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Aos covardes

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Querido, todos vamos passar desta.
Uns com menos, outros com mais.
Poucos com a cabeça erguida.

Da moça que não quis fazer exame de corpo de delito ao comandante que bateu o navio em uma noite escura e fria, não trabalhou nos resgates e fugiu.
Vamos todos passar.

Ser você é mesmo, lindo, louro e ainda quer ter opinião…
Só se for em filme mudo gravado no leste europeu pouco antes da Segunda Guerra.
Enfrentar fila porque é o certo.
Devolver a carteira perdida.
Ajudar uma velhinha a atravessar a rua.
Pagar todos os impostos – mesmo que eles sejam desviados de seu destino.
Ser uma pessoa boa.

Eu sou uma menina má.
Mas é em outro sentido.

Eu também vou passar.

La chute, la peste et l’homme révolté

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

l’héroïsme est peu de chose, le bonheur plus difficile.
Camus

Eu sou uma menina má e fico boazinha de vez em quando.
E hoje fez sol e um pinguim quando caminha pela cidade é por alguma razão muito séria.
Transformar a serviçal em uma mocinha arrumadinha.
Trabalhar pensando que RH nunca é um departamento respeitado pelo CEO.
Traduzir do inglês para o francês e vice-versa (terrivelmente tabajara).
Ler Camus escondido entre uma reunião e outra – travessura corporativa de quinta.

rugas e tinta ruim

Na praça, a terra cheira a molhado.
No escritório, o carpete novo já tem cara de anos 70. Cafona.
No shopping, além de mim e dos executivos almoçando, prostitutas bonitas – todas amigas do rei.

Eu uso muita roupa preta – inclusive em missas e reveillons.
Perguntaram se tem razão.
Respondi que não conheço pessoa alguma que seja razoável.

Sair por aí chutando pedras e latas com gosto.
Andar para lá e para cá – devagar, com uma postura bem ridícula.
Vagar obrigatoriamente.

Fez sol hoje.
E eu quero frio.
Dia de inverno completo.