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Monomotor

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lá vou eu para a forca.
Embarco às 13h.

Antes, arrumar a casa, mandar bicho para hotel, o outro para o veterinário. Leleco, veterano, fica sozinho sem dramas.
Aproveito a viagem para marcar o resto do meu check up anual – dentista e outros dois especialistas.
Além de arrumar “a casa”, vou aproveitar a semana para ser apertada, revirada, furada, besuntada, vou “aproveitar” para ouvir de especialistas que faço muita coisa errada.
No corpo, um trunfo.
Estou em fase para lá de abstêmia.
Não que beba muito, mas, no ano passado, virei copos e não gostei.
E, agora carnívora, comendo melhor – acredita doutor?

Marquei também meu psicanalista – engraçado esse homem.
Freudiano total, nas minhas sessões ele fala e eu ouço.
Vai ver comigo tem que ser assim.

Minha vida é esse avião.
Vou largando pedaços importantes para trás, recuperando outros no aeroporto de aterrissagem.
Quando vôo, penso com calma.
Acho que, das nuvens, sentimos a morte.
Homem não foi feito para voar.
E, por isso mesmo, fica emotivo, resolve tudo em uma hora e quinze de vôo.
Aí, terra firme.
E confunde tudo de novo.

Eu nunca quis ser garçonete dos ares.
Muito menos piloto – só fui oficialmente autorizada a conduzir veículos com quase 22 anos.

Quando era adolescente, voei com meu tio médico e piloto.
Subimos, subimos, subimos naquele teco-teco monomotor com uma banqueta no lugar de assento.
Lá no alto absurdo, ele me deu o comando.
– Vou desligar a chave e você vai virando o manche.
Descemos numa louca velocidade, eu comandando o mergulho estapafúrdio.
Quando estávamos a ponto de virar sucata, ele ligou a máquina.
Meu coração – disparado –  não teve medo.
O barulho altíssimo do motor. E a força que fez nossos ossos tremerem.
O avião subiu bonito e nosso pouso foi sem sobressaltos.

Freud tem mesmo o que falar.

Você,

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

rapaz trabalhador que não sabe o que é assoviar e ser dono de casa ao mesmo tempo, mire-se na vida de uma autêntica mulher-bombril.

uma quinta-feira qualquer

Abri os trabalhos na madrugada: preparei documentos e contas para demitir a empregada.
Antônia foi minha fiel escudeira por cinco anos e nosso caso de amor acabou com a morte de um gato e alguns desgastes da máquina de fazer doido que é uma casa.
Entre mortos e feridos, saímos amigas, e a geladeira, emocionada, descongelou e fundiu o motor.
(Detalhe: o técnico me cobrou 200 pratas no sábado para não arrumar nada).
Transportei produtos meio água, meio pasta para a geladeira dos porteiros e levei Antônia para o ponto de ônibus.

Choramos na porta do banco.
Ela porque havia sido demitida, eu, por ela e porque fiquei sem fundos antes dela.

Entrevistei uma candidata a nova Antônia na garagem e fui, em disparada, para o médico (marcado desde o ano passado).

Antes de ir para o trabalho, parada estratégica em casa, do outro lado da cidade.
Minha vizinha que, bacanuda e com coração de mãe, viaja hoje para a Europa, liberou a eficiente máquina de gelar dela que – apesar de velha – nunca parou nem em datas especiais ou feriados. Detalhe: a dela é Brastemp.
Produtos armazenados, passei pano no chão da vizinha, no hall, na minha cozinha.

Trabalho.
Orçamento atrasado, fornecedores sentindo picadas estranhas atrás da orelha.
Minha boneca voodoo de New Orleans é mais eficiente do que muito método de cobrança.

Telefone toca.
Meu carregamento de vinhos comprado na importadora do padrasto chega.
(eu comprei vinhos do padrasto?)
Aquele champagne grátis me deixou compradora?
Enfim… logo mais abro algo.

Trabalho.

No intervalo, compro uma nova geladeira pela internet.
Amaldiçôo a Bosch e todos os alemães que um dia participaram desse projeto de geladeira.

Agora, às 16h33 chega meu almoço.
(Frio)
Enquanto o microondas não me salva, blogo.

Te pergunto: você tem um Trimedal?