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Ouverture d’une âme meurtrie

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Je pense toujours que le verbe aimer en français est plus dense.
Je pense trop.
Viens avec moi à jouer dans mon abîme.
Profonde, sans fin, dangereux.
Venez rouler dans l’herbe.
Venez lâcher son âme. Votre pulsation cardiaque.
Permettez-moi de vous emmener.
Vous me faites glisser fermement.
Vous me attirent.
Et je suis impuissant.

Où avez-vous été tout ce temps?
Je ne sais toujours pas où je suis.

———–

Cheiro.
Olho.
Tudo dando certo e errado.
Fico me segurando.
E provoco sempre que posso.
Geladinho na barriga.
Nenhuma, nenhuma briga.
(Ainda?)
Tudo para dar errado.
Idade, filho, medo.
Posse.
Posso?
Cansaço.
História.
Memória.
Dúvida.
Certeza.
Fome.
Sede.
Telefone.
Ai, tecnologia, que saco.
Se fosse anos atrás iria ser mais ao vivo e menos na tela de cristal.
Seu número?
Tem certeza…
Eu sei que vai ser dureza.
Moleza.
Pela primeira vez na história, domada.
Saudade.

É muita coisa boa ao mesmo tempo.
Fico guardando os minutos na bolsa para durar mais.

Je ne sais toujours

Je ne sais toujours

Minhas unhas vermelhas

domingo, 2 de agosto de 2015

Antes eu queria a festa, o momento.
Hoje eu quero o microscópico.
Em dois meses, eu voltei a ser a Ana com 20.
Mas com uma vida de 40.
Não foi a farra que veio, foi a carga pesada arrastada com com correntes que se foi.

De repente me vi montando um altar de flores.
De bons pensamentos.
Eu me lavei com sais, lavanda, acreditei na pedra energizada.

Eu tinha todas as certezas.
Minha bota do exército.
Minha roupa preta e um cabelão de medusa.
Um parceiro da vida inteira.
Um futuro.

Hoje eu tenho uma idéia.
Eu passo um batom, encho o peito de ar e vou.
Não levo nem a bolsa.
Eu simplesmente vou.

Eu ando muito leve, quase sendo levada com o vento.
E descobri que o caminho ainda nem começou direito.
Peguei um atalho enorme.
E cheguei em lugar nenhum.

Mas eu sou daquelas que caminha sem parar.
E, demorou, mas eu não tenho onde chegar.
E tudo bem.
Eu vou.

Sobre cordas e amarras. Sobre nós.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sempre tive horror.
Horror a pressão.
Horror dos que querem para ontem e do jeito deles, sem consultar meu gosto, meu tempo, o prazo de validade.
Sem deixar espaço para que meus pulmões trabalhem.
Curiosamente, convivo bem em ambientes de pressão.
Não caio diante do grito.
Da conversa paralela.
Do por trás.
Do para ontem.
Mas prefiro o porvir.

Não gosto de férias com data marcada.
De consulta médica com meses de antecedência.
Não gosto de elevador.
Cabine de submarino.
Helicóptero.

Gosto (apenas) do que chega sem avisar.
Do que se intromete porque não reconhece regras.
Gosto da quebradeira.
Do que atropela.
Do que cai.
E cai de novo.

Ambígua.
Sim, aprecio sair do limite.
Colocar o pé para fora da marca.
Gosto de me esfolar toda na queda.
De sentir a dureza de ser do contra.

Não me diga não – eu torço a corda.
Não me diga apenas sim – eu solto o laço.

Diga que sim de sopetão, sem planejar nem pestanejar.
Vamos.
Arriscando.
Deixando cabelos em pé.

Desatando.
(nós)

Interrupção

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Planejamento

INTERRUPÇÃO

A obra dos Deuses, nós a interrompemos – entes
somos da pressa e do momento, inexperientes.
No palácio de Elêusis e no de Ftia, eis
que iniciam Deméter e Tétis, em chamas
altas e fumo espesso envoltas, grandes obras. Mas
sempre foge Metanira aos aposentos do rei,
cabelos soltos, temerosa. Também
Peleu se atemoriza sempre e intervém.

(Kaváfis)
trad. de José Paulo Paes

Ontem reencontrei a diaba.
Passado obtuso de vestido longo na beira do rio.
Molha, molha até que encharca e te leva para o fundo.

Mitomania e agressividade.
Maldade em estado bruto e no jardim de infância.

4 anos.
Todos os meus planos, valentes, perdidos.
Murro escorrido, entornado.
Manti o prumo.
E foi o possível.

Consola é saber-se duro e corajoso.
E sem nada a dever e a ninguém.
Amiga da verdade e, por isso mesmo, sempre em guarda.

Pobre diaba, feia, desajeitada, pernóstica e verborrágica.
Pobre diaba.

 

 

Não

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Eu não

Definitivamente não tinha medo.
Quanto mais alto o andar, mais tinha vontade de pular.
E coração sempre batia acelerado.
Algumas vezes, ficava tonta.
Por não ter medo vivia cheia de hematomas.
Cicatrizes.
Pontos.
As pernas, tão bonitas, tinham marcas de alto a baixo.
E falava alto.
Sempre.
Para ser ouvida.

Achava estranho não ter morrido como os mártires, aos 27.
A velhice ia chegando e ela estava de pé.
O medo, talvez, fosse a própria morte.

Pé na porta

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Eu não fujo de nada.
E tendo a ver de cima para baixo todos aqueles que se escondem.
Os omissos, os covardes, os tristes, os baixo-astral.
A vida, nego, é curta.
Seja 16, 30 ou 80 anos que lhe caibam – é curta e passa rápido.
Daí para que ter medo?
Não, não sou panfletária nem adepta de gritos e de escândalos.
Só acho que ficar calado pode ser perda deste precioso tempo.
Portanto, coloco meu pé na porta e entro. Falo.
Seja um adeus ao emprego com sobrenome, seja um tempo na nossa bela história para ver o que acontece do outro lado do mundo, seja uma opinião que não é compartilhada pelos demais.
Com delicadeza, sem perder a firmeza, com educação, sem deixar para trás o recado a ser dado.
Eu falo.
Eu chuto.
Eu piso.

Eu já entrei em 2012.

A fé tem a ver com coisas que não são vistas e a esperança nas coisas que não estão à mão.
São Tomás de Aquino