e doenca?  Geralmente o rico nao tem muito de saudavel… E o pobre tambem nao… Acho muito feio esse sinonimo inventado – alem de preconceituoso.

Por que americano compra tanto? Sera que falta alma? Ontem foi o ultimo dia de liquidacao na Saks e na Bloomingdales. Eu so vi sacolinha preto e branca e sacolao de papel pardo rodando pela cidade. Coisa de louco.

kit de sobrevivencia

kit de sobrevivencia na selva

Ah! E para fechar com uma ideia que esqueci de desenvolver. O cha! Adoro os chas que tomo aqui. Todos naturais, saborosos, alimentos para o corpo e a alma. Vc coloca agua quente e a vida muda completamente. Estou achando o cha do hotel tao gostoso e tao lindo que deixei de tomar os da tarde para guardar os saquinhos e levar para casa (eu sei, eu poderia comprar uma caixinha, mas a graca e outra). 

Guardo os saquinhos para tomar quando o furacao tiver passado e Manhattan ficar distante demais das minhas posses. Como a cena que vi ontem: um mendigo com dois sacos de plastico repletos de quinquilharias, sentado com modos muito finos em frente de um predio muito moderno comendo com muita elegancia um saquinho de M&Ms. (O cha da foto ao lado eh de menta com laranja)

Em tempo: como eh otimo acordar as 5 da matina!