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Idas e vindas

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pedras

Quanto mais me ausento, mais escrevo – e não publico.
Minhas viagens, antes longas, loucas, alucinadas, hoje parcas, curtas, densas.
Tensas.
Lentas.
Hoje tenho muito pouco tempo.
Faço tanto.
Corro com ritmo.
Minhas rugas, meus pouquíssimos fios brancos – vão chegando e eu, gostando.

Subi a escada de azulejos portugueses (espanhóis?) no Cosme Velho.
Vi os micos.
Sabiás.
Entrei numa paisagem que começou no século passado.
Aspirei os ares de nova vida.
Senti-me muito bem ali, em meio ao caos do que ainda não foi parido.
E que tanto promete.

Promessas.
Gosto de tudo o que não é.
Ainda.
Gosto dos causos.
Da areia que arranha meus pés e me afunda.
Gosto de ser carregada com a maré.
Água gelada.

Mesmo quando não termina bem.
O que me move é a história.
E se termina bem?
Vou com a maré…
Navego.

Dois bravos

terça-feira, 5 de abril de 2011

De um lado, o jogador de vôlei que foi “bullyado” pela torcida. Chamado de “gay” à exaustão pelos trogloditas da torcida do Cruzeiro, hoje assumiu ser homossexual e desabafou:

– Eu prefiro não falar sobre isso. Não acho que [minha orientação sexual] seja importante. Quem me vê dentro de quadra e me conhece sabe o que sou. Mas foi uma agressão.”

Do mesmo lado dessa moeda maluca, a atriz Solange Couto.
Com 54 anos de idade e casada com um rapaz de 24, ela está grávida de um menino.
Solange contou que não quer discutir sua gravidez em programas de televisão e que tem sido criticada pela plebe rude. Afinal, “está na idade de ter netos”.

– E o que é idade de ser avó? Por que depois dos 45 a mulher só pode ser avó? Se tiver saúde, vida sexual ativa, onde é que está o senão?
É preconceito, cara. Por que o homem não é tratado assim? É preconceito contra a mulher, e principalmente da mulher contra a mulher.

Ela não tocou na questão de ter um marido muito jovem, o que também pode ser motivo de comentários maldosos.

Ora, minha gente, em pleno século XXI, e Candinha faz das suas… Discutindo opção sexual de atleta e tripudiando do milagre da vida.
Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a chance de ter um filho com mais de 50 anos é de 1%. Explica o jornal que “é de uma britânica o título oficial de mãe mais velha do mundo por vias naturais. Dawn Brooke deu à luz aos 59, em 1997. Antes, o recorde era de uma americana, de Los Angeles, mãe aos 57.”
Ou seja: a atriz é um caso de aplauso. Afinal, deve ser uma experiência e tanto ser mãe depois dos 50.

E o post só começa agora.
Em minha aula incrível de teatro, choque (light) de gerações.
De um lado, a turma de vinte.
A menina bonitinha e hiperativa que não consegue ficar quieta, que não aceita não como resposta que tenta “corrigir” os outros o tempo todo porque já “estudou” teatro.
Do lado de cá, a velharia que resolveu tentar algo diferente depois de ter caminhado um pouco mais.
Entre os meus (com mais de 30 e 40), há uma que está no teatro porque tem fobia de fazer apresentações em Power Point, há uma CEO de empresa de head hunters que resolveu se dar um sabático…
A turminha de 20 também tem histórias. O menino do Paraná que foi morar no Rio para tentar a carreira de ator, não se adaptou e pintou em Sampa. O piloto de avião (brevê pode ser tirada a partir dos 16 anos) que foi fazer aula para acompanhar a irmã, a irmã engravidou e ele acabou ficando…

O meu ponto é: respeitar o outro.
Respeito é algo que se aprende de pequenino.
Não tem contra-indicação e só traz benefícios.
Respeito é o que nos torna uma nação melhor.
Nessa sociedade louca em que jovens viram chefes sem aprender a ser chefiados, em que tudo urge, refletir, ter calma, assumir um erro e aprender com ele são ações em desuso.

Corra, menino, corra.
Para descobrir, como eu, depois dos 30, que o barato é caminhar devagar e curtir a paisagem.